- Ano VIII - nº 5 (69) - Setembro /Outubro / Novembro de 2014.                           Direção: Osiris Costeira

CAMINHOS DAS TERAPIAS - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

APITERAPIA

 

Método terapêutico de tratamento e prevenção da saúde, praticado há mais de dois mil anos pelos chineses, egípcios e gregos, utilizando-se dos produtos da colméia.

As pesquisas científicas têm demonstrado os efeitos benéficos desses produtos sobre o organismo humano, de tal forma que, juntamente com as plantas medicinais, desempenham um papel cada vez mais destacado em todo mundo nas prescrições da medicina naturalista, e na elaboração de produtos farmacêuticos e cosmiátricos (cosméticos com ação terapêutica).

A Apiterapia apresenta uma série de produtos – denominados apiterápicos – derivados da produção das abelhas, e capazes de atuar terapeuticamente em diversas patologias, como doenças da pele, reumatológicas, virais, infecciosas, pulmonares, ortopédicas, endócrinas e emocionais.

Ao que tudo indica, essas pesquisas se iniciaram quando um médico austríaco, Dr. Philip Terc (1844/1915), portador de um quadro de Reumatismo intenso, foi atacado em seu jardim, em 1868, por inúmeras abelhas que lhe picaram intensamente.

Depois desse episódio as suas dores começaram a desaparecer, o que o levou a pesquisar as razões de sua inesperada cura, além do uso da picada de abelha em outros pacientes reumáticos.

Alguns anos depois apresentou na Universidade Imperial de Viena as conclusões de eficácia terapêutica de seus estudos em centenas de pacientes, o que o obrigou a enfrentar o dogmatismo acadêmico de uma Viena do século XIX.

Em 1920 os seus trabalhos chegaram ao Japão, visto que, nessa época, os japoneses começavam a combinar a Acupuntura com o uso da Apitoxina, conseguindo resultados curativos surpreendentes.

Por essas razões, o Dr. Philip Terc é considerado o “Pai da Apiterapia Moderna”.

Os principais produtos da Apiterapia são Apitoxina, Cera, Geléia Real, Mel, Pólen e Própolis

Apitoxina  é o veneno da abelha produzido por uma glândula de secreção ácida e outra de secreção alcalina que existem dentro do abdome da abelha operária.

Apesar de venenoso, em doses terapêuticas pode ter uma ação benéfica. A sua constituição química estabelecida até o momento descreve mais de 40 frações e inúmeras propriedades biológicas.

A melitina, a maior fração da apitoxina, demonstrou ter uma ação bloqueadora da produção de superóxidos em neutrófilos humanos, que é o principal mecanismo envolvido na destruição celular decorrente de um processo inflamatório.

A apamina, outra fração da apitoxina, através dos bloqueios dos canais de potássio, age sobre as glândulas supra-renais ativando a produção de cortisol que é um potente anti-inflamatório fisiológico.

Verificou-se que a maioria dos apicultores, que normalmente recebem algumas picadas de abelhas, não sofre de reumatismo. Pesquisas mostraram que tal fato se dá pela ação do veneno da abelha que atua eficazmente na prevenção e cura do reumatismo.

Além de sua eficiente ação no tratamento das doenças reumáticas e inflamatórias de um modo geral, a apitoxina atua também como anticoagulante, vaso dilatador e hipotensor, controlando, por conseguinte, a hipertensão arterial.

A utilização da apitoxina pode ser viabilizada através da picada de abelha em pontos estratégicos do corpo, inclusive de acupuntura, oferecendo, às vezes, respostas dramáticas como em casos de esclerose múltipla.

Cera é o produto de secreção de  8 glândulas situadas no abdome da abelha operária, glândulas essas que ficam ativas entre o 13º e 18º dia de vida, e necessitam consumir de 6 a 7Kg de mel para secretar 1Kg de cera.

Esta é uma substância oleosa que se solidifica em forma de lâminas delgadas, quase transparentes, que a abelha operária desprende do seu corpo com auxílio das patas posteriores para levá-la até às mandíbulas. Depois, a cera é amassada e triturada com outras secreções próprias das abelhas, antes de ser depositada no favo em construção.

Sua composição é de natureza lipídica, basicamente ácidos graxos, entre os quais o cerótico e o palmítico, além de ésteres alcoólicos. Também são encontrados traços de própolis (aproximadamente 6%), de pólen e diferentes pigmentos.

Além das suas aplicações em Cosmetologia e na indústria, o seu uso em Dermatologia é muito apreciado devido às suas qualidades cicatrizante e anti-inflamatória, além de seu emprego, em forma de pomada, para o tratamento de abscessos, queimaduras e escaras.

Geléia Real é o  produto resultante da ação combinada das glândulas faríngeas (secreção clara) e das glândulas mandibulares (secreção branco-leitosa) das abelhas nutrizes de 5 a 15 dias de idade.

Ela é um leite espesso e com sabor ácido, produzido pelas abelhas para a alimentação das larvas até o 3º dia de vida, e para a alimentação da rainha por toda a sua existência. Uma abelha normal vive em média 45 dias.

A abelha rainha, que se alimenta somente de Geléia Real, se origina de uma larva idêntica às que dão origem a uma abelha normal,  cresce bem mas do que uma abelha comum, pode viver até 5 anos, e é uma verdadeira fábrica de ovos, conseguindo por até 3.000 ovos por dia, cujo peso corresponde a 5 vezes o seu próprio.

A composição da Geléia Real é muito complexa, compreendendo hormônios esteróides, vitaminas, ácidos orgânicos essenciais e compostos protéicos ativos.

Em termos percentuais, é encontrado de 5 a 65% de lipídios, de 12 a 15% de carboidratos, vitaminas e hormônios, e de 12 a 13% de proteínas, enzimas e vitaminas do complexo B. A alta concentração de aminoácidos e vitaminas torna a Geléia Real um super alimento.

Mel é o produto mais conhecido das abelhas, elaborado a partir do néctar produzido pelas flores, e é o único alimento completo que não apodrece. O mel é um alimento energético de alta qualidade.

A sua ingestão permite uma alimentação imediata e intensiva de todo o sistema muscular, especialmente os músculos do coração através da glicose invertida.

Por outro lado, a frutose, existente em grande quantidade no mel, é armazenada no fígado na forma de glicogênio para ser utilizada quando o organismo precisar. Por isso, é uma fonte energética extremamente importante para atletas e idosos.

Uma propriedade plenamente reconhecida no mel é seu poder antisséptico, que unido  ao seu poder demulcente faz com que seja um excelente cicatrizante e protetor da pele, sendo muito empregado, topicamente, em queimaduras e feridas.

As suas propriedades antissépticas provém da presença de ácidos orgânicos, como o ácido fórmico, e principalmente da  peroxidase, formada a partir da glico-oxidase. Por ação da peroxidase, forma-se oxigênio nascente que impede o desenvolvimento de bactérias e de bacilos.

Além disso, o mel protege o fígado promovendo a regeneração de suas células e prevenindo a formação de fígado gorduroso (esteatose), e apresenta propriedades de laxante suave e de eficácia no tratamento de doenças respiratórias.

Pólen é um pó fino e colorido existente nas flores, e o elemento reprodutivo masculino das plantas que é coletado pelas abelhas para a sua alimentação. O pólen assim coletado é o alimento mais completo e valioso da Natureza.

Ao ser armazenado as abelhas o misturam com um pouco de mel e ácido 10-hidroxi-2-decenóide, secretado pelas glândulas salivares que têm a função de conservante.

O nosso organismo necessita de 22 aminoácidos essenciais para o seu perfeito funcionamento. A maioria dos alimentos contém 1 ou 2 desses aminoácidos. Só o pólen contém todos os 22. É riquíssimo o seu teor vitamínico, notadamente em rutina ou vitamina P, que é um componente efetivo no controle das doenças cardiovasculares, e em pró-vitamina A, caroteno.

Algumas variedades de pólen, como o da acácia, contém 20 vezes mais caroteno que a cenoura, considerada a principal fonte desta vitamina. O pólen é rico em hormônios vegetais e enzimas que atuam sobre a próstata prevenindo as prostatites, e exerce uma ação reguladora das funções intestinais, especialmente nas pessoas que apresentam distúrbios na sua motilidade.

Por último, é importante o efeito do pólen no tratamento de anemias, elevando rapidamente a taxa de hemoglobina no sangue.

Própolis  é uma substância resinosa, balsâmica, de consistência viscosa, de cor variando do verde pardo ao castanho escuro, ou outras tonalidades, dependendo de sua origem botânica. É produzida pelas abelhas a partir de resinas medicinais produzidas por alguns tipos de plantas.

Para as abelhas, a própolis é de fundamental importância, pois tanto serve para fazer medicina preventiva, esterilizando a colméia e impedindo a propagação de bactérias e fungos, como é usada para envernizar internamente a colméia, tendo uma ação de isolante térmico.

Sua composição é muito complexa e varia muito de acordo com a sua origem botânica, já tendo sido isolados mais de 300 componentes químicos. É um dos produtos apícolas de maior eficácia na prevenção e manutenção da saúde humana.

Os seus principais efeitos biológicos são: atividade antimicrobiana, antiparasitária, antiinflamatória, antioxidante, antitumoral, radioprotetora, vasoprotetora, imunomoduladora e broncodilatadora.

O vídeo a seguir nos dá uma ampla visão das possibilidades de emprego  da Apicultura.

 

 

 

 

 

 

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