- Ano VI - nº 4 (55) - Maio de 2012.                                                               Direção: Osiris Costeira

FITOTERAPIA - Iára Vieira. - iarasovieira@gmail.com

Farmácia Viva - 5ª Parte

 

A classificação botânica é feita por especialistas. Cada família botânica possui um ou vários pesquisadores responsáveis em agrupar as espécies de cada família.

Quando a planta é classificada, é atribuído um nome constituído de duas palavras latinas, designando o gênero e a espécie, acompanhados do nome do autor. O autor é a primeira pessoa (pesquisador) que classificou a planta no sistema botânico. 

O nome científico ou latim é composto de duas partes que estão relacionadas às características da planta que são importantes para o cientista.  Sempre são escritas em itálico.

Exemplo: Matricaria chamomilla L.

Quando estudamos as plantas medicinais, é importante pesquisar

* Nome Botânico

* Família

* Parte usada                                   

* Histórico da planta                          

* Constituintes químicos                   

* Ação terapêutica                             

* Propriedades farmacológicas          

* Indicações

* Contra-indicações

* Efeitos colaterais

* Interações

* Dosagem

* Superdosagem

 

Prosseguindo na descrição de nossa FARMÁCIA VIVA, observemos as características principais de mais algumas plantas:

 FUNCHO (Foeniculum vulgare)

Parte utilizada: raiz, folhas e frutos    

Princípios ativos: frutos: óleo essencial (anetol), funchona, foeniculina e metilchavicol, mucilagens, pectinas, ácidos orgânicos (málico, cítrico, cumário, cinâmico, caféico, ferrúlico, quínico).

 Propriedades: carminativo, galactagogo, digestivo, diurético, tônico geral, antiespasmódico, expectorante, emenagogo, estomáquico, estimulante, purificante, antiinflamatório, rubefasciente, aromático.

Superdosagem: em doses elevadas, o óleo essencial pode perturbar o Sistema Nervoso Central, causando alucinações e convulsões.

Toxicologia: o uso de mais de 20 g/litro pode ser convulsivante.  

Efeitos colaterais: em doses normais não apresenta, e em altas doses estimula o fluxo menstrual. 

Contra indicações: portadores de deficiências renais crônicas devido a presença de sais de potássio.

Precauções: evitar doses excessivas; o óleo essencial pode provocar irritações

Interações: o anetol, constituinte do óleo essencial, potencializa o sono induzido pelo pentobarbital.  Nas cólicas e flatulências pode ser associado com chamamelum, ascories e alpinia; nas infecções de garganta, para gargarejos, pode ser associado à alecrim, salvia e hamamélis. 

Indicações: dismenorréia, dores musculares e reumáticas, anorexia, bronquite e tosse, distúrbios urinários, problemas oculares como conjuntivite, inflamações; distúrbios digestivos como  dispepsias, flatulências, cólicas, diarréias, azia, vômitos; estimulante da secreção láctea, recomendado na lactação. 

 

GUACO (Micania glometata S.)

Parte utilizada: folhas  

Princípios ativos: compostos sesquiterpênicos, diterpênicos, estigmasterol, flavonóides, cumarinas, resina, tanino, saponina e guacosídeo, substância amarga (guacina).    

Propriedades: broncodilatadora, expectorante, antiasmática, febrífuga, sudorífera, anti-reumática, cicatrizante, béquica, tônica peitoral, depurativa, emoliente, antisséptico das vis respiratórias. 

Superdosagem: em altas doses pode causar vômitos e diarréias; seu uso prolongado pode causar acidentes hemorrágicos pelo antagonismo com a vitamina K.  

Efeitos colaterais: acidentes hemorrágicos e taquicardia.

Contra indicações: evitar o uso prolongado; utilizar por no máximo 100 dias ininterruptos.

Precauções: seguir a dosagem indicada e observar a duração do tratamento  

Interações: como cicatrizante pode ser utilizado com confrei e a romã. 

Indicações: afecção do aparelho respiratório: tosses rebeldes, bronquite, asma, rouquidão; gota, reumatismo, estados febris, inflamação da garganta, ferimentos, pruridos e eczema

 

HERA-TERRESTRE (Glechoma hederaceum)

Parte utilizada: folhas, ramos novos, parte florida, parte aérea.

Princípios ativos: princípios amargos (glecomina), ácidos fenólicos (caféico, clorogênico), colina, marrubina (lactona diterpênica), óleos essenciais, tanino, saponinas e sais de potássio. 

 Propriedades: tônico, béquico, desobstruente do fígado, estomáquico, vulnerário, vermífugo, antiespasmódico, adstringente, anticatarral, antisséptica, antitussígena, depurativa, diurética, emoliente, aperiente, estimulante geral, peitoral, vermífuga, vulnerária, atividade anti-tumoral

Superdosagem: em altas doses pode provocar irritação gástrica.

Toxicidade: os sintomas incluem aceleração da pulsação, dificuldade em respirar, hemorragia conjuntival, temperatura elevada, tontura, aumento do baço, dilatação do ceco, e gastroenterite revelada post mortem; citotoxicidade tem sido demonstrado pelos ácidos olenólico e ursólico

Efeitos colaterais: a pulegona é um princípio irritante, hepatotóxico e abortivo.

Contra indicações: nos casos de epilepsia; é irritante para o trato gastrintestinal e rins.

Precauções: Doses elevadas podem ser irritantes para a mucosa gastrintestinal e deve ser evitada para indivíduos que possuam algum distúrbio renal. Também deve ser evitado o uso durante a gravidez e a lactação. 

Interações: não associar ao Poejo, acentua a ação da pulegona que é um princípio irritante, hepatotóxico e abortivo constituinte do Poejo.

Indicações: afecções das vias respiratórias, afecções do aparelho genital feminino, asma, doenças do baço, bexiga e fígado, bronquites, cálculo, catarros gastrointestinais,, dores de dentes, ouvidos, espasmos, feridas, flatulência, garganta, gases, gripe, indigestão, melhora das trocas metabólicas, perturbações dos órgãos excretores, rins, resfriado, tosse, úlcera, vermes e vias respiratórias.

 

HORTELÃ (Mentha x villosa)

Parte utilizada: parte aérea    

Princípios ativos: óleo essencial (mentol, mentona, mentofurona, pineno, limoneno, cânfora), tanino, ácidos orgânicos, flavonóides e heterosídeos lutonina e apigenina.  

Propriedades: digestiva, estimulante e tônica em geral, carminativa, antiespasmódica, estomáquica, expectorante, antisséptica, colerética, colagoga e vermífuga (giárdia, ameba e lombriga).

Superdosagem: a inalação do óleo essencial não deve ser feita durante longos períodos, pois pode ocorrer irritação das mucosas

Efeitos colaterais: pode causar insônia se tomado na hora de dormir, ou em uso prolongado.

Contra indicações: a utilização da essência por via inalatória pode promover depressão cardíaca, laringoespasmos e broncoespasmos, especialmente em crianças; devido a isso é desaconselhável o uso de unguentos mentolados ou preparados tópicos nasais a base de mentol.

Precauções: em indivíduos sensíveis ao mentol podem aparecer insônia e irritabilidade nervosa.

Interações: pode associar com alho para uso como vermífugo.

Indicações: facilitar a digestão, gases, vermes (giárdia, ameba e lombriga), estimula o fluxo biliar e a produção da bílis pelo fígado. 

 

HORTELÃ-PIMENTA (Mentha piperita L.)

Parte utilizada: folha e sumidades floridas

Princípios ativos: piperitone, mentona, mento-furano, metilacelato, pulegona, cineol, limoneno, jasmone, princípio amargo, vitaminas C e D, nicotinamida, terpenos, cetonas, taninos, sesquiterpenos (cariofileno, bisabolol), flavonóides (mentoside, isoroifolina, luteolina), óleo essencial (mentol), ácidos (cumarínico, ferúlico, cafeico, clorogênico, rosmarínico), carotenóides, colina, bataína e minerais.

Propriedades: carminativa, eupéptica, estimulante, colagoga, estomáquica, anti-séptica, anti hemética, antiespasmódica, analgésica.

Superdosagem: evitar doses superiores a 0,30 g/dia.   

Efeitos colaterais: o mentol em crianças pequenas e lactentes pode levar à dispnéia e asfixia; a essência irrita a mucosa ocular (conjuntiva); em pessoas sensíveis pode provocar insônia. 

Contra indicações: o uso da essência para lactentes, para pessoas portadoras de cálculos biliares só devem fazer uso da planta sob orientação terapêutica, não utilizar a essência durante a gestação e amamentação.

Precauções: não usar a essência em crianças de pouca idade e mulheres que estão amamentando.   

Interações: com a camomila para aumentar a atividade antiespasmódica e lenitiva (indicada para crianças e lactentes); pode ser associado ainda com sabugueiro e milefólio.

Indicações: fadiga geral, atonia digestiva, gastralgias, cólicas, flatulências, vômitos durante a gravidez, intoxicação de origem gastrintestinal, afecções hepáticas, palpitações, enxaqueca, tremores, asma, bronquite crônica, favorece a expectoração, sinusite, bochechos para dores dentárias, nevralgias faciais provocadas pelo frio.

 

LEVANTE (Mentha viridis sp.)

Parte utilizada: folha e sumidade florida   

Princípios ativos: óleo essencial (mentol, pilegona e fenóis)

Propriedades: calmante, vermífugo, antiespasmódico e anti-helmítico.

Contra indicações: não deve ser usada em pessoas que tenham cálculos biliares, durante a gravidez, lactação e em crianças pequenas. 

Indicações: anti-helmíntico, antiespasmódico e calmante, tosse, gripe, resfriado e gases.

 

LOSNA (Artemísia absinthium)

Parte utilizada: folhas e sumidades floridas  

Princípios ativos: óleo essencial contendo absintina (amargo), artabsina (amargo), tujona, isotujona e camazuleno).

Propriedades: anti-helmíntico, convulsivante, tônica, aperiente, vermífuga (lombrigas), antipirética, emenagoga, colagoga, estomáquica, afrodisíaca.

Superdosagem: em altas doses é psicoestimulante, provocando perturbações psíquica e alucinações; seu óleo essencial puro é epileptizante, atuando sobre o sistema neuromuscular provocando convulsões tetânicas.

Toxicologia: em estágio de intoxicação ocorre defecação involuntária, desmaios, coma e pode ocorrer morte; os principais constituintes tóxicos são o tuiol e a tuiona.

Efeitos colaterais: em doses altas, pode causar convulsões, perda de consciência, câimbras, alucinações e aborto.

Contra indicações: gestantes, lactentes, pessoas sensíveis que apresentem irritação gástrica e intestinal.  Totalmente contra indicado para gestantes, pois não é bem tolerado, podendo ser abortivo e tornar amargo o leite das mulheres que amamentam. 

Precauções: usar a dose recomendada pelo tempo de tratamento especificado pelo terapeuta; evitar altas doses devido os efeitos tóxicos já mencionados; o uso prolongado leva a um processo de degeneração nervosa irreversível (absintismo), que se manifesta por grande perturbação psíquica, motora e sensorial; o tratamento não deve exceder a 3 semanas.

Interações: incompatível com sais de ferro, zinco e chumbo, devido aos taninos que a constituem; não se deve adoçar o chá, pois o princípio amargo e o açúcar são incompatíveis. 

Indicações: auxilia no tratamento de diabetes, distúrbios digestivos causados pelo mau funcionamento do fígado, gases intestinais, cólicas, diarréias, enfermidades nervosas, parasitas intestinais, hidropsia, contusões, dispepsia, gastralgia, transtornos biliares, perturbações gástricas em geral, falta de apetite, dismenorréia.

 

MALVA (Pelergonium graveolens)

Parte utilizada: parte aérea

Princípios ativos: mucilagens (penoses, hexoses, ácido galacturônico); ácidos fenólicos (clorogênico, cafeico, cumarínico); antocianinas (malvina, malvidina); flavonóides, taninos, vitamina A, B1, B2, C, oxalato de cálcio, resinas, aminoácidos (lisina e leucina).

Propriedades: antiinflamatória, emoliente, demulcente, adstringente, béquica, laxativa, vulnerária, cicatrizante, lenitiva.

Precauções: recomenda-se fazer a extração das mucilagens a frio.

Interações: associada a camomila e tansagem para compressas na pele.

Indicações: tosse, calmante, inflamação da garganta e do ouvido, inflamações ovarianas, colo do útero, vaginites, cistite e nefrite.

 

MANJERICÃO (Ocimum sp. 3)

Parte utilizada: folhas  

Princípios ativos: timol, estragol, metil-chavicol, linalol, cânfora e taninos.

Propriedades: estimulante digestiva, antiespasmódica gástrica, galactagoga, béquica, anti-reumática, antisséptica, carminativa, tônica.

Indicações:  Ver Tópicos de Alfavaca.

 

 

 

 

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