- Ano IX - nº 3 (72) - Junho / Julho / Agosto de 2015.                            Direção: Osiris Costeira

CONVERSAS AO REDOR DO FOGO - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

A "DOENÇA" de TCHAIKOVSKY - 3º Parte

 

A grande dúvida, pelo menos para muitos historiadores, é se Tchaikovsky se suicidou ou, da mesma forma que pai e mãe, morreu vítima de cólera ao ingerir agua contaminada em um bar, com amigos.

A hipótese de suicídio, negada peremptoriamente pela maioria dos historiadores, tem uma versão interessante revelada pela musicóloga soviética Alexandra Orlova, em 1978.

Segundo sua apuração, um membro da aristocracia russa havia escrito uma carta direcionada ao czar Alexandre III acusando Tchaikovsky de seduzir e manter um relacionamento sexual com seu sobrinho de 17 anos.

 

A carta, porém, não foi entregue diretamente ao czar, mas aos cuidados de um funcionário, Nikolay Jacobi, que coincidentemente estudou com Tchaikovsky na Escola de Direito de São Petersburgo.

 

Escandalizado com o conteúdo da correspondência e temendo que a história manchasse a reputação da Escola, Jacobi não entregou a carta. Preferiu instituir uma corte de honra incluindo outros seis companheiros da Instituição para discutir o assunto e tomar uma decisão.

 

Foi assim que convocaram Tchaikovsky para uma reunião que durou cerca de cinco horas. Nela, induziram o compositor a dar fim à própria vida antes que o pior acontecesse.

 

Caso a denúncia se tornasse pública, Tchaikovsky poderia ser exilado, perderia seus direitos civis e teria sua imagem manchada para o resto da vida, prejudicando familiares, ex-alunos, amigos e companheiros.

 

Ao sair da reunião cambaleante e pálido, o compositor teria decidido ingerir arsênico, morrendo no dia 06 de novembro de 1893.

 

 

 

Descrição: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9d/P3264416_tchaikovsky_lg.jpg/330px-P3264416_tchaikovsky_lg.jpg

 

Tumba de Tchaikovsky no Mosteiro Alexander Nevsky

 

Por ser considerada uma versão aparentemente sensacionalista, muitos historiadores questionam essa hipótese, mesmo que ela tenha sido confirmada por alguns conhecidos de Tchaikovsky.

 

Foi enterrado no Cemitério Tikhvin no Mosteiro Alexander Nevsky, perto dos túmulos dos companheiros compositores Alexander Borodin, Mikhail Glinka, e Modest Mussorgsky, mais tarde, Rimsky-Korsakov, Balakirev também foram enterrados nas proximidades.

Ao compor a 6ª Sinfonia, a “Patética”, de Fevereiro a Agosto de 1893 sua obra definitiva e de extrema beleza, delimita o período em que estava obcecado pela idéia do homem lutando contra o seu destino.

 

Na sua estréia, a obra chamava-se “Sinfonia Programática”, mas o compositor deu-se conta que iria encorajar curiosidade sobre o significado do programa, o qual ele fazia questão de esconder. 

 

Seu irmão sugeriu então o subtítulo “Patética”, que tem origem na palavra grega “Pathos” e significa paixão, excesso, catástrofe, passividade e sofrimento.

 

Quando a Sinfonia “Patética” já estava sendo publicada, Tchaikovsky enviou uma carta para o seu editor dizendo que queria colocar também uma pequena dedicatória “Para Vladimir Davidov, composto por PT”, seu sobrinho, mas como estava muito em cima da hora, o editor ignorou o pedido.

 

Os críticos musicais analisam a Patética salientando que o primeiro movimento, em Si Menor, é  cheio de passagens sombrias lentas, outras igualmente sombrias mas rápidas, que formam um conjunto notável com duas belíssimas melodias, sobretudo o segundo tema do desenvolvimento.

O segundo movimento, em Ré Maior, é uma extraordinária melodia que contrasta com o primeiro andamento e que serve de contraponto à tensão exercida. É um movimento relativamente alegre no tom, mas que nunca deixa a sensação do destino que se pode abater a qualquer instante. Acalma mas não o suficiente para nos traquilizar completamente.

O terceiro movimento, em Sol Maior é uma espécie de marcha, sem no entanto ser verdadeiramente triunfante, tal como o segundo andamento poderia ser uma alegre valsa sem nunca realmente o ser, nem pelo tempo que não é exatamente o de uma valsa, nem pelo espírito.

O quarto movimento, em Si Menor retoma assim, novamente, o tom lúgubre do primeiro andamento. A vitória do tenebroso destino, quando se pesava a vitoria. As partituras para a Orquestra são bastante originais, dado que a melodia é partilhada pelos primeiros e segundos violinos (efeitos aliás reproduzido noutros naipes).

 

A Sinfonia nº 6, "Patética", é a história da vida de Tchaikovsky, contada por ele mesmo. Em música. E música genial.

 

Só nos resta ouvi-la:

 

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