- Ano VII - nº 4 (62) - Junho/Julho de 2013.                                             Direção: Osiris Costeira

CAMINHOS DAS TERAPIAS - Adriana Heineman - adriheineman@hotmail.com

A Osteopatia

I - Histórico e Conceitos Básicos

 

A Osteopatia, criada no século XIX, é uma atividade da área da saúde que trata do ser humano de forma global, isto é, está fundamentada no conceito de que todas as partes e sistemas do corpo humano funcionam de maneira integrada.

O profissional que pratica a Osteopatia – o osteopata – utiliza somente as mãos para realizar o diagnóstico e tratar de seus pacientes. Para tal, é necessário que tenha uma vasta experiência teórica e prática da aplicação das técnicas manuais diagnósticas e terapêuticas osteopáticas.

É indicada, de uma forma geral, no tratamento das disfunções do corpo humano, principalmente mecânicas, onde ocorre uma alteração da função de alguma estrutura.

Como exemplo, podemos citar as lesões musculares e articulares (pertencentes ao sistema musculoesquelético), as que se relacionam aos sistemas circulatório e nervoso, aos órgãos internos e ao sistema conjuntivo (dos tecidos de sustentação do corpo humano), mais especificamente do tecido ligamentar conhecido como fáscias.

Pessoas de todas as idades, do recém-nascido ao idoso, acometidas de dores lombares, torácicas, cervicais, dores de cabeça, cólicas menstruais, ciatalgias, alterações funcionais digestivas e respiratórias, lesões relacionadas ao trabalho e ao esporte, além de outras, podem se beneficiar de um tratamento manual não invasivo, que diminui sobremaneira os efeitos colaterais indesejáveis.

O osteopata tem um interesse particular em anatomia e fisiologia, conhecimentos indispensáveis e essenciais para se realizar uma avaliação extremamente rigorosa dos sistemas corporais e de suas interrelações, que podem ou não se alterar reciprocamente.

É uma forma de tratamento que se preocupa, inicialmente, em descobrir as causas dos sinais e sintomas do paciente, para somente depois tratar as suas consequências, no intuito de restabelecer a função diminuída ou perdida. Isto significa dizer que a Osteopatia é uma abordagem causal, e não sintomática.

A Osteopatia compreende que o corpo humano possui um sistema fundamental para a cura – o sistema imunológico – cuja ação permite a auto-regenerarão e o restabelecimento das funções alteradas.

Cabe ao osteopata auxiliar o sistema imune através da realização de um diagnóstico bem elaborado e fundamentado, permitindo a escolha e a execução de técnicas específicas para cada alteração.

Esta visão diferenciada da assistência à saúde nasceu no meio oeste norte americano pelas mãos do médico Andrew Taylor Still. Filho de pastor metodista e médico itinerante, Still cria uma terapêutica manual de  diagnóstico e tratamento, baseada na anatomia, que se contrapõe às terapias até então amplamente utilizadas pelos médicos ortodoxos e tradicionais, com o emprego de sangrias e calomelanos.

A busca por uma terapêutica mais confiável e eficaz, no entanto, não se traduz num esforço somente de Still. A Osteopatia surge num período em que a medicina americana pretende maior projeção e reconhecimento.

Still inicia a sua carreira como médico num aprendizado direto com o pai, fato perfeitamente aceitável neste período da história da medicina do país. Durante muitos anos ele utiliza as práticas ortodoxas, até que a morte de três de seus filhos e de sua primeira esposa, durante um surto de meningite, em 1864, o leva a repensar a eficácia do tratamento médico usual.

Segundo Andrew Still, “Deus sabe que eu acreditava que eles (os médicos) fizeram o que pensaram ser o melhor. Eles não negligenciaram jamais seus pacientes e lhes deram os medicamentos, juntando de novo, mudando, esperando atingir aquilo que poderia desfazer o inimigo; mas foi pura perda.”

A incapacidade de salvar seus entes queridos pela medicina ortodoxa o convence da ineficácia de drogas como via terapêutica. A este fato se alia a sua experiência como médico militar na Guerra de Secessão. O largo emprego de medicamentos à base de opiáceos e álcool, assim como o grande número de mortes em decorrência de ferimentos mal tratados, acirram a sua descrença.  

O quadro ainda fica pior quando se constata que, após a guerra, aumenta em muito o número de viciados entre os jovens ex-combatentes.

Still culpa o sistema de ensino americano pelo grave problema social que se instaura.

Ancorado na sua crença religiosa de que Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança, Still busca durante anos uma nova visão médica do organismo e, consequentemente, da cura.

Segundo ele, em 22 de junho de 1874, tem um insight e encontra as respostas para os seus anseios.

Através de longos anos de dissecção, ele contemplou a possibilidade de que todas as estruturas musculares, nervosas, ósseas, articulares, conjuntivas e vasculares contivessem em si a resposta para auto-regularão do organismo.

Cria uma visão mecanicista do ser humano, segundo a qual a estrutura do corpo governaria a função. O retorno à saúde, portanto, seria uma decorrência da remoção das restrições impostas por entraves anatômicos que bloqueariam a plena mobilidade do organismo.

A saúde podia ser vista como a liberdade do movimento corporal.

Mas Still não via o homem somente como uma máquina, defendia que o ser humano seria uma unidade tripla, composta de um corpo material, um ser espiritual e a mente. Tanto a totalidade deste ser como sua individualidade, deveriam ser levados em conta ao tratarmos alguém.

Still funda sua primeira escola em 1892, em Kirksville, Missouri, e consegue que a Osteopatia seja aceita como profissão em 1897.

Sua nova terapêutica gera um grande número de adeptos, entre eles William Garner Sutherland, que fundamenta a Osteopatia numa visão dirigida ao aparato craniano. Segundo ele, seu estudo seria parte de um conhecimento maior, a Osteopatia.

Começa seus estudos nessa área ainda como aluno, em 1899, mas só apresenta formalmente sua interpretação de tratamento craniano em 1940, num encontro da Sociedade Internacional dos Técnicos Sacroilíacos.

Outra figura, entre muitas que se destacam, é John Martin Littlejohn. Médico escocês, que, devido a um tratamento bem-sucedido de problemas cervicais e da garganta com Andrew Taylor Still em 1897, torna-se adepto da Osteopatia.

Estuda e leciona em Kirksville durante algum tempo. Contudo, devido a diversos desentendimentos, rompe com Still. Anos mais tarde retorna à Europa e, em 1917, cria a British School of Osteopathy (BSO), primeira escola de Osteopatia européia, celeiro de onde se difunde o ensino da Osteopatia pelo continente.

A chegada dos ensinamentos da Osteopatia ao Brasil acontece pelas mãos de Bernard Quef, osteopata francês que, em 1986, administra os cursos que darão início à formação dos primeiros osteopatas brasileiros.

 

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