- Ano VII - nº 5 (63) - Agosto /Setembro de 2013.                                             Direção: Osiris Costeira

CAMINHOS DAS TERAPIAS - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

Alcoólicos Anônimos - AA

 

Segundo os preceitos dos  Alcoólicos Anônimos do Brasil, abreviadamente AA, é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperar do alcoolismo.

Os grupos de Alcoólicos Anônimos surgiram nos Estados Unidos da América e se espalharam por todo o mundo. Tiveram início em 1935 em Akron, Ohio, quando um corretor da Bolsa de Valores de Nova York – Bill W - e um cirurgião de Ohio – Dr. Bob - ambos com graves problemas de alcoolismo, perceberam que trocando relatos sobre suas bebedeiras conseguiam manterem-se sóbrios.

Criaram, então, a Irmandade com o intuito de continuarem abstêmios e ajudarem outros que ainda sofriam de alcoolismo a alcançarem a sobriedade.

Sem caráter religioso, recebe pessoas de todas as religiões, ou sem nenhuma. Sobrevive financeiramente através de seus próprios membros que contribuem espontaneamente, não sendo aceito nenhuma doação em dinheiro de fora da Irmandade. E o único requisito para tornar-se membro é o desejo de parar de beber.

Filosoficamente, como apoio psicológico, todos os participantes do AA comungam, absolutamente, uma série de “verdades” que imprimem em suas vidas e, inclusive, sugerem aos futuros  companheiros e necessitados de ajuda para o alcoolismo.

Esta filosofia os participantes do AA denominam de  “OS DOZE PASSOS” que são seguidos religiosamente como fonte de apôio e compreensão das razões pelas quais se tornaram dependentes do álcool:

      1º) Admitimos que éramos impotentes perante o álcool, que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.

      2º) Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos a sanidade.

      3º) Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de um Poder Superior, na forma em que O concebíamos.

      4º)  Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.

      5º) Admitimos perante o Poder Superior, perante nós mesmos, e perante outro ser humano a natureza exata de nossas falhas.

      6º)  Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.

      7º)  Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.

      8º)  Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.

      9º)  Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem.

    10º)  Continuamos fazendo o inventário pessoal e quando estávamos errados nós o admitíamos prontamente.

    11º)  Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar esta vontade.

    12º)  Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

Os participantes dos Alcoólicos Anônimos têm uma relação emocional muito grande com a família, provavelmente pelos transtornos ocasionados com a sua dependência ao álcool.

Isso fez com que a família também “participasse” dos AA através de grupos organizados como o AL-ANON para familiares e amigos de alcoólicos. Seus membros compartilham suas experiências nas reuniões de grupo e buscam forças e esperança na tentativa de resolver seus problemas comuns. Eles acreditam que o alcoolismo é uma doença familiar e que mudanças de atitudes podem colaborar com a recuperação.

Um outro grupo constituído é o ALATEEN, divisão do Al-Anon dedicado a pessoas mais jovens que são afetadas pelo hábito de alguém beber, principalmente na família.

Em termos terapêuticos, as reuniões dos Alcoólicos Anônimos representam verdadeiras sessões de psicoterapia-de-grupo, em que a mesa diretora, formada por alcoólatras daquele grupo ao dirigir a reunião, convida um membro para ir à “cabeceira da mesa” e falar o que quiser aos companheiros.

E, esse “falar o que quiser”, são sempre rememorações de suas angústias e  os pontos em que, em função da dependência alcoólica, destruíram as suas vidas e as de seus entes queridos, principalmente a sua família.

E isso representa, em termos terapêuticos, uma imensa catarse para o reconhecimento e revivência de suas perdas, além de oferecer, para os ouvintes – seus colegas dependentes – uma “imagem em espelho” do que eles já conseguiram ou, lamentavelmente, só conseguirão um dia, caso continuem dependentes.

Não há uma documentação histórica do início dos grupos AA no Brasil. O que se pode afirmar é que o primeiro grupo era inicialmente formado por norte-americanos que estavam a serviço no Rio de Janeiro, em sendo, inclusive, o inglês o idioma utilizado nessas reuniões.

Ao que parece, o “AA Rio Nucleus” ou Grupo AA do Rio de Janeiro, o primeiro grupo do AA no Rio de Janeiro, teve início em 05 de Setembro de 1947, e historicamente, admite-se que a primeira pessoa, em função do AA, que se manteve sóbria, abstêmia do uso do álcool, foi Antônio P., falecido em meados de 1951 quando se recuperava de um acidente de trabalho.

Um dos aspectos mais interessantes, e característico mesmo, da comunidade AA do Brasil é, sem dúvida, o porte das “fichas”, verdadeiras “medalhas” de cores diversas que os participantes do grupo guardam consigo em função do tempo que se mostram sóbrios, sem a utilização de bebida alcoólica.

Representam a vitória sobre a dependência alcoólica, e o reinício de uma nova vida, e são trocadas a cada novo período de sobriedade no meio de uma festa que todo o grupo participa, num total de 12 fichas:

1° amarela, para o ingresso; 2º azul, trocada pela amarela aos 3 meses; 3º rosa, aos 6 meses; 4º vermelha, aos 9 meses; 5º verde, com 1 ano; 6º verde-gravata, que não é trocada, aos 2 anos; 7º branca-gravata, aos 5 anos; 8º amarela-gravata, aos 10 anos; 9º azul-gravata, aos 15 anos; 10º rosa-gravata, trocada aos 20 anos; 11º vermelha-gravata, aos 25 anos e, atualmente, a última; 12º verde-gravata, clara de um lado, e verde clara circulada por losangos com todas as cores das fichas anteriores, aos 30 anos.

Segundo os participantes do Carmo-Sion dos Alcoólicos Anônimos (http://www.aacarmosion.com),  "E essas fichas, nestes anos de A.A. no Brasil, estão nos bolsos de milhares de companheiros, lembrando-lhes a última reunião que estiveram presentes, os depoimentos que calaram fundo, os novos fatos na vida de cada um, o progresso, tanto material como espiritual, conquistado”.

“Representam as fichas, de certa forma, uma "tradição" do A.A. brasileiro que, ultimamente, registra com alegria sua adoção por AAs dos outros países, incluindo os companheiros dos EUA”.

Através do vídeo que oferecemos a seguir, poderemos conhecer mais e melhor o AA, o alcoolismo e, principalmente, o mais importante, o alcoólatra.

 

 

 

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