- Ano IX - nº 1 (70) - Dezembro 2014 /Janeiro / Fevereiro de 2015.                           Direção: Osiris Costeira

FITOTERAPIA - Iára Vieira. - iarasovieira@gmail.com

DIABETES - 2ª Parte: A Fitoterapia e o Diabetes (I)

 

Benefícios da Fitoterapia

Com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia as plantas medicinais estão tendo seu valor terapêutico pesquisado e ratificado pela ciência e vem crescendo sua utilização recomendada por profissionais de saúde.

O aproveitamento adequado dos princípios ativos de uma planta exige o preparo correto, ou seja, para cada parte a ser usada, grupo de princípios ativos a serem extraídos ou doença a ser tratada, existe forma de preparo e uso mais adequados.

Os efeitos colaterais são poucos na utilização dos fitoterápicos, desde que utilizados na dosagem correta.

A maioria dos efeitos colaterais conhecidos, registrados para plantas medicinais, são extrínsecos à preparação e estão relacionados a diversos problemas de processamento, tais como:

identificação incorreta das plantas,

necessidade de padronização,

prática deficiente de processamento,

contaminação,

substituição e adulteração de plantas,

preparação e/ou dosagem incorretas.

A utilização das plantas medicinais, cuja eficiência terapêutica e segurança de uso, já foram avaliadas, representa uma forma de tratamento de baixo custo, acessível a toda a população.

As plantas medicinais são classificadas como produtos naturais, a lei permite que sejam cultivadas e comercializadas livremente, desde que sejam atendidas as condições que garantam a qualidade das mesmas. 

O cultivo orgânico para plantas medicinais não é casual.  Pesquisas comprovam que a fertilização química altera o teor de princípios ativos em algumas espécies. 

Quanto às Plantas Medicinais é importante considerar o teor e a qualidade dos princípios ativos, que são os princípios curativos. 

Finalidade: Trazer maior segurança no uso das plantas pela certeza da utilização da planta correta e da qualidade do material.

A Resolução da Diretoria Colegiada nº 48/2004 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA1, os fitoterápicos são medicamentos preparados exclusivamente com plantas ou partes de plantas medicinais (raízes, cascas, folhas, flores, frutos ou sementes), que possuem propriedades reconhecidas de cura, prevenção, ou tratamento sintomático de doenças. A utilização das plantas medicinais, cuja eficiência terapêutica e segurança de uso já foram avaliadas, representa uma forma de tratamento de baixo custo, acessível a toda a população. As plantas medicinais são classificadas como produtos naturais, a lei permite que sejam cultivadas e comercializadas livremente, desde que sejam atendidas as condições que garantam a qualidade das mesmas.

Plantas Medicinais para Diabetes: Alguns exemplos de plantas medicinais indicadas para Diabetes tipo 1 e tipo 2 são.  Você pode escolher uma delas, ou potencializar o efeito utilizando mais de uma. Veja a seguir:

1) ABAJERU (Chrysobalanus icaro): hipoglicemiante, antiblenorrágico, antidiabético, anti-reumático.

Partes usadas: Frutos, sementes, casca do caule e folhas.

Propriedades: Adstringente, calmante, diurético, hipoglicemiante, antibiótica.

Outros nomes populares:  bajerú, guajerú, abajero, ajuru, ajuru-branco, ariu, cajuru, goajuru, guajiru, guajuru, oajuru.

Constituintes químicos: ácido pomólico.

Obs: este ácido induz a apoptose, morte celular programada, nas células cancerosas, porém não é extraído da planta através de chá. O chá pode até ser prejudicial aos portadores de câncer.

Propriedades medicinais: hipoglicemiante (diabetes tipo II), antiblenorrágico, antidiabético, anti-reumático.

Indicações: Diabetes, afecções gástricas e pancreáticas, diarréia, disenteria, hemorragias, espasmos, infecções, estimulante gastrointestinal, flatulência, afecções respiratórias, blenorragia crônica, diabetes tipo 2, diarréia crônica, leucorréia, reumatismo.

Parte utilizada: folhas.

Contra-indicações/cuidados: esse chá pode vir a ser prejudicial a portadores de câncer.

Efeitos colaterais: não encontrados na literatura consultada.

Modo de usar: infusão das folhas

 

2) PATA DE VACA (Bauhinia forficata Link):

Poderoso hipoglicemiante, insulina vegetal,  indicado em diabetes e elefantíase, com muito sucesso.  Tem o poder de controlar a glicose.  Ajuda a controlar os níveis de glicose no sangue.

Constituintes químicos: ácidos orgânicos (tartárico), alcalóides, cumarinas, esteróis, flavonóides (campferol, rutina e quercitina), guanidina, glicoproteína, glicosídeo, goma, heterosídeos cianogênicos e saponínicos, hidrato de carbono, holosídeo, minerais, mucilagens, pigmentos, pinitol, proteínas, quercetol, rammose, sais minerais, taninos (flobatênicos e pirogálicos), triterpenos.

Propriedades medicinais: antidiarréica, depurativa, diurética, hipocolesterolemiante, hipoglicêmica (antidiabética), laxante, purgativa, tônica renal, vermífuga.

Indicações: afecções renais e urinárias, calmante (estados nervosos), catarro, colesterol, constipação intestinal, diarreias, diabete melittus II (para o pâncreas produzir mais insulina), elefantíase, gripe, impedir o aparecimento de açúcar na urina, insuficiência urinária, males do estômago, moléstias da pele, mordidas de cobra, prisão de ventre, parasitoses intestinais, regularizar a glicemia sanguínea, reduzir a excreção de urina, nos casos de poliúria ou urina solta, rins.

Parte utilizada: cascas, folhas, flores, lenho, raízes.

Contra-indicações/cuidados: em caso de gestação ou lactação, usar somente sob orientação médica.

Efeitos colaterais: pode potencializar drogas antidiabéticas; é contra-indicada para pessoas com hipoglicemia.

Modo de usar:

Como hipoglicêmica: dose de 3g/dia de folhas, por 56 dias;

 - infusão ou decocção sob forma de banhos: elefantíase;

- infusão de 2 xícaras das de cafezinho da folha picada em ½ litro de água ou 1 folha picada por xícaras de chá. Tomar 4 a 6 xícaras de chá ao dia (diabetes); flores (purgativo).

- decocção de 1 colher das de sopa do pó da casca e folhas secas em 1 xícara de água. Tomar ½ a 1 xícara de chá ao dia;

- decocção: ferver 1 a 2 colheres das de chá de folhas em 1 xícara das de chá de água.   Tomar 3 a 4 xícaras ao dia

- infusão de 2 colheres de sopa de folhas (e ou flores picadas) para 1 litro de água fervente. Tomar 3 a 4 xícaras do chá morno por dia;

- tintura: 20 gotas em ½ cálice de água, 3 vezes ao dia;

Modo de preparo:  Adicione uma colher de sopa das folhas para cada xícara de água, e deixe ferver ao mesmo tempo. Depois de pronto basta coá-lo e beber. Tome o chá todos os dias, três vezes, antes das principais refeições.

 

3) PEDRA UME CAÁ (Myrcia sphaerocarpa DC): 

De origem amazônica, goza da fama de Insulina Vegetal, empregada no tratamento do diabetes baixando a taxa de açúcar e colesterol.

Princípios Ativos: terpenos, sesquiterpenos, beta-amirina, eucaliptina.

Indicação: diabetes, problemas renais, hemorróidas, inflamação de útero e ovário, diurético.

Principais Método de Preparação: infusão ou cápsulas

 

Indicações: para diabetes; para neuropatia diabética e preventivas para a degeneração macular; para a hipertensão e como um tônico para o coração (tonifica, equilibra e fortalece o coração); de enterite, diarreia e disenteria; como um adstringente para parar o sangramento e hemorragia.

Propriedades/Ações documentadas pela pesquisa: inibidor da reductase antidiabéticos, hipoglicêmicos, aldose (evita complicações diabéticas), adstringente, hipotensor (baixa pressão) antidiabéticos, inibidor da alfa-glicosidase, inibidor de apetite, hipoglicemiante.

Outras propriedades/Ações documentadas pelo uso tradicional: anti-hemorrágica (reduz o sangramento), antioxidante, adstringente, cardiotônico (tonifica, equilibra e fortalece o coração), gastrotônico (tonifica, equilibra e fortalece o aparelho digestivo), hipotensão (baixa pressão).

Cuidados: Ele reduz os níveis de açúcar no sangue.

Contra-indicação:  na hipoglicemia. Os diabéticos devem monitorar seus níveis de glicose de perto.

Considerações Farmacêuticas:

A pedra-ume-kaa foi usada por tribos indígenas na floresta tropical para tratar diabetes, diarreia  e disenteria. Dr. Cruz, um médico brasileiro apelidou a planta de “insulina vegetal” em 1965.  Observou que as pessoas que utilizaram a planta em infusões ou extratos combateram a diabetes. Especialistas que fizeram estudo cuidadoso de plantas medicinais afirmaram que o uso regular desta planta produz resultados surpreendentes no tratamento desta doença, como em um espaço pequeno de tempo, o açúcar desaparece da urina. Em outros estudos, o extrato aquoso de Pedra-ume, têm um efeito benéfico no estado diabético, principalmente melhorando parâmetros metabólicos de homeostase de glicose.

Modo De Usar/Posologia:

Cápsulas: 400mg – 1 cápsula 3 vezes ao dia

Decocto: tomar 1 xícara 3 vezes ao dia.

 

4) PAU-FERRO  (Caesalpinia férrea): 

É utilizado popularmente para diabetes, diminuindo o volume da urina e sede, como antiinflamatória; para  afecção catarral, amídalas, cólica intestinal, disenteria, garganta, gota, hemorragia, reumatismo, sífilis, tosse, hemorróidas, problemas cardíacos, como expectorante, febrífuga, fraqueza geral e afecções pulmonares.

Nome popular:  conhecida como pau-ferro (ébano brasileiro) ou jucá.

Propriedades: anti-séptico, antimicrobiana, adstringente, depurativo, sedativo, sudorífera, tônica febrífuga.

Partes Utilizadas: casca do tronco

Indicação: utilizado popularmente para diabetes, diminuindo o volume da urina e sede, como antiinflamatória; para  afecção catarral, infecções bronco-pulmonares, asma, amígdalas, cáries, gengivite, cólica intestinal, infecções intestinais, disenteria,  diarreia, garganta, gota, hemorragia, reumatismo, alivia contusões sífilis, tosse, hemorróidas, problemas cardíacos, como expectorante, fraqueza geral e afecções pulmonares. Acelera a cicatrização.

 

Como fazer: Coloque 2 colheres de sopa para um litro de água.  Deixe cozinhar por cerca de 10 minutos a partir do momento em que se inicia a ebulição, após esse tempo, retire do fogo e deixe repousando, tampada, por 10 minutos. Coe e está pronto para o uso. 

Como beber: Tomar de 2 a 3 xícaras ao dia. 

Tintura de Pau Ferro: O medicamento é produzido por meio da infusão da casca do caule, em álcool vegetal, por quinze dias. Efeito semelhante pode ser conseguido através do chá, mas com uma diferença. “A tintura é mais eficaz, pois não perde o componente químico da planta”.

 

 

 

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