- Ano VI - nº 5 (56) - Junho/Julho de 2012.                                                                Direção: Osiris Costeira

CONVERSAS AO REDOR DO FOGO - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

AS DORES

II - As Dores Sentidas

 

Acredita-se, numa visão geral e simplista, que haja dois tipos de dor: a orgânica e a psicogênica. Como a própria classificação impõe, a orgânica é a causada por uma lesão corporal – conceituada com uma queixa relativa ao corpo - e a psicogênica é a causada por uma lesão emocional/mental – conceituada com uma interferência relativa ao cérebro.

Os médicos, quando desprovidos de uma visão mais globalizada do indivíduo como um todo, não “sentem” a dor alheia, dos pacientes. O que sentem e classificam são as queixas. Às queixas de dor que consideram legítimas, as chamam de “orgânicas”, e às que consideram ilegítimas, de “psicogênicas”.

Consequentemente, os que sentem uma dor legítima são considerados “pacientes legítimos” – estão clinicamente doentes; e os que sentem dores ilegítimas são considerados “pacientes ilegítimos” – estão emocionalmente doentes.

Visto assim, quase numa redundância niilista, o estudo da dor seria um dos caminhos mais diretos para a análise e compreensão do que é material e do que é emocional/espiritual, do corpo e da mente, de doença física e de doença psicológica.  Lamentavelmente, não é bem assim; não pode ser bem assim, pelo menos a nosso ver.

Bonica, em seu famoso tratado sobre a dor, discute nada menos que onze variedades de dor, mencionando, especificamente, as seguintes categorias: superficial, profunda, referida, visceral, somática, central, psicogênica, perpetuação psicogênica de organicamente induzida, psicossomática, fantasma e dor gestalt.

Cada um desses qualificativos, quando unidos à dor, refere-se a uma experiência concreta de tipo penoso. A relação ilustra uma preocupação com ocorrências concretas, e as muitas palavras necessárias para tal atenção aos detalhes.

Começaríamos a “complicar” esses conceitos de dor, ou das dores, se admitirmos como o fizeram Hardy, Wolff e Goodell, que certas pessoas queixam-se de dor quando, na verdade, não sentem dor alguma. O indivíduo percebe estímulos não nocivos que, no passado, foram muitas vezes precursores da dor, e fez os necessários ajustes para evitá-los; isto é, sensações corpóreas, tais como pressão no esterno nas pessoas sujeitas a ataques de angina pectoris, pressão na cabeça nos que sentem, com frequência, enxaqueca... 

Exemplo também são as crianças que “choram antes de se machucar”, e os adultos que, por causa de uma morte por oclusão coronariana em membros da família ou em amigos, se queixam de sensações dolorosas no esterno, previamente “sentidas” como indolores.

Na verdade, não queremos “complicar” nada. Pelo contrário, queremos discutir o assunto para tentar entendê-lo ou, pelo menos, lembrar que ele existe. E, para tanto, é preciso enfatizar alguns pontos fundamentais do problema – muito mais amplo do que apenas dor – e assim situar melhor a dualidade corpo e mente.

O principal aspecto refere-se ao fato que, para nós, o organismo nos parece UNO, INDIVISÍVEL, não dicotomizado em partes estanques e independentes, em que corpo físico e mente pertencem a um só conjunto: SER HUMANO. Disso decorre, logicamente, que os pacientes portadores de manifestações psicogênicas não possuem sintomatologia “ilegítima”, como se a legitimidade das sensações corpóreas fosse somente as de “origem orgânica”.

Ambas as dores, as “legítimas” e as “ilegítimas”, existem e são reais, pelo menos para o paciente que, de alguma forma, está sofrendo. Dor sentida ou dor sofrida, psicogênica ou orgânica, é o paciente que importa, com todas as suas necessidades e fraquezas.

Da mesma forma que a angústia alerta o indivíduo de que “algo está errado”, na sua avaliação de mais valia ou na sua auto-estima, uma dor também pode representar um grito de sua angústia, ou – obviamente – uma patologia física, quer seja uma simples pancada ou uma formação tumoral maligna.

Qualquer dos dois casos o indivíduo – o paciente – necessita de ajuda. Para um, talvez, um bom analgésico possa ser o suficiente para, pelo menos, amenizar a dor; para o outro, bem mais difícil, provavelmente necessitamos prescrever algo como compreensão, aceitação, confiança, lealdade, ingredientes de um medicamento, não raro, em falta no mercado: AMOR.

 

 

 

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