- Ano V - nº 9 (49) - Agosto de 2011.                                                               Direção: Osiris Costeira

FITOTERAPIA - Iára Vieira. - iarasovieira@gmail.com

Farmácia Viva - 1ª Parte

 

"As plantas têm a sua missão: foram criadas com o objetivo de oferecer inúmeros benefícios ao ser humano: alimentar, proteger, curar, dar alegria e, no final do ciclo, voltar à mãe terra, que tudo cria, transforma e recria e, ao homem, caberia a responsabilidade de protegê-las e respeitá-las". 

Segundo a Resolução da Diretoria Colegiada nº 48/2004 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA1, os fitoterápicos são medicamentos preparados exclusivamente com plantas ou partes de plantas medicinais (raízes, cascas, folhas, flores, frutos ou sementes), que possuem propriedades reconhecidas de cura, prevenção, ou tratamento sintomático de doenças, validadas em estudos etnofarmacológicos e documentações tecnocientíficas.

Com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia as plantas medicinais estão tendo seu valor terapêutico pesquisado e ratificado pela ciência e vem crescendo sua utilização recomendada por profissionais de saúde.

De acordo com as necessidades da comunidade pode-se decidir o que plantar em uma horta comunitária, sendo que geralmente as primeiras plantas devem ser da própria região. A horta comunitária não deixa de ser um local de estudo, pois deve propiciar uma forma das pessoas se reunirem para trocar idéias ou experiências, contribuindo para que todos aprendam as formas de propagar ou cultivar as plantas.

O aproveitamento adequado dos princípios ativos de uma planta exige o preparo correto, ou seja, para cada parte a ser usado, grupo de princípio ativo a ser extraído ou doença a ser tratada, existe forma de preparo e uso mais adequados.

Os efeitos colaterais são poucos na utilização dos fitoterápicos, desde que utilizados na dosagem correta. A maioria dos efeitos colaterais conhecidos, registrados para plantas medicinais, são extrínsecos à preparação e estão relacionados a diversos problemas de processamento, tais como identificação incorreta das plantas, necessidade de padronização, prática deficiente de processamento, contaminação, substituição e adulteração de plantas, preparação e/ou dosagem incorretas. 

A série de artigos que se seguirá está voltada para a implantação de uma Farmácia Viva, uma Horta Medicinal Comunitária com a sugestão de cerca de 50 plantas de uso popular mais comum.  Convém lembrar que, cada região tem seu conjunto típico e próprio de plantas e cultura de utilização. 

Segundo critérios da agricultura urbana, na falta de terrenos para a nossa horta, podemos fazê-la em vasos, canteiros, jardineiras num canto em nossa casa que cumpra as exigências mínimas de cultivo para produzirmos plantas saudáveis e com bom aproveitamento de seus princípios ativos.

Sugestões de plantas para compor a FARMÁCIA VERDE

 

AGRIÃO (Nasturtium officinale)

Parte utilizada: toda a planta  

Princípios ativos: óleo essencial, minerais (fósforo, ferro, iodo, enxofre, cálcio), heterosídeos sulfurados, vitaminas (A, B2, D, C, E, PP), gliconasturtina e princípios amargos.

Propriedades: estimulante, tônico, cicatrizante, depurativo, antiinflamatório, descongestionante, digestivo, diurético, antiescorbútico, anticaspa e antiqueda.

Efeitos colaterais: o uso excessivo provoca  irritação gástrica, da vesícula e dos rins provocando dores; em gestantes pode aumentar riscos de abortos.

Contra indicações: inflamação das vias urinárias, úlcera gástrica e duodenal, crianças abaixo de 4 anos.

Precauções: gestantes consumir com cuidado, não indicado durante a lactação, interromper quando acontecer irritações na vesícula, rins, ou trato digestivo.  

Interações: combina-se com dente-de-leão, folhas de urtiga e de bétula no tratamento de insuficiência renal, alteração das funções do fígado e bexiga, e nas perturbações metabólicas. 

Indicações: escorbuto, bronquite, dissolvente da nicotina por isso é indicado para fumantes, enfermidades das vias urinárias, cálculos, diuréticos, hidropsias, atonia dos órgãos digestivos, depurativo do sangue.

 

AGRIMÔNIA (Agrimonia eupatoria)

Parte utilizada: folhas, flores e sumidades floridas.

Princípios ativos: ácido salicílico; agrimofol; agrimondina; derivados floroglicinóis; elagitaninos; provitamina K; saponinas; taninos; vitamina B; agrimonina, agrimonolida; quercetina, fitosterina, eupatorina, traços de óleo essencial e de alcalóides; ácido ursólico.

Propriedades: adstringente, analgésica, antidiarréica, antiinflamatória, antimicrobiana, antivirótica, ansiolítica, calmante, cicatrizante, colagoga, colerética (moderada), depurativa, diurética, emenagoga (moderada), hemostática local, hiper-tensora, hipoglicêmica, relaxante, resolutiva, tônica, vermífuga, vulnerária.

Superdosagem: Doses elevadas podem interferir com medicamentos anti-hipertensores e anticoagulantes.

Precauções e Efeitos colaterais: Em pacientes com história de prisão-de-ventre. Queixas gástricas e constipação. 

Contra indicações: A planta fresca tem intensa ação fotossensibilizante. Pode causar hipotensão arterial, arritmia, náuseas, vômito e até parada cardíaca.

 

Interações: interage com medicação anticoagulante porque possui propriedades coagulantes.

 

Indicações: Diarréia moderada, inespecífica, inflamações cutâneas e da orofaringe.abscessos; amigdalite; anginas, asma brônquica, bronquite, cálculo renal; catarros bronquiais e intestinais, cistite; cólicas; conjuntivite, dermatite pruriginosa, diarréias, doenças do sangue; dores da garganta, enxaqueca; erupções cutâneas; esmagamento de tecidos, espinhas, estomatite, faringites crônicas de pessoas que, geralmente por profissão, falam muito, ou então para os cantores, feridas escrofulosas; feridas de difícil cicatrização, gota; gastrite; hiperglicemia; hipotensão arterial; indigestão; inflamação dos olhos, garganta; laringite, manchas, mordedura de serpente, musculatura tensa e/ou dolorida; parasitas intestinais, sangramento pós-cirurgias dentária; parasitas intestinais; rachaduras na pele, ressecamento da pele; reumatismo, rinites alérgicas, rouquidão; sangramentos pós-cirúrgicos e pós-extração dentária, sardas; tuberculose pulmonar; úlceras, varizes, virose.

 

ALCACHOFRA (Cynara scolymus)

Parte utilizada: folhas maduras , colhidas antes da floração.

Princípios ativos: cinarina, cinaropicrina, sais minerais, ácido clorogênico, ácido caféico, mucilagem, pectina, tanino, ácidos orgânicos, glicosídeo A e B, componentes flavônicos glicosídeos, enzimas, pró-vitamina A e vitamina C.

Propriedades: colagoga, colerética, depurativa, diurética, laxativa, hipoglicemiante, reduz a taxa de uréia, reduz o colesterol sanguíneo. 

Superdosagem: aumento da diurese e diarréia.

Contra indicações: durante a amamentação porque diminui a secreção do leite e da propriedade da cinarina de coagular o leite materno. 

Precauções: no caso de hipersensibilidade, descontinuar o uso.  

Interações: associada com bétula, celidônia, genciana, alecrim e dente de leão para potencializar os efeitos coleréticos e colagogos; no tratamento de hipercolesterolemia e hepatopatias combinar com cardo mariano, genciana, dente de leão e alecrim.

Indicações: afecções hepatobiliares e no aumento da uréia e colesterol; alivia os males gástricos e renais; coadjuvante no emagrecimento, usado na hipertensão e hidropsia, aumenta a ação antitóxica do organismo, depurativo, antiofídico, hipercolesterolemia, hipertrigliceridomia.

 

ALECRIM (Rosmarinus officinalis)

Parte utilizada: folhas e sumidades floridas.

Princípios ativos: óleo essencial (pineno, canfeno, borneol, cineol), taninos, alcalóides, saponinas, flavonóides e ácido rosmarínico.

Propriedades:  cardiotônico, antiespasmódico, estimulante geral, hipertensor, estomáquico, anti-séptico pulmonar e béquico, carminativo, colagogo, colerético, emenagogo, anti-reumático, diurético.

Superdosagem: em doses elevadas provocam irritações gastrintestinais, o uso prolongado pode ocasionar gastroenterites e nefrite.

Efeitos colaterais: em doses elevadas pode provocar gastroenterite e nefrite.

Toxicologia: não se recomenda o seu uso interno para gestantes, prostáticos e pessoas com diarréia.

Contra indicações: a essência de alecrim pode ser irritante para a pele; não é indicado em altas doses por via oral, pois é abortivo.

Precauções: o uso à noite pode alterar a qualidade do sono, não usar durante a gravidez.  

Interações: junto com aveia, cola e verbena para as depressões; com sálvia, gelsemium e valeriana nas dores de cabeça.

Indicações: estimulante digestivo, atonia estomacal, esgotamento cerebral, excesso de trabalho, depressão leve,para falta de apetite (inapetente), azia, problemas respiratórios, debilidade cardíaca, cansaço físico e mental, hemorróidas, efeito hepatoprotetor, afecções reumáticas e articulares, colecistite crônica e hepatite, amenorréia, dismenorréia e oligomenorréia, ação anti-séptica inibe o crescimento de Salmonela, Escherichia e Estafilococus.

 

ALFAZEMA (Lavandula sp.)

Parte utilizada: toda a planta e sumidades floridas.

Princípios ativos: óleo essencial (geraniol, furfurol, linalol, cariofileno, acetato de linalino), cumarinas.

Propriedades: antiespasmódica, carminativa, anti-séptica, cicatrizante, estimulante da circulação periférica, antidepressiva, sedativa, anti-reumática, antiasmática, diurética, diaforética, colagoga, sudorífica, aromática, rubefaciente, anticonvulsiva, analgésica, desodorante, refrescante, purificante.

Superdosagem: em doses elevadas do óleo volátil (mais de 1 g) pode ter certo grau de toxicidade. 

Efeitos colaterais: em doses elevadas pode causar sonolência, obedecer a dose indicada.

Contra indicações: incompatível com iodo e sais de ferro.

Precauções: cuidados nos tratamentos prolongados, principalmente em doses elevadas.  

Interações: Alecrim, Cola, Escutelaria como auxiliar nos casos de depressão.  Com Valeriana para cefaléias.

Toxicologia: em doses altas pode ser depressiva do sistema nervoso, causando sonolência.

Indicações: calmante suave, combate à tosse, flatulência, doenças respiratórias como asma, bronquite, catarro, gripe, sinusite, enxaqueca, depressão, tensão nervosa, insônia, inapetência, vertigens, dermatites, eczemas, abscessos, psoríase, queimaduras, leucorréia, anúria, amenorréia, picadas de insetos.

 

ALFAVACA (Ocimum basilicum L.)

Parte utilizada: planta inteira.

Princípios ativos: óleo essencial (estragol, linalol, lineol, alcanfor, eugenol, cineol, pineno, timol), taninos, saponinas, flavonóides, ácido cafêico e esculosídeo.

Propriedades: antiespasmódica, tônica estomacal, carminativa, estimulante, galactógena, anti-séptica intestinal, diurética, emenagoga, estomáquica, anti-helmíntica.

Contra indicações: não utilizar durante a gestação.

Precauções: não ferver a erva porque há perda de seus princípios ativos ao ferver e secar, utilizar a planta fresca.

Indicações: estimula a lactação e tratamento de fissuras dos mamilos; tônico nervoso, estafa mental, intelectual e nervosa; dores estomacais, má digestão, flatulência, cólicas intestinais, espasmos estomacais, problemas respiratórios, insônias, enxaquecas, dispepsias nervosas, algumas afecções renais, estimula a diurese, tônico do sistema nervoso central e do córtex da supra renal.

 

ALGODÃO (Gossypium hirsutum)

Parte utilizada: folhas, flores, sementes e casca da raiz.

Princípios ativos: gossipol, celulose, substâncias gordurosas, ceras, resinas, pectinas, minerais, ácidos palmítico, esteárico e pectínico).

Propriedades: essência, tanino, amido e betaína.

Efeitos colaterais: infertilidade masculina.

Contra indicações: gravidez, para homens em idade fértil, possui atividade antifertilizante masculina.

Precauções: evitar o uso prolongado.  

Indicações: lactantes, hemorragias uterinas, dores nas articulações, furúnculos, helmintíases, tosses catarrais, dismenorréia, amenorréia.

 

ALHO (Allium sativum)

Parte utilizada: bulbo.

Princípios ativos: alicina, ajoeno, ácidos fosfórico e sulfúrico, Vitaminas A, B1, B2 e C, proteínas, sais minerais (cálcio, enxofre, iodo, silício, sódio, ferro), óleos essenciais, glicosídeos, galicina, resinas, enzimas e sulfuretos.

Propriedades: expectorante, anti-séptico, pulmonar, analgésico, antiinflamatório, antibacteriano, tônico, hipotensor, vermífugo, hipoglicemiante, febrífugo, antiplaquetário, antioxidante, e hipocolesterolemizante, diminui a viscosidade sanguínea e é anti-helmíntico. 

Superdosagem: DL50 = 100 mg/Kg, doses acima das recomendadas podem causar náuseas, irritabilidade gástrica e reações de hipersensibilidade.   

Efeitos colaterais: dose acima da recomendada pode causar irritação gástrica e náuseas; deixa odor perceptível na respiração, no suor, nos gases, na pele; pode ocorrer reações em pessoas sensíveis.    

Contra indicações: hipersensibilidade ao óleo, hipotensão arterial.

Precauções: não exceder as doses.   

Interações: combinado com Tussilago e lobélia no tratamento da bronquite e asma; associação com Baptista e Echinácea para atividade antiviral.

Indicações: afecções pulmonares, bronquite, asma, gripe, tosse, rouquidão, diabetes, hipertensão, hipercolesterolemia, na prevenção de vasculopatia aterosclerótica, e anti radicais livres.

 

 

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