- Ano VII - nº 5 (63) - Agosto /Setembro de 2013.                                                Direção: Osiris Costeira

CONVERSAS AO REDOR DO FOGO - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

A Evolução da Mulher

III - A Mulher Adulta: Concepção / Anticoncepção

 

A procriação, e a consequente perpetuação da espécie, sempre foi desde tempos imemoriais uma das grandes preocupações do Homem, por mais primitivo que ele fosse, visto que além da momentânea incapacidade de participação mais ativa da mulher/fêmea ao gestar, representava a continuação do grupo, naqueles primeiros conceitos de propriedade privada e familiar.

E, até os nossos dias, a gestação adquiriu uma importância que transcende, às vezes, a própria noção de procriação e descendência, e é envolvida em um manto protetor de amor, afeto e de esperança naquele ser que irá nascer.

Por isso, a impossibilidade da gestação, pelas possíveis problemáticas tanto do homem quanto da mulher, se reveste em verdadeiros dramas e tragédias, fazendo com que os envolvidos lancem mão de todas as possibilidades, científicas ou não, para reverterem esse quadro.

Em função desses fatos, a reprodução humana sempre foi, dentro dos aspectos que norteiam a sexualidade de homens e mulheres, cheia de mitos e crendices que se perpetuaram ao longo da História, até que a ciência os sepulte, definitivamente, assumindo a condição e qualidade de estórias. Nada mais do que estórias da nossa História.

O Professor Weydson Barros Leal, da Universidade Federal de Pernambuco, em seu memorável livro sobre reprodução humana (Barros Leal, JW – Reprodução Humana. Livraria e Editora Revinter Ltda. Rio de Janeiro, RJ, 1994) relembra, em seu capítulo inicial, algumas estórias interessantes, cheias de mitos, que cercaram a reprodução humana desde a Antiguidade Clássica.

“A busca pela descendência é uma preocupação já visualizada desde 2111 aC, no antigo Egito, como se constata na leitura do papiro de Kaun, escrito, provavelmente, como livro de texto dos alunos de Sais. Nele também estava especificado a primeira tentativa de cura da esterilidade, pela prescrição de glândulas de pequenos animais, somada a determinados exercícios físicos."

"Entre os Hebreus figurava a idéia de que a mulher não conseguindo a prenhes, deveria ser afastada de sua vida social, advindo daí a história de Sara, que após dez anos de união sexual teria liberado o marido, Abrahão, para “coabitar” com Hagar, uma jovem serva que logo viria a engravidar, para a felicidade do próprio casal."

"Praxágoras de Cós, discípulo de Diócles, em 340 aC, referia-se à reprodução humana com idéias bastante equivocadas. Na tentativa de prová-las, ditava que um coito poderia gerar um ser masculino quando pudesse o homem sustentar seu testículo direito. Atitude semelhante era observada na mulher, apertando o abdome no ato sexual. Fosse pelo lado direito, geraria um ser feminino, e do esquerdo, graças a fluxos especiais, nasceria um homem."

"Foi em nosso século que Halban, em 1904, conseguiu caracterizar um quadro hormonal, transplantando, por via subcutânea, parte de um ovário sobre as costas de uma cobaia previamente castrada. Outros autores, como Lipschutz e Steinach, enxertaram ovários amadurecidos em animais imaturos, obtendo desenvolvimento precoce, assim como certo rejuvenescimento de animais envelhecidos."

O ilustre Professor Barros Leal, ainda em seu livro-história sobre a reprodução humana, nos fala, com entusiasmo, dos dias mais atuais:

“A Ginecologia atual é possuidora de um incrível arsenal de pesquisas e descobertas, cuja história torna-se difícil de ser contada em seus pormenores. Ela é longa e no decorrer dos anos alcançou patamares diferenciados, até a década em que surgiu a fertilização assistida homóloga."

"O ano de 1978 consagrou-se como epílogo de tal história, marcado pelo nascimento do primeiro bebê de proveta, por intermédio de Steptoe e Edwards, dois eminentes ingleses responsáveis diretos pelo nascimento de LOUISE  BROWN.”

   A anticoncepção, com todo o valor libertário que doou à mulher no século XX quer em seus métodos comportamentais, de barreira, por DIU, pelo sistema intra-uterino ou pelo método hormonal oral ou injetável, requer uma releitura ética e emocional do casal que escolheu esta prática para balizar a sua vida em comum.

   E isto porque a não procriação deve ser consciente e fazer parte de um plano de vida, com metas a serem atingidas,

   E nesse conjunto de decisões, a escolha de um ginecologista para orientar e “prescrever” a anticoncepção é fundamental, para que, entre outros aspectos, a qualquer momento possa ser suspenso e iniciado todo o ritual pró-criativo.

A participação do ginecologista é tão importante nessa fase da vida de um casal que a Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia editou um manual de orientação sobre a anticoncepção aos seus filiados (Febrasgo – Federação Brasileira de Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia – Anticoncepção – Manual de Orientação, 1997) que deveria ser lido por todos os participantes da ação - médico e paciente - para que ambos entendam, exatamente, as suas responsabilidades.  O Manual, em suas Considerações Específicas, diz o seguinte:

“A anticoncepção, do ponto de vista ético, tem várias dimensões, sendo as mais importantes a individual, a familiar e a ecológica. Do ponto de vista individual, reconhece-se o princípio bioético da Autonomia que valoriza o sujeito e sua livre vontade. Cada pessoa, individualmente tem o predicado de optar, em se tratando de prole, pelo que julga ser mais conveniente para si, quanto ao número de filhos, quando tê-los, se retê-los ou não. É uma prerrogativa de cada pessoa, reconhecida pela Bioética, que busca proporcionar, a cada um, meios para construir a sua dignidade e uma “boa vida”. Por mais enigmático que seja o conceito de “boa vida” é um dos grandes fins da Bioética."

"A “boa vida” refere-se concomitantemente ao hedonismo, doutrina fundada no prazer como fonte da felicidade, presente em todas as épocas e em todas as latitudes, e à beatitude, que norteava as antigas éticas, de Platão a São Thomas de Aquino. A beatitude pode ser entendida não apenas como uma condição de santidade, conceito exclusivamente religioso, mas, acima de tudo, como a realização plena da condição humana e seus predicados."

"Atualmente, reconhece-se de forma muito clara a dissociação que o ser humano faz de sexo e reprodução. Diferentemente dos outros animais de reprodução sexuada, o sexo para o ser humano é umas função que tem fins maiores do que ser, simplesmente, meio de reprodução ou de manutenção da espécie. Quanto mais evoluída a sociedade, mais aparece essa dissociação. Assim sendo, é imperioso o desenvolvimento de atitudes que comandem a fertilidade pelo ser humano, individualmente, para poder desenvolver de modo mais pleno possível essas duas funções, a sexual e a reprodutiva."

"Um corolário do princípio da Autonomia, aplicado à anticoncepção, é a necessidade da informação. Quanto maior o grau de conhecimento que o indivíduo (paciente) tem acerca da sua natureza, dos seus objetivos de vida e dos recursos disponíveis (como os métodos anticoncepcionais), tanto mais livre e coerente será a decisão que tomar. No desenvolvimento do trabalho de anticoncepção é, pois, uma questão de boa ética a promoção de informações minuciosas pelo médico ao paciente sobre os recursos disponíveis. Mais do que isso, é eticamente fundamental que o paciente faça a opção pelo meio ou recurso a ser usado auxiliado pelo médico. Este terá como obrigação, além dessa tarefa de informar, exercer sua ciência e arte examinando o paciente de modo correto e completo a fim de descartar eventuais diagnósticos de condições que imponham limites clínicos ao uso de certos meios."

"A programação da prole permite que a mulher deixe de ser apenas esposa e mãe e possa ter profissão e exercitá-la. Isso a propicia uma condição mais emparelhada à do homem, reduzindo significantemente a relação de subordinação que prevaleceu por muito tempo."

"Do ponto de vista da família, o planejamento familiar repercute na estruturação da célula mãe da sociedade. A mulher se torna mais autônoma, divide com o homem os encargos financeiros de sustento, alterando profundamente a relação de dominação. Os filhos deixam de ser produto da vontade divina e passam a ser fruto da vontade dos pais, reformulando as relações de responsabilidade. A paternidade se torna muito mais responsável. Só tem filhos quem os quer e quando os quer.”

 

CONTATO

fale conosco, tire suas dúvidas, fale com os terapeutas, opine sobre os artigos e dê sua sugestão de conteúdo.

BIBLIOTECA/LINKOTECA SELECIONADA

Nosso objetivo é formar um banco de referências bibliográficas das diferentes Terapias Holísticas, para consulta de todos os interessados em mais detalhes sobre determinado assunto. Seria muito importante, e verdadeiramente interativo, se recebessemos sugestões , objetivando uma das finalidades do site Terapia de Caminhos que é compartilhar experiências e conhecimento. Clique aqui para acessar a terapia que deseja uma bibliografia selecionada para consultas.

"As opiniões emitidas nos textos do site são de exclusiva responsabilidade de seus autores".