- Ano VII - nº 4 (62) - Junho /Julho de 2013.                                                Direção: Osiris Costeira

CONVERSAS AO REDOR DO FOGO - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

A Evolução da Mulher

II - Adolescência, Sexualidade e Gravidez

 

A adolescência implica num período de mudanças físicas e emocionais, considerado, por alguns, um momento conflitivo ou de crise. Não podemos descrever a adolescência como simples adaptação às transformações corporais, mas como um importante período no ciclo existencial da pessoa, uma tomada de posição social, familiar, sexual e entre o grupo.

A puberdade, que marca o início da vida reprodutiva da mulher, é caracterizada pelas mudanças fisiológicas corporais e psicológicas da adolescência. Uma gravidez na adolescência provocaria mudanças maiores ainda na transformação que já vinha ocorrendo de forma natural. Neste caso, muitas vezes, a adolescente precisaria de um importante apoio do mundo adulto para saber lidar com esta nova situação.

O porquê a adolescente fica grávida é uma questão muito incômoda aos pesquisadores. Segundo alguns, a utilização de métodos anticoncepcionais não ocorre de modo eficaz na adolescência, inclusive devido a fatores psicológicos inerentes ao período da adolescência. A adolescente nega a possibilidade de engravidar, e essa negação é tanto maior quanto menor a faixa etária.

A atividade sexual da adolescente é, geralmente, eventual, justificando para muitos a falta de uso rotineiro de anticoncepcionais. A grande maioria delas também não assume diante da família a sua sexualidade, nem a posse do anticoncepcional, que denuncia uma vida sexual ativa.

Assim sendo, além da falta ou má utilização dos meios anticoncepcionais, a gravidez e o risco de engravidar na adolescência podem estar associados a uma menor auto estima, a um funcionamento familiar inadequado à grande permissividade, falsamente apregoada como desejável a uma família moderna ou à baixa qualidade de seu tempo livre.

De qualquer forma, o que parece ser quase consensual entre os pesquisadores é que as facilidades de acesso à informação sexual não têm garantido maior proteção contra doenças sexualmente transmissíveis (DST) e nem contra a gravidez nas adolescentes.

Uma vez constatada a gravidez, se a família da adolescente for capaz de acolher o novo fato com harmonia, respeito e colaboração, esta gravidez tem maior probabilidade de ser levada a termo normalmente e sem grandes transtornos.

Porém, havendo rejeição, conflitos traumáticos de relacionamento, punições e incompreensão, a adolescente poderá sentir-se profundamente só nesta experiência difícil e desconhecida, poderá correr o risco de procurar abortar, sair de casa, e submeter-se a toda sorte de atitudes.

O bem estar afetivo da adolescente grávida é muito importante para si própria, para o desenvolvimento da gravidez e para a vida do bebê. A adolescente grávida, principalmente a solteira e não planejada, precisa encarar sua gravidez a partir do valor da vida que nela habita, precisa sentir segurança e apoio necessários para o seu conforto afetivo, precisa dispor bastante de um diálogo esclarecedor e, finalmente, da presença constante de amor e solidariedade que a ajude nos altos e baixos emocionais, comuns na gravidez, até o nascimento de seu bebê.

E, nesses momentos de ansiedade e depressão, muitas vezes a jovem futura mãe não conta nem com o amparo religioso que necessitaria para lhe acalmar e proteger, pelo menos em espírito. Muitas vertentes religiosas, das mais seguidas e aceitas atualmente, pelo contrário, condenam e marginalizam esses pequenos seres com os mais variados rótulos. E, eles só gostariam do colo do Pai, já que o do pai...nem pensar!

Mesmo diante de casamentos ocorridos na adolescência de forma planejada e com gravidez, também, planejada, por mais preparado que esteja o casal, a adolescente não deixará de enfrentar a somatória de mudanças físicas e psíquicas decorrentes da gravidez e da adolescência.

A gravidez na adolescência é, portanto, um problema que deve ser levado muito a sério e não ser subestimado, assim como deve ser levado a sério o próprio processo do parto. Este pode ser dificultado por problemas anatômicos e comuns da adolescente, tais como o tamanho e conformidade da pelve, a elasticidade dos músculos uterinos, os temores, desinformação e fantasias da mãe ex-criança, além dos importantes elementos psicológicos e afetivos possivelmente presentes.

A incidência de recém-nascidos de mães adolescentes com baixo peso é duas vezes maior do que em recém-nascidos de mães adultas, e a taxa de mortalidade neonatal é três vezes maior. Entre os adolescentes com 17 anos ou menos, 14% dos nascidos são prematuros, enquanto entre as mulheres de 25 a 29 anos é de 6%.

A mãe adolescente também apresenta, com maior freqüência, sintomas depressivos no pós-parto .

Mas o drama da gravidez em adolescentes não é monopólio das meninas. E o rapaz? Afinal, sem sua participação não haveria a concepção. Infelizmente, os rapazes, principalmente aqueles que apenas “ficam”, dificilmente vão sentir como sendo sua também a responsabilidade sobre a gravidez.

Normalmente os rapazes têm uma visão um tanto minimizada da gravidez imposta à menina. Afinal, como pensam, a gravidez só pode ter como consequência uma gigantesca transformação no corpo (que não é o seu), a necessidade de um acompanhamento pré-natal (que pode muito bem acontecer sem ele), o parto (que também acontece sem ele estar presente), abandonar os estudos (que também não diz respeito a ele), os cuidados com o bebê por alguns poucos seis ou sete anos,  ...  e assim por diante.

Por todos esses aspectos, a gravidez deve ser vista - sempre - como o começo de uma vida, em consequência do amor entre duas pessoas. Nunca deveria gerar conflitos familiares, angústia, infelicidade, depressão.

Na adolescência, em que o fortuito e o eventual podem direcionar a vida dos jovens, cabe aos adultos, pais e sociedade, o respeito e a disponibilidade de proteção à vida que se inicia, não só da criança, mas, também, da jovem mãe e do jovem pai, muitas vezes pouco menos crianças que o filho recém- nascido.

 

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