- Ano V - nº 7 (47) - Junho de 2011.                                                                Direção: Osiris Costeira

CONVERSAS AO REDOR DO FOGO - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

LIBERTAÇÃO FEMININA. IV - ...e Deus criou a Mulher!

 

Se em Roma a mulher fora conceituada e codificada pelo Homem, com o advento do Cristianismo ela foi pela própria divindade. Lutar contra as leis dos Homens era impossível, pecaminoso contra as de Deus.

Reside nos ensinamentos bíblicos - lidos, seguidos e transmitidos por milhões e milhões de seres humanos - toda a dogmática cristã de conceituação malévola e inferiorista da figura feminina que condiciona o inconsciente coletivo dos povos até os nossos dias.

A par dos grandes ensinamentos filosóficos ditados pela sabedoria magnânima do Cristo, o Nazareno, repousa na Bíblia muito da gênese das patologias emocionais da mulher, principalmente para as ocidentais. E se já não bastasse o “peso” divino de seus dogmas, ao correr dos séculos os grandes representantes da cúpula filosófica de doutrinação cristã se encarregaram de ratificar, em pregações e escritos, todo o desprezo atribuído à figura feminina.

Se “deus”- figura criada - fora idealizado à semelhança do homem primitivo, este mesmo Deus - figura criadora – constrói a figura do Homem, à sua imagem e semelhança. É assim que a Bíblia nos ensina como nasceu o Homem, através do PENTATEUCO (Gênesis), Capítulo I, versículo 26: “Disse por fim Deus: Façamos o Homem a Nossa imagem, conforme Nossa semelhança. Domine ele...”

Também nos fala da criação da mulher. Mas não em termos de prolongamento da figura divina, em equidade de valores e poderes. Fala-nos, isto sim, em termos de “auxiliar”, como se fora um empregado a ajudar e “auxiliar” o seu senhor, na sua tarefa terrena. É no Capítulo II, versículos 18, 19, 20, 21, e 22, do mesmo PENTATEUCO (Gênesis), que tiramos tais ensinamentos:

“(18) O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só; Eu vou dar-lhe uma auxiliar que lhe seja semelhante.” (19) Tendo, pois o Senhor Deus formado da terra todos os animais do campo, e todos os pássaros dos céus, levou-os para o homem, para ver como ele os havia de chamar; e todo o nome que o homem pós aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome. (20) O homem  pós nome em todos os animais, a todos os pássaros dos céus e a todos  os animais do campo, mas não se achava para ele uma auxiliar que lhe fosse adequada. (21) Então, o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono, e enquanto ele dormia, tomou-lhe uma das suas costelas e fechou com carne o seu lugar. (22) E da costela que tinha tomado do homem,  o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem.”

Assim, conheceu a Civilização Humana a gênese do próprio Homem, e segundo os ensinamentos do próprio Deus.

Mas a “auxiliar” do homem - a mulher - logo no início de suas atribuições cometeu um grande erro. Tão grande o seu erro que além de sua perdição condicionou-a, também, ao homem, ganhando em castigo, por sua culpa e responsabilidade, a condição de “seres humanos”. De deuses que eram tornaram-se humanos. E a figura da mulher, a protagonista principal do drama.

Estudemos os ensinamentos do Capítulo III, em seus versículos iniciais:

“(1) A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse à mulher: ”É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?”(2) A mulher respondeu-lhe: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim. (3) Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim Deus disse: “Vos não comereis dele, nem o tocareis, sob pena de morte”. (4) “Oh, não! – tornou a serpente  -  vós não morrereis!  (5) Mas Deus bem sabe que no dia em que comerdes vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal”. (6) A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente.”

Perpetrava, desse modo, a mulher o Pecado Original, induzindo, com isso, o homem ao pecado também. Vejamos, ainda, o que dizem os versículos 12 e 13 do mesmo capítulo:

“(12) O homem respondeu: “A mulher que me destes apresentou-me deste fruto, e eu comi”. (13) O Senhor Deus disse à mulher: Por que fizeste isso?”  -  “A serpente enganou-me  -  respondeu ela  -    e  eu comi”.

E, frente a frente, a denúncia e a confissão. Tal crime de dolosa traição às ordens de Deus clamava por condenação. E é o próprio Deus, juiz e carrasco, que sentencia, por intermédio dos versículos 16, 17, 18 e 19, ainda no Capítulo III:

“(16) E à mulher disse: Multiplicarei grandemente tua dor e a tua conceição: com dor terás filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará! (17) E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comeis dela: maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. (18) Espinhos,  e cardos também, te produzirá, e comerás a erva do campo. (19) No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado: porquanto és pó e em pó te formarás.”

E da maldição divina, da boca do próprio Deus, a imagem da mulher se materializa na da pérfida figura, execrável, nojenta, traidora confessa que para expiar os seus crimes pagará com a dor, com o sofrimento, e a subserviência ao homem, induzido a traidor...   Maldita!!!!

Os grandes oráculos do Cristianismo, ao longo dos tempos, têm ratificado a posição da mulher no Mundo, tal e qual se a configura a Bíblia Sagrada. São Paulo e S. Thomas de Aquino falam por si. Todos esses dogmas, tomados verdades quando vistos pelo prisma religioso, serviram de verdadeira “catequese”, por mais de dois mil anos, para que a mulher - principalmente a ocidental - tivesse uma noção bem nítida de sua menos-valia, da sua posição inferior e subalterna perante o Mundo, os Homens e até a Deus.

E, se pensar que o doce Nazareno, o grande renovador do pensamento humano que foi Jesus, o Cristo - de quem aqueles se dizem discípulos e transmissores de sua doutrina - jamais comungou com tais idéias, como jamais de sua boca saiu uma frase sequer em que estivesse implícito um conteúdo desdenhoso à figura da mulher. Sua doutrina foi de PAZ e AMOR; seus sermões ensinavam a CONCÓRDIA e a COMPREENSÃO entre todos os seres. Se apenas um grande filósofo, ou se filho de Deus - feito Homem para que O ouvíssemos e O seguíssemos - entendia que todos somos iguais perante o Pai, o Ser Criador, o Grande Arquiteto do Universo.

Mas não é apenas o Cristianismo o único manancial religioso de onde brota tanta “barbárie” sobre a mulher. “Bendito seja Deus, Nosso Senhor e Senhor de todos os Mundos, por não me ter feito mulher”, dizem os judeus ortodoxos em suas preces matinais; enquanto isso, suas esposas murmuram com resignação: “Bendito seja o Senhor que me criou segundo a sua vontade”.

Temos a certeza, cada vez mais, de que a humanização de Deus na Terra, através do Homem, é uma forma de aprendizado ao próprio Homem até o seu retorno ao Pai, mesmo em momentos e episódios caricatos e grotescos. Tudo é aprendizado.

 

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