- Ano V - nº 4(44) - Março de 2011.                                                                Direção: Osiris Costeira

CONVERSAS AO REDOR DO FOGO - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

LIBERTAÇÃO FEMININA. I - Sexualidade: Muito Além de Freud

 

“Sexualidade, para o ser humano, diz mais do que genitalidade. Inclui afeto, erotismo, carinho, amor e troca. Genitalidade refere-se a órgãos da reprodução, localização última das satisfações eróticas na etapa da adolescência e na vida adulta.” Assim nos ensina o pediatra Ronald Pagnoncelli de Souza, em seu “Sexualidade – Riscos – Escola”, in Sexualidade Humana, de Morais de Sá, Leal Passos e Souza Kalil.

E, diz mais adiante o mesmo autor, “O comportamento sexual, portanto, não começa na adolescência, ou na vida adulta, mas nas atitudes e curiosidades infantis, decorrentes das necessidades de satisfações instintivas que exigem gratificações eróticas e afetivas.”

Freud nos falou, ao rever as origens da sexualidade, das fases pelas quais passa o ser humano desde o seu nascimento até a fase adulta, quando consubstancia a sua sexualidade plena. Sexualidade também como afeto, amor, prazer, e não somente genitalidade.

Sabemos que no primeiro ano de vida, na fase chamada oral, a criança localiza na boca toda a sua fonte de prazer, e o seio materno representa, além de prazer, o aconchego, o calor humano, a segurança e, também, a fome saciada como uma das grandes metas do ser humano.

Nesta fase, a pele representa outra fonte de prazer, onde as carícias são extremamente prazerosas e tranquilizantes à criança.  Não é por acaso que a “shantala”, a massagem ayurvédica trazida para o Ocidente pelo pediatra francês Frederick Leboyer, é tão importante ao equilíbrio emocional da criança.

Reconhece-se, no segundo ano, que a fonte de prazer se desloca para a parte terminal do tubo digestivo, quando a excreção das fezes torna-se, à criança, tão prazerosa quanto o era antes o seio materno, tendo Freud chamado a esta fase de anal pela sua localização anatômica

A chamada fase fálica, a partir dos quatro anos aproximadamente, a libido ou fonte de prazer se desloca para os genitais, quando é descoberto o “órgão genital” (tanto o pênis quanto a vagina/clitóris) que pode ser manipulado, interesse esse que será maximizado, a partir dos dez anos, com a adolescência, dando um cunho eminentemente “sexual” à sua sexualidade, que é, contudo, muito mais ampla.

E isso porque, a sexualidade é constituída não apenas de mecanismos psicofisiológicos na sua formação durante a infância e a adolescência. Outros aspectos, tão intensos e importantes quanto os genéticos, são marcantes na formação personológica do ser humano, principalmente na mulher.

Condicionamentos culturais são “transmitidos” de pais para filhos como se fizessem parte do próprio genoma. E para se romper esses laços há que se imprimir novos conceitos em várias gerações seguidas para que aqueles “gens” sejam modificados e adquiram um posicionamento dominante

A sexualidade feminina é baseada, milenarmente, em uma relação de absoluta inferioridade frente à sexualidade masculina, estereotipando, de maneira insofismável, a dicotomia macho x fêmea como duas entidades bastante diferentes.

Nos nossos dias, na boca do homem, o epíteto de “fêmea” soa como um insulto, já que se extrapola, de imediato, à idéia de sexualidade libertina; no entanto, ele mesmo não se envergonha da sua animalidade e sente-se, antes, orgulhoso se lhe chamam de “macho”.  O “macho” é um bravo, um destemido, às vezes até um herói, ao se entender a conduta do homem como uma projeção vivencial de sua afirmação viril, masculina.

Esses condicionamentos milenares que levam à concretização de um inconsciente coletivo, transmitido e vivido de geração em geração, forjaram nas mulheres de hoje profundos desequilíbrios emocionais. Entre muito, podemos citar o fato de quando, por força de sua natureza fisiológica, deixam de ser fêmeas, na concepção reprodutora da palavra. A esterilidade climatérica - com os seus famosos “distúrbios da menopausa - sentencia a mulher a uma “nulidade” vivencial já que nesta fase perde a sua única função, e que o homem valora, pois nela se afirma reconhecidamente válida: a procriação.

Vamos tentar entender, ao longo de nossas conversas, como esse “gen” nasceu e se transmitiu, usando a própria História do Homem como estrada de buscas, para que possamos modificá-lo e transformá-lo na realidade “real” e global da sexualidade humana: o AMOR PLENO, com toda a riqueza de seus componentes.    

 

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