- Ano V - nº 11 (51) - Outubro / Novembro de 2011.                                             Direção: Osiris Costeira

FITOTERAPIA - Iára Vieira. - iarasovieira@gmail.com

Farmácia Viva - 3ª Parte

 

Para instalar o Horto Medicinal, seja no solo ou em vasos, deve-se escolher um local onde incida pelo menos cinco horas de sol por dia, durante o ano todo. O local deve ser bem drenado e protegido de ventos frios e fortes, para que as plantas cresçam com vigor. 

Mesmo em casas que têm pouca incidência de sol é possível plantar algumas ervas que se adaptam a locais pouco iluminados.  Deve haver disponibilidade de água de boa qualidade para regar as plantas.  O Horto Medicinal pode ser feito no sítio, no quintal ou no jardim.  Para apartamentos ou casas sem quintal a opção é plantar em recipientes, que podem ser de plástico, de cerâmica, de cimento, de bambu, ou no que estiver disponível.

ESCOLHA DAS ESPÉCIES

A princípio deve-se observar as espécies nativas, as que fazem parte da flora local.  É necessário se informar sobre as exigências climáticas de cada espécie para identificar as que se adaptam ao clima local. A maioria das espécies medicinais se adapta as condições de clima tropical e subtropical; algumas precisam de clima mais frio para produzir.  Espécies que têm capacidade de adaptação a diferentes condições climáticas: Alecrim, Alfavacão, Arruda, Bálsamo, Boldo, Capim cidreira, Dente de leão, Guaco, Hera terrestre, Hortelã, Levante, Malva, Manjericão, Melissa, Mil folhas Poejo, Sálvia, Tanchagem.

IDENTIFICAÇÃO DAS ESPÉCIES

As plantas são conhecidas por nomes populares ou comuns e por um científico.  O nome comum é aquele dado pelas pessoas, variando de um local para outro, fazendo com que uma planta tenha um nome em cada região ou um mesmo nome para espécies diferentes, por isso, a identificação da planta somente pelo nome comum não é confiável.  A nomenclatura científica é confiável, uma vez que o nome científico é universal, é sempre o mesmo em qualquer parte do mundo.  Ao adquirir sementes ou mudas de plantas matriz, deve-se identificar corretamente a espécie medicinal.  Somente com a identificação correta pode-se ter certeza de estar utilizando uma planta com as propriedades medicinais desejadas.

 

CAMOMILA (Chamomilla recutit)

Parte utilizada: flores

Princípios ativos: óleo essencial contendo camazuleno, matricina, bisabolol; flavonóides e colina, aminoácidos, ácidos graxos, sais minerais, terpenos, cumarinas, mucilagens, ácidos orgânicos

 Propriedades: calmante, anti-inflamatória, analgésica, antiespasmódica, carminativa, cicatrizante, emenagoga, antiflogística, tônica, emoliente,  refrescante, antisséptica, antialérgica, vulnerária.

Superdosagem: pode causar náuseas, excitação nervosa e insônia.    

Efeitos colaterais: pode desenvolver dermatite de contato ou fotodermatite em pessoas alérgicas a outras plantas da família Compositae.

Contra indicações: não ser usada por gestantes porque possui ação emenagoga e em períodos de amamentação, evitar o contato do infuso com os olhos. 

Precauções: respeitar as doses recomendadas. 

Interações: pode ser associada com melissa, menta e valeriana.

Indicações: inflamações agudas e crônicas no aparelho digestivo (mucosa gastrintestinal), colites, cólicas biliares, meteorismos, auxiliar como reconstituição da flora bacteriana normal; pomadas e loções para eczemas, úlceras externas, dermatites e afecções da pele.

 

CAPIM-CIDREIRA; CAPIM LIMÃO (Cymbopogon citratus)

Parte utilizada: partes aéreas  

Princípios ativos: óleo essencial contendo geraniol, rico em guaieno e fenchona; barbatol, barbatesina, cariocal, citral, mirceno,cimbopogonol, limoneno, dipenteno e barbatusol 

Propriedades: antiespasmódico, antimicrobiano, inseticida, repelente, analgésico, bactericida, calmante, carminativo, espasmódico, diurético, sudorífero, hipotensor, anti-reumático, emenagogo,antitérmica. 

Superdosagem: hipocinesia, ataxia, bradipnéia, perda de postura, sedação e diarréia.

Efeitos colaterais: não apresenta mantendo as doses indicadas.

Precauções: pode ser abortivo em doses concentradas.  

Indicações: atua como estimulante lácteo, dores estomacais e problemas renais, insônia, nervosismo, dores de cabeça, flatulências. 

 

CAPUCHINHA (Trapaeolum majus)

Parte utilizada: parte aérea (caule, folhas, frutos e flores)    

Princípios ativos: enzima mirosina, glucotropaeolina que origina os compostos sulfurados antibióticos por hidrólise, resinas, óleo essencial, vitamina C.

Propriedades: purgativa, aperiente, tônica, depurativa, antibiótico natural, antiescorbútica, estimulante, digestiva, expectorante, béquica, ativadora da circulação sanguínea, fungicida, remineralizante, sedativa, tônico capilar.

Superdosagem: hipotensão, potencialização dos efeitos cardiotônicos.  

Contra indicações: gastrite, gravidez, lactação, hipotireoidismo, insuficiência cardíaca e renal, irritação gástrica, ação antitireoidica indutora de bócio.

Indicações: acne, adrenomieloneuropatia, afecções da pele, afecções pulmonares, caspa, desinfetante das vias urinárias, eczema, escorbuto, escrofulose, falta de apetite, fortalecedor do couro cabeludo, impurezas do sangue, infecções bacterianas e fúngicas, infecções geniturinárias, e respiratórias, insônia, pele envelhecida, pele e cabelos enfraquecidos, previne queda de cabelos, problemas digestivos, psoríase, retenção de líquidos, tosse.

 

CARDO-SANTO (Cnicus benedictus)

Parte utilizada: parte aérea (caule e folhas)  e sementes

Princípios ativos: óleo essencial, cnicina, tanino, mucilagem, sais minerais, resinas e flavonóides, glicosídeos flavônicos, princípios amargos.

Propriedades: digestivo, depurativo, colerético, antibiótico, aperiente, estomáquico, cicatrizante, diaforético, diurético, expectorante.

Superdosagem: acima de 15 g da planta infuso/dia pode irritar o estômago e provocar vômitos.  

Efeitos colaterais: irritação gástrica e vômitos.

Contra indicações: gravidez

Precauções: evitar doses acima das indicadas, pode ocorrer reações alérgicas.

Interações: Pode ser combinada com Cola (kola vera) para problemas digestivos, e com Ulmária (Filipendula ulmaria) e (Potentila tormentilla) para casos de diarréia. 

Indicações: curar feridas e chagas, problemas gástricos e biliares (dispepsia, indigestão, atonia estomacal, flatulência, diarréia), asma, catarro brônquico, edemas, hidropsia, afecções renais, reumatismo, externamente (feridas, abscessos, contusões).

 

CARQUEJA (Baccharis trimera)

Parte utilizada: parte aérea (caule, folhas)

Princípios ativos: óleo essencial com nopineno, carquejal, acetato de carquejilo e sesquiterpenos, lactonas diterpênicas, flavonóides, resina, saponina, vitaminas, esteróides e/ou triterpenos, polifenóis, taninos.

Propriedades: tônico estomacal, aperiente, diurético, eupéptico.

Superdosagem: a DL50 do carquejol, seu principal constituinte ativo é de 1,80 g/Kg, podendo ocorrer redução da atividade motora.

Efeitos colaterais: não possui se administrada na dosagem correta. 

Precauções: administração a cada três meses, renovável.   

Indicações: anemias, diabetes, obesidade, má digestão, tônico estomacal, aperiente, diurético, reumatismo, gota e estimulante do fígado; feridas e úlceras (externamente), gastrite, azia, cálculos biliares, prisão de ventre.

 

CATINGA-DE-MULATA (Tanacetum vulgaris)

Parte utilizada: folhas    

Princípios ativos: ácido tanásico e essência tanacetona, lactonas, sesquiterpênicas, flavonóides, esteróis, glicose, ácidos (cítrico, butírico, oxálico), tuiona, canfol, taninos, resinas, vitamina C. 

Propriedades: aromática, vermífuga, emenagoga, anti-helmíntica, anti-asmática, antibacteriana, antiespasmódica, anti-histérica, anti-inflamatória, antinevrálgica, antirreumática, antiulcerogênica, béquica, carminativa, digestiva, diurética, estimulante, estomáquica, febrífuga, hemostática, remineralizante, sudorífica, tônica. 

Superdosagem: o excesso de consumo provoca congestão da região da bacia (órgãos abdominais), com lesões renais e nervosas, inflamação dos órgãos nutricionais e sexuais, vômitos, convulsões, ação vasodilatadora em gestantes, fica presente no leite materno. 

Efeitos colaterais: o óleo pode provocar dermatite de contato e aborto.

Contra indicações: gestantes, lactantes e crianças. 

Precauções: pode causar intoxicação

Toxicologia: possui elementos tóxicos como o ácido tanásico e a tanacetona, usar sob orientação terapêutica.   

Interações:   associada ao manjericão para aromatizar ambientes.

Indicações: combater parasitas como os oxiuros, tênia e áscaris, combater principalmente vermes (anti-helmíntico), também em problemas menstruais, no tratamento da gota, gases, problemas de rins, flatulência, é estimulante das vísceras e, topicamente, tem sido utilizada contra escabiose, aerofagia, afecções nervosas, bronquite, clarear manchas de pele, contusão, dismenorréia, dores articulares, dores musculares, dor de dente, dores reumáticas, furúnculos, emenagoga, entorse, epilepsia, epistaxe, feridas, gota, histeria, infecção da pele, parasitoses, menstruação difícil, perturbações gástricas, picadas de insetos, problemas renais. 

 

CAVALINHA (Equisetum arvensis)

Parte utilizada: parte aérea (hastes e folhas)   

Princípios ativos: ácido sílico, ácidos orgânicos (gálico, málico, oxálico), resinas, sais de potássio, tiaminases, saponinas e alcalóides, flavonóides (isoquercitina, equisentrina, canferol, luteolina, canferol, fitosterol), vitamina C,  triglicerídeos (ácido oléico, esteórico, linolénico linolênico), alcalóides, substâncias amargas, taninos, compostos inorgânicos (cálcio, magnésio, sódio, flúor, manganês, silícea, enxofre, cloro e potássio).  

Propriedades: diurética, remineralizante, hemostática, sebostática, antiinflamatória, antiacne, vulnerária, cicatrizante, adstringente geniturinário, abrasiva, tonificante e revitalizante.

Superdosagem: evitar doses superiores a 5g de pó ao dia.   

Efeitos colaterais: não apresenta quando utilizado nas doses recomendadas. 

Contra indicações: disfunção cardíaca ou renal.  

Precauções: não ultrapassar a dose indicada.  

Interações: associada à Hortência branca (Hydrangea arborescens), em casos de distúrbios da próstata. 

Indicações: problemas renais, obesidade, afecções dos brônquios e pulmões, aterosclerose,, hipertensão, afecções articulares, hemorragias nasais, renais, menstruação excessiva, enfermidades renais e das vias urinárias, inflamação e edema da próstata, problemas ósseos.  Externamente: frieiras, feridas, aftas, úlceras varicosas, tonifica e revitaliza as unhas, peles secas e senis. 

 

CENTELLA (Centella asiática L.)

Parte utilizada: partes aéreas (folhas e hastes)    

Princípios ativos: alcalóides, saponinas, óleos essenciais, flavonóides, quercetina, cânfora, cineol, triterpenos (ácido asiático, ácido madecássico, asiaticosídeo), açúcares, sais minerais, aminoácidos, ácidos graxos, resinas.

Propriedades: eutrófico do tecido conjuntivo, normalizador da circulação venosa e de retorno, tônico, vulnerário, vasodilatador periférico, calmante, anti-irritante, refrescante, anticelulítico, preventivo de rugas. 

Superdosagem: em altas doses (acima de 50 mg por Kg de peso), produzem efeitos depressores do Sistema Nervoso Central podendo ocasionar vertigem em pessoas mais sensíveis.  

Efeitos colaterais: em regiões tropicais pode causar fotossensibilização cutânea; controlar o uso interno devido ao grau de toxicidade.

Contra indicações: nas dosagens recomendadas não foi verificada

Precauções: evitar o uso de produtos contendo Centella em crianças; em casos de hipersensibilidade descontinuar o uso.

Atenção ao tratamento: o prazo mínimo para renovação do tecido conjuntivo é de 3 meses; conforme a extensão da celulite, recomenda-se repetir o tratamento por mais três meses após o descanso  terapêutico de 30 dias.   

Interações: pode ser associado ao Fucus e a Phytolacca no processo de emagrecimento.

Indicações: desordens dermatológica como eczemas, úlceras varicosas, hematomas, rachaduras da pele, varizes e celulites.  Externamente: no tratamento da celulite e da gordura localizada.

 

CHAPÉU-DE-COURO (Echinodorus macrophyllus (Kunth.) Mich.)

Parte utilizada: folhas    

Princípios ativos: taninos, flavonóides, triterpenos, sais minerais, iodo, heterosídeos cardiotônicos, resinas e alcalóides. 

Propriedades: energética, diurética, depurativa, anti-reumática, laxativa, hepática, colagoga, antiinflamatória e adstringente, antiofídica.

Precauções: seguir a dosagem indicada   

Indicações: reumatismos, afecções cutâneas, doenças renais e das vias urinárias, problemas do fígado, no tratamento das erupções da pele (uso interno).

 

COENTRO (Coriandrum sativum L.)

Parte utilizada: folhas, frutos maduros.  

Princípios ativos: óleo essencial contendo coriandrol, pineno, borneol, geraniol, cimeno, d-linalol, limoneno, terpinol; ácidos acético e oxálico, taninos, flavonóides e triterpenos.

Propriedades: carminativo, estimulante, estomáquico, depurativo, vermífugo, usada na culinária como condimento, usado na produção de fármacos para corrigis o odor desagradável de certos medicamentos.

Superdosagem: em excesso pode causar lesões renais.

Precauções: não exceder a dosagem recomendada.

Interações: combinada com a couve, o repolho e os espinafres; também é compatível com os regimes dietéticos.

Indicações: tônico estomacal, resolve os espasmos, flatulência, diarréia, combate inflamações intestinais, exerce ação desinfetante sobre os intestinos, promove a limpeza de metais pesados no organismo, utilizado na desintoxicação de álcool e drogas.

 

CONFREI (Symphytum officinalis)

Parte utilizada: folhas, rizomas e raízes  

Princípios ativos: alantoína, alcalóides pirrolizidínicos (sinfitina, equimidina), taninos, mucilagens, colina, vitaminas, minerais, ácido fólico, saponinas, açúcares, triterpenos, aminoácidos essenciais, esteróides, ácidos orgânicos, mucilagens e fitoesteróides.

Propriedades: cicatrizante, hidradante, hemostático, anti-inflamatório.

Superdosagem: a planta tem efeito acumulativo, em doses altas e uso prolongado, por via oral, não é recomendada pois pode causar sérios danos ao fígado.

Efeitos colaterais: danos hepáticos graves.

Contra indicações: não utilizar folhas tenras, novas, com menos de 3 anos, pois possuem alta concentração de alcalóides que funcionam como defesa da planta contra insetos e predadores. 

Precauções: o uso interno pode provocar irritação gástrica e problemas hepáticos.

Toxicologia: há referências que tratam da presença de alcalóides cancerígenos no confrei, principalmente em folhas jovens e raízes.  O uso externo sobre feridas pode promover rápida cicatrização, mas o processo inflamatório pode continuar internamente.  A absorção dérmica das substâncias tóxicas parece não ser significativa.

Interações: pode ser combinado com a Althaea officinalis para aplicação externa em cremes.

Indicações: favorece o crescimento de tecidos novos em ulcerações, feridas e cortes, fraturas e afecções ósseas; atua como indutor da produção calcárea; proliferativo celular e cicatrizante de feridas, ulcerações de difícil cicatrização e psoríase. No rejuvenescimento e na revitalização da pele.  Como cicatrizante em queimaduras, flebite, hematomas, contusões, luxações, torções, fissuras e picadas de insetos.

 

 

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