- Ano IX - nº 1 (70) - Dezembro 2014 /Janeiro / Fevereiro de 2015.                            Direção: Osiris Costeira

CONVERSAS AO REDOR DO FOGO - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

A "DOENÇA" de TCHAIKOVSKY - 1º Parte

 

Piotr Ilitch Tchaikovsky (em russo:  Пётр Ильи́ч Чайко́вский), um  dos maiores gênios da música universal, nasceu em 7 de Maio de 1840, na cidade de Votkinsk, localizada na província de Vyatka, na Rússia.    

Em seus 53 anos de vida criou sinfonias, concertos para piano e para violino, óperas, balés, músicas de câmara e coros para a liturgia da Igreja Ortodoxa Russa numa das mais ricas e diversificadas produções musicais desenvolvidas em todos os tempos.

Para que se possa entender plenamente a vida e a obra de Tchaikovsky, “Piotr Tchaikovsky. Biografia”, o grande trabalho biográfico, como resultado de 30 anos de pesquisa do historiador Alexander Poznansky, traz à tona pelo menos duas grandes discussões em relação ao autor de óperas como “Eugene Onegin” e de peças como a “Abertura 1812”.

Segundo o livro ("Piotr Tchaikovsky. Biografia". Poznansky, A), integralmente baseado em cartas, relatos familiares e documentos que até pouco tempo eram mantidos sob sigilo pelo governo soviético, Petia — como era carinhosamente chamado o compositor — era homossexual e incapaz de cometer o suicídio que lhe foi atribuído no Ocidente.

De sua história, sabe-se que seu pai, Ilya Petrovich Tchaikovsky, foi um engenheiro que serviu como tenente-coronel do Departamento de Minas, e sua mãe, Alexandra Andreyevna, foi a segunda das três mulheres de Ilya. Ambos os pais de Tchaikovsky tiveram educação nas artes e incentivaram o interesse dos filhos na música.

Tchaikovsky teve quatro irmãos (Nikolay, Ippolit, e os gêmeos Anatoly e Modest), uma irmã, Aleksandra, e uma meia-irmã, Zinayda, proveniente do primeiro casamento de seu pai.

 

Com o correr do tempo Anatoly obteve uma carreira proeminente, enquanto Modest se tornou dramaturgo, libretista e tradutor. Aleksandra se casou com Lev Davydov e teve sete filhos.

 

Retrato de Tchaikovsky pintado em 1983

 

Em 1843 a família contratou Fanny Dürbach, uma governanta francesa de 22 anos, para cuidar das crianças e ensinar francês a Nikolai. Tchaikovsky era inicialmente considerado muito novo para começar os estudos, mas sua insistência convenceu a governanta. E, com seis anos o compositor já havia se tornado fluente em francês e alemão.

Tchaikovsky se mostrou sempre muito apegado à Fanny, e a afeição que ele recebia da jovem francesa serviu como compensação pela indiferença de sua mãe a qual teria sido descrita como fria, infeliz e distante. Outros, contudo, afirmam que a mãe tinha um carinho muito grande pelo filho.

Começou a ter aulas de piano com cinco anos, demonstrando um precoce talento. Seus pais o apoiaram inicialmente, contratando um tutor e encorajando seus estudos no piano.

No entanto, a família decidiu em 1850 enviar Tchaikovsky para a Escola Imperial de Jurisprudência em São Petersburgo, decisão esta que pode ter tido razões práticas.

Seus pais se tornaram insensíveis em relação ao seu dom musical, pois os únicos caminhos para uma carreira nesse ramo, na época, eram como professor ou como instrumentista em um dos teatros imperiais. Ambos eram considerados parte do mais baixo nível social, sem mais direitos do que camponeses.

Foi para a Escola de Direito de São Petersburgo onde cursou até 1859, mostrando-se um estudante muito aplicado, e antes mesmo de se formar foi empregado como funcionário do Ministério da Justiça.

O sofrimento de Tchaikovsky ao abandonar a mãe para frequentar o internato causou um trauma emocional que o atormentou por toda a sua vida.

E a morte dela, por cólera em 1854, o devastou. A perda o levou a fazer sua primeira composição séria, uma valsa em sua memória.

Pode-se dizer que a separação de sua mãe para frequentar o internato, acrescido de sua morte 4 anos depois, moldaram a característica depressiva de sua personalidade, indicativa explícita de suas carências afetivas.

Em 1859, formado em Direito, ingressa no Ministério da Justiça, como escriturário. O trabalho lhe deixava irritado, e vivia entre a euforia e a depressão.

Pede licença do Ministério, e como tradutor acompanha um negociante em viagem para o Ocidente. De volta, pede demissão e, em 1863, ingressa no Conservatório de São Petersburgo onde permanece três anos.

É no Conservatório que Tchaikovsky tem contato com as obras dos grandes mestres alemães, bem como com composições de Glinka, Meyerbeer, Schumann e Liszt. Foi aluno de Anton Rubinstein em orquestração e de Nikolai Zaremba.

Em 1868 trava contato com o Grupo dos Cinco, movimento nacionalista russo que compartilhava do ideal de criar uma música fundada sobre o folclore nacional, contra a tutela e influência das escolas francesa e italiana.

O grupo era formado pelos compositores Mily Balakirev, César Cui, Modest Mussorgski, Aleksandr Borodin e Nikolai Rimsky-Korsakov.

Sua primeira ópera, Voyevoda, baseada em uma peça de Alexander Ostrovsky, estreou em 1869. Insatisfeito com a obra, usou partes dela em trabalhos posteriores, destruindo o manuscrito.

Até 1892 compôs mais 10 óperas, sendo Eugene Onegin (1877/1878) a mais conhecida e aplaudida, estreada em Moscou em 29 de março de 1879, no Teatro Maly, com um elenco formado por estudantes do Conservatório Imperial.

Apesar de Tchaikovsky nunca ter encarnado uma figura nacionalista, transformando a sua arte em manifestações ufanistas de sua condição e qualidade de russo, como o fizeram os seus amigos do Grupo dos Cinco, criou uma das obras mais importantes e representativas do nacionalismo russo naquele final de século XIX: Abertura 1812.

A Abertura Solene Para o Ano de 1812 é uma obra orquestral em comemoração do fracasso da invasão francesa à Rússia em 1812 e a subsequente devastação da "Grande Armeé" de Napoleão. A obra é também conhecida pela sua sequência de tiros de canhão que é, em alguns concertos ao ar livre, executada com canhões verdadeiros.

 

Ela foi composta em 1880 para a abertura da Exposição Universal das Artes, realizada em Moscou em 1882. A abertura da exposição coincidiu com a consagração da nova catedral, erigida para comemorar o fracasso da invasão de Napoleão Bonaparte à Rússia.

 

A França é musicalmente representada pelo tema de La Marseillaise, hino da Revolução Francesa. A posterior vitória russa no mês seguinte é representada pelo hino czarista Deus Salve o Czar,  seguido pelo sonoro e clássico troar de canhões, e mais tarde pelos sinos da vitória.

É, a nosso ver, uma das obras mais patrióticas que já foram criadas, apesar de o seu autor não ter sido ufanista de sua nacionalidade.

Convidamos a todos para ouvi-la:

 

 

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