- Ano I - nº 5 - Abril de 2007.                                                                              Direção: Osiris Costeira

CONSTELAÇÕES FAMILIARES - Gal (Maria da Graça) Sant´Anna.

Exposição de Casos.

Em nosso último artigo, propusemos trazer a exposição de casos terapêuticos tratados pela abordagem sistêmica das Constelações Familiares com seus correspondentes resultados.

Considero difícil a tarefa de transmitir as impressões adquiridas por experiências fenomenológicas. Fenômeno não se relata. Experimenta-se. Com a experiência vivenciada se cria uma impressão individualizada e de caráter estritamente pessoal. Com a colocação dessa consideração, passo a compartilhar as impressões que pude experimentar durante participações que vivenciei pessoalmente, em processos terapêuticos de abordagem sistêmica, com a aplicação deste método essencialmente fenomenológico.

Quando iniciei a minha formação em terapia por Constelações Familiares, não tinha qualquer experiência com a fenomenologia vivenciada na aplicação do método, e, já nos primeiros módulos do programa para a formação, fiquei bastante impressionada positivamente.

Naquela ocasião, a colocação de uma questão trazida por uma colega, e o seu depoimento sobre a solução obtida, apresentada já no nosso segundo encontro, ocorrido apenas dois meses depois, motivaram o meu interesse e a minha dedicação ao estudo do método. Portanto, escolho o caso que primeiro me impressionou, para oferecê-lo à apreciação dos nossos leitores, que assim, pouco a pouco, poderão ir se aproximando das primeiras percepções e de alguma compreensão sobre este processo terapêutico.

Neste ponto é importante destacar que, para a aplicação deste método, considera-se predominantemente influente na desarmonia de todo e qualquer sistema energético, a não inclusão de pessoas no sistema ao qual pertençam, e, portanto, dele consideradas excluídas. Esta exclusão, ou melhor, este “não pertencimento”, é sentido dolorosamente no campo energético da pessoa considerada excluída que, pela sua vibração energética, propaga sua dor em parte do sistema ou no seu todo, desarmonizando-o até que se reconheça o seu pertencimento àquele sistema.

Este reconhecimento pode ser alcançado pela aplicação do método, e se dá de forma fenomenológica e natural, resultando na possibilidade de reorganização de todo o sistema, harmonizando-o, bem como todos os seus componentes. Muitas vezes, o motivo da exclusão se deve a algum (pré)conceito que orienta, inadequadamente e de forma consciente ou mesmo inconsciente, as atitudes de pessoas que participam atualmente desse sistema, ou a ele pertenceram em gerações anteriores.

CASO 01 – A importância da inclusão dos excluídos

A questão trazida informava sobre as dificuldades familiares enfrentadas por um casal e pelas suas duas filhas. A esposa, Maria, passava por crises psíquicas que dificultavam toda a harmonia familiar, incluindo suas relações com o marido, Pedro, e com as filhas, Joana e Luiza, provocando ainda desentendimentos das filhas entre si e destas com o pai. Algumas crises ocorridas justificavam, para a família entristecida, a hospitalização de Maria em clínicas especializadas, como a única solução possível para o tratamento da desarmonia experimentada, e que aos poucos ia se complicando cada vez mais.

Para a questão escolhida como tema, a irmã de Pedro, Esperança escolheu experimentar a aplicação do método das Constelações Familiares, quando presumiu que a desarmonia abordada pudesse ter sido originada num caso de exclusão que ela desconfiava que houvesse ocorrido em sua família, sem que, contudo, tivesse sido confirmado até então.

Naquele momento, e imediatamente antes da colocação, o terapeuta entrevistou Esperança para buscar informações que fossem úteis ao desenvolvimento do processo. Na entrevista, Esperança sugeriu o provável nascimento de uma criança, que teria sido concebida quando Pedro, ainda bem jovem, tinha sido apontado como o pai, sem ter assumido a responsabilidade sobre aquela paternidade.

Para o início da colocação foram convidadas pessoas presentes ao encontro, para representarem as personagens correspondentes a todas as pessoas mencionadas, inclusive a própria Esperança.

O terapeuta solicitou às personagens já colocadas que se isentassem de qualquer julgamento, e aceitassem atender aos movimentos naturais e espontâneos que provavelmente surgiriam impulsionando-as para qualquer direção. Solicitou ainda que, da mesma forma, expressassem os sentimentos e as emoções que lhes aflorassem. De fato. Durante todo o trabalho com aquela Constelação, as personagens colocadas foram se movimentando em direções variadas com manifestações corporais, emoções e algumas expressões verbais espontâneas.

O terapeuta observava todos os movimentos, atento a todas as presenças. Em dado momento pareceu perceber e identificar a necessidade de incluir duas novas personagens para representarem a mãe da criança, não reconhecida, e a própria criança, atitude que adotou de imediato. Sempre atento e observador, prosseguia o processo sugerindo continuadamente às personagens que se mantivessem atentas às suas sensações e sentimentos, e correspondendo aos seus impulsos espontâneos e naturais. Ao mesmo tempo, orientava que fossem buscando encontrar novas colocações que lhes pudessem transmitir maior conforto e bem estar, até que ele, o terapeuta, identificasse para as personagens uma colocação considerada a mais harmoniosa possível para os componentes daquele sistema familiar ali representado.

Chegou-se, afinal, a uma colocação que sugeria que a criança, antes excluída do sistema familiar de Esperança, Pedro, Maria, Joana e Luiza, nele se incluía. Enquanto a personagem que representava a mãe da criança permanecia harmoniosamente ligada a ela, no entanto não demonstrava qualquer necessidade de participar do sistema familiar paterno. Nesse ponto a constelação foi interrompida e considerada concluída adotando-se o que orienta Bert Hellinger sobre a aplicação do seu método:

“Uma vez estabelecida a Constelação Familiar, Hellinger recomenda que nada de diferente se faça, mas que seja permitido à Constelação continuar trabalhando a alma, até que a ação conveniente e necessária se defina.” Gunthard Weber e Hunter Beaumont. A Simetria Oculta do Amor – Ed. Cultrix, p.11, 5ª edição

Esta constelação foi colocada no início de um mês de março, e dois meses depois Esperança informava que, logo depois de realizar a Constelação, foi procurada através da Internet por uma mulher, ainda jovem, que se dizia casada. A mulher procurava identificar a família paterna de seu marido, por um sobrenome que ele havia lhe informado ser o nome da família do pai dele, que ainda não conheciam e que não o havia reconhecido como filho. Esperança, registrada com o mesmo sobrenome informado, combinou com a mulher um encontro para conhecê-la pessoalmente e ao marido. No encontro, realizado logo a seguir, Esperança se surpreendeu com a imediata identificação dos seus traços familiares, especialmente os de seu irmão, com os do rapaz que na ocasião estava diante dela. A partir daí, Esperança promoveu o encontro do rapaz com Pedro que pôde reconhecê-lo como seu filho, legitimando-o e o incluindo, definitivamente, ao sistema ao qual pertencia.

Desde então, de forma natural e progressiva, todo o sistema constelado naquele primeiro encontro vem se harmonizando gradativamente, apontando favorável recuperação na saúde psíquica de Maria que vem também se despertando para uma relação harmoniosa com Pedro e com suas filhas.

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