- Ano VII - nº  6 (64) - Outubro/Novembro  de 2013.                                                               Direção: Osiris Costeira

FITOTERAPIA - Iára Vieira. - iarasovieira@gmail.com

Pesquisa sobre a Pueraria merifica - 1ª Parte

 

Espero que, com este artigo, responda à totalidade das dúvidas que são enviadas sobre a utilização da planta tailandesa Pueraria mirifica para aumento de seios.  Juntei todas as dúvidas das leitoras  (e não são poucos os e-mails que recebo com as mesmas perguntas) para produzir este artigo. Procurei fazer uma pesquisa bem abrangente com o objetivo de se tornar referência para quaisquer dúvidas futuras.

Vamos recordar um pouco de fisiologia em relação a complexidade da atuação dos hormônios no organismo da mulher.  O crescimento de seios e quadris, a saúde da pele, cabelo e unhas, o ciclo mensal da menstruação, desde a primeira até a menopausa,  tudo isso envolve hormônios produzidos por diversas glândulas, cada qual com sua função.

“Estrona, estradiol e estriol são os três mais importantes estrógenos produzidos no corpo humano.   A estrona e o estradiol são produzidos pelos ovários em quantidades de  100 a 200 microgramas por dia, o estriol é apenas um escasso subproduto do metabolismo da estrona.

Durante a gravidez, a placenta é a principal fonte de estrógenos, e o estriol é produzido em miligramas, ao passo que a estrona e o estradiol são produzidos em microgramas, sendo o estradiol excretado em menor quantidade.  O estriol produzido pela placenta é feito a partir de um hormônio chamado DHEA - (desidroepiandrosterona), suprido pela mãe ou pelo córtex adrenal do feto.

Por causa da participação do feto na formação do estriol, a medição desse hormônio pode ser um sensível indicador do bem-estar da placenta e/ou do feto. A placenta torna-se também a principal fonte de progesterona, produzindo entre 300 e 400 miligramas por dia, durante o  terceiro trimestre. O estriol e a progesterona são, portanto, os principais esteróides sexuais presentes durante a gravidez.

Os estrógenos, de uma maneira geral, tendem a promover a divisão celular, particularmente em tecidos sensíveis aos hormônios, como os da mama e os do revestimento uterino. O estradiol é o que mais estimula o seio, e o estriol é o que menos estimula.   O estradiol é 1.000 vezes mais potente em seus efeitos sobre os tecidos da mama do que o estriol.

Estudos mostraram uma exposição muito longa ao estradiol (e também à estrona, em menor proporção) aumenta o risco do câncer de mama, ao passo que o estriol é protetor.

O hormônio sintético, comumente utilizado em anticoncepcionais e na suplementação de estrogênio, apresenta um risco ainda maior de câncer da mama, por ser eficientemente absorvido via oral e por ser metabolizado e excretado lentamente.

Quanto mais tempo um estrógeno sintético permanecer no corpo, mais oportunidade ele tem de causar danos. Como esse fator da lentidão no metabolismo e na excreção é válido para todos os estrógenos sintéticos, seria lógico pensar-se que, em todos os casos de suplementação com estrógenos, os hormônios naturais são superiores.

O estriol é benéfico para a vagina, o cérvix e a vulva. Nos casos de atrofia ou secura vaginal na menopausa, que predispõe a ocorrência de vaginite e cistite, o estriol seria o estrógeno mais eficaz (e mais seguro) na suplementação.  

O estrogênio é responsável pelas alterações que ocorrem nas meninas na puberdade, como o crescimento e desenvolvimento da vagina, do útero e das trompas de Falópio. Ele causa o aumento no tamanho dos seios, através do crescimento dos ductos, de tecido estromal e da gordura.

O estrogênio contribui para a modelagem (conteúdo gorduroso) dos contornos do corpo feminino e para a maturação do esqueleto. Ele também é responsável pelo crescimento dos pelos das axilas e pubianos, bem como pela pigmentação das aréolas e mamilos dos seios.

Assim, os efeitos do estrogênio abrangem muito mais que sua ação de dar forma ao corpo feminino e que seu estímulo para o útero e seios.

Até recentemente, os médicos pensavam que a menopausa começava quando todos os óvulos do ovário se tivessem esgotados. Porém, trabalhos recentes demonstraram que a menopausa provavelmente não é desencadeada pelo ovário, mas sim pelo cérebro. Parece que tanto a puberdade quanto a menopausa são eventos acionados pelo cérebro. 

A menstruação depende de uma complexa rede de comunicação hormonal entre os ovários, o hipotálamo, e a glândula pituitária (hipófise) no cérebro.

O hipotálamo segrega um hormônio que libera gonadotrofina (GnRH), que desencadeia a produção do hormônio estimulador dos folículos (FSH) pela hipófise. O FSH então estimula o crescimento dos folículos do óvulo nos ovários, para provocar a ovulação. À medida que os folículos crescem, o estrogênio é produzido e lançado no sangue.

Esta reação em cadeia não é uma via de mão única. O estradiol, um dos estrógenos ovarianos na corrente sanguínea, também age sobre o hipotálamo, causando uma alteração no GnRH. A seguir, esse hormônio modificado estimula a hipófise a produzir o hormônio luteinizante (LH), o qual provoca a eclosão dos folículos e a liberação do óvulo.

Após o óvulo ser expelido, também a progesterona é produzida pelos folículos, os quais se transformam em corpo lúteo.  O corpo lúteo libera estrógeno e progesterona, dois hormônios necessários para a manutenção da gravidez; se esta acontece, o corpo lúteo funciona por cinco ou seis meses; o corpo lúteo aparece após a ovulação, permanecendo nos ovários durante 14 dias até degenerar.  Quando o óvulo não é fertilizado, o corpo lúteo começa a involuir e degenerar cerca de 10 a 12 dias após a ovulação. Ele é chamado corpo lúteo da menstruação.

Quando ocorre a gravidez, o corpo lúteo passa a ser chamado corpo lúteo da gravidez e ele fica responsável por produzir ainda mais hormônios, para a manutenção da gravidez até a formação da placenta, quando ela assume as funções do corpo lúteo.

 

Exceto durante a gravidez, normalmente os ciclos ovarianos persistem durante toda a vida reprodutiva dsa mulheres e cessam na menopausa. 

Todos os hormônios liberados durante o ciclo menstrual são segregados não de forma constante, contínua, mas sim em quantidades dramaticamente diferentes durante as diferentes partes do ciclo de 28 dias.

Nos primeiros oito a onze dias do ciclo menstrual, o ovário da mulher produz muito estrogênio. O estrogênio prepara os folículos para a liberação de um dos óvulos. O estrogênio é responsável pela proliferação de mudanças que ocorrem durante a puberdade: o crescimento dos seios, o desenvolvimento do sistema reprodutivo e a forma feminina do corpo da mulher.  

A taxa de secreção de estrogênio começa a diminuir ao redor do 13º dia, um dia antes de ocorrer a ovulação. À medida que o estrogênio diminui, a progesterona começa a aumentar, estimulando um crescimento muito rápido do folículo. Com o início da secreção da progesterona, ocorre também a ovulação.

A progesterona é segregada pelo corpo lúteo, este minúsculo órgão com uma enorme capacidade para produzir hormônio. A onda de progesterona no período da ovulação é a fonte da libido – e não o estrogênio, como normalmente se pensa.

Após 10 ou 12 dias, se não ocorrer fertilização, a produção ovariana de progesterona cai drasticamente. É este declínio súbito nos níveis de progesterona que desencadeia a secreção endométrica (menstruação), o que leva a uma renovação de todo o ciclo menstrual.

  
A progesterona e o estrogênio originados nos ovários estimulam o crescimento do endométrio (tecido que reveste o útero), como preparação para a fertilização.

O estrogênio age no crescimento do tecido endométrico, enquanto a progesterona facilita a secreção nesse tecido que reveste o útero, a fim de que o óvulo fertilizado (ovo) possa ser implantado com sucesso. A progesterona em quantidade adequada é, portanto o hormônio mais essencial para sobrevivência do óvulo fertilizado e do feto.

Ao redor dos 40 anos de idade, a interação entre os hormônios se altera, o que leva, com o passar do tempo, à menopausa. Como é que isso ocorre ainda não está bem claro. A menopausa pode ter início por alterações no hipotálamo e na hipófise, e não nos ovários.

Seja qual for o mecanismo que desencadeia a menopausa, à medida que menos folículos são estimulados, diminui a quantidade de progesterona e de estrogênio produzidos pelos ovários, embora outros hormônios continuem a ser produzidos. De forma alguma os ovários murcham e param de funcionar, como popularmente se acredita. Com a redução desses hormônios, a menstruação torna-se escassa, irregular e acaba um dia cessando por completo. 

No entanto, outras partes do corpo – como glândulas supra-renais, pele, músculos, cérebro, glândula pineal, folículos do cabelo e a gordura do corpo têm condições de produzir esses mesmos hormônios, possibilitando ao corpo feminino fazer ajustes no equilíbrio hormonal após a menopausa, desde que a mulher tenha cuidado bem de si mesma nos anos do período pré-menopausa, com um estilo de vida e dieta adequados, além da devida atenção para com a saúde mental e emocional."

Um pouco complicado, não?  Pois é, este é o movimento mensal do organismo feminino, da puberdade até a menopausa.  Assim, fica muito difícil pensar na Pueraria apenas como uma medicação só para aumentar seios ser ter nenhuma outra implicação orgânica como menstruação  que também pode ser alterada pelo seu uso.

 

Consultas Bibliográficas:

Teske, M; Trentini, AM - Herbarium Compêndio de Fitoterapia. Herbarium. Curitiba. 1994; Alonso, JR - Tratado de Fitomedicina. 1ª edição. Isis Ediciones. Buenos Aires. 1998 (obra que cita as referências mostradas nos itens Indicações e Ações Farmacológicas/ Toxicidade e Contra-indicações); Herborista Produtos Naturais Ltda. – Guia Terapêutico.

 

 

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