- Ano I - nº 6 - Maio de 2007.                                                                              Direção: Osiris Costeira

AYURVEDA - Wagner S.M. Baptista.

Arte da cura.

O Ayurveda é a ciência da vida. Seu nome vem de duas raízes sânscritas: “Ayur” ou “Ayus”, que significa vida, e “Veda”, que significa sabedoria, conhecimento ou ciência. Teve sua origem nos ensinamentos filosóficos védicos, texto ou tratados hindus originários da cultura da civilização dravidiana ou dravídica, há aproximadamente cinco mil anos.

O Ayurveda contribuiu na cultura das “Artes de Cura” ou artes médicas chinesas, tibetanas, árabes, e gregas. Considerada a “Mãe da Medicina”, difundiu-se em várias formas. O Ayurveda é um sistema de saúde que tem como pilar a individualização do tratamento através do diagnóstico do “desequilíbrio energético” do paciente. Nesta abordagem, o Ayurveda não trata a doença e sim o desequilíbrio energético ou psicofísico, que é a raiz das patologias. É a ciência da vida, o sistema holístico de medicina praticado na Índia. A filosofia védica vê o homem como um microcosmo, um universo dentro de si mesmo, filho das forças cósmicas do ambiente externo, o macrocosmo. Sua existência individual e indivisível a partir da manifestação global.

Para estabelecer um equilíbrio vital, o Ayurveda utiliza de diversas técnicas que atuam diretamente na movimentação da energia no corpo, como yoga, meditação, massagens, fitoterapia, dietas específicas e desintoxicações.

Segundo a milenar sabedoria hindu, tudo o que existe no universo, incluindo o próprio homem, é formado pela “movimentação energética” dos cinco elementos da natureza: éter ou espaço, ar, fogo, terra e água. A combinação e movimentação desses elementos são responsáveis pela constituição física, comportamental e mental de cada indivíduo, que são os doshas ou “marca ou tipo biológico” de cada indivíduo. Todos os seres humanos são constituídos da energia dos três doshas: vata, pitta e kapha. Se há alguma deficiência ou excesso de energia em alguma de suas características a desarmonia interna é a principal causa de ocorrerem algumas “doenças”. Para resgatar o equilíbrio das energias ou doshas, são receitados vários tipos de tratamentos, podendo compreender yoga, massagens, entre outros.

O termo yoga possui um significado muito amplo, passível de várias interpretações. De forma abrangente, é possível traduzi-lo como “união”, ou seja, a integração do homem com a sua realidade e seu equilíbrio energético. A própria prática do yoga transcende o significado das palavras. Não é um exercício físico, nem religião e muito menos técnica de relaxamento. É, sim, de maneira abrangente, uma “filosofia de vida”, uma forma de equilíbrio baseada nos Vedas, textos sagrados hindus, que se utiliza de várias técnicas para o alcance do equilíbrio das energias interiores. E isso, em um estado físico e mental em que o próprio equilíbrio é consciência pura.

No Ocidente, o nível da atividade mental e o pensamento, que é chamado inconsciente, é maior. Já na visão védica de onde saiu o yoga, o estado que está além das palavras e idéias pode ser chamado de consciência verdadeira, o momento em que finalmente podemos entrar em contato com as raízes do nosso ser e descobrir nosso valor diante das coisas e da vida.

Pode-se citar que a Raja Yoga ou Yoga Mental é formada por oito passos que devem ser realizados: Yama, que é a harmonia do homem com a sociedade, Niyama, que é a harmonização interna do homem, Asana, que é o “exercício físico” ou a postura que visa o fortalecimento do corpo, físico/ mental do ser, Pranayama, onde são utilizados os “exercícios respiratórios” ou concentração na respiração (domínio restrito) com a finalidade de trabalhar a “energia prânica” ou a energia vital para a vitalidade de todo o conjunto do ser, Pratyahara, que é o interiorizar dos sentidos, Dharana, que é a concentração, Dhyana, é a meditação ou a harmonização do mental com a respiração, e Samadhi, o estágio final de equilíbrio total com as energias internas e externas para a obtenção do equilíbrio físico, mental e espiritual.

A massagem ayurvédica representa uma das terapias mais difundidas pelo Ayurveda. O principal objetivo do terapeuta, ao realizar as manipulações ou manobras ao longo de todo o corpo, é a liberação de toxinas presentes nos músculos, tecidos e até mesmo nos órgãos que estejam bloqueando a circulação de energia vital, prana ou prânica.

A massagem inicia-se com manobras na coluna, considerada o “centro da vida”, ou por onde sobem as energias, pelos canais ou nadhis. Em seguida, são realizadas várias manobras por todo o corpo com o intuito de reequilibrá-lo com sua energia, harmonizando o físico, o mental e o espiritual.

Existem diversas técnicas de massagens no sistema ayurvédico de cura, aplicadas com a necessidade de cada paciente.

Pranayama é o equilíbrio através da respiração. Prana, em sânscrito, significa “energia vital”, e Yama é “ação”, “atividade” ou “movimento”. Pranayama é uma das técnicas védicas para equilibrar a energia vital que harmoniza os doshas e regula a distribuição de energia cósmica pelo organismo. Polariza-se num aspecto negativo ou positivo (semelhante ao yin e ao yang da medicina chinesa). O Prana entra pelas narinas e, polarizado, percorre inicialmente os canais (ou nadhis) principais de energia localizados ao longo da coluna vertebral. Esses canais polares, segundo o Ayurveda, recebem os nomes de ida, pingala e sushuna, sendo o último o mais importante dos três.

Ida, ou canal esquerdo, lunar, é negativo; pingala, o canal direito, solar, é positivo; ambos descem das narinas serpenteando ao longo de sushuna sobre a coluna vertebral. Os três canais ou nadhis formam uma figura assemelhada a duas serpentes enroladas numa haste, e desta originou-se o “Caduceu de Mercúrio”, símbolo da medicina. Este símbolo é, na verdade, o antigo símbolo da medicina tibetana. Seus procedimentos visam à restauração da saúde por meio do reequilíbrio das energias prânicas nos três canais principais do organismo.

Para a antiga medicina indiana ayurvédica e para a medicina tibetana, as doenças físicas e as de caráter psíquico ou mental são provocadas por alterações energéticas nos três canais. A partir deles, toda a energia vital é distribuída para todo o organismo.

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