- Ano VI - nº 7 (58) - Outubro/Novembro de 2012.                                                                Direção: Osiris Costeira

CONVERSAS AO REDOR DO FOGO - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

AS DORES

III - As Dores Sofridas

 

Uma criança, sem nenhuma noção de perigo, é atraída pelas chamas de uma fogueira. O vermelho vivo de uma brasa é irresistível e a criança estica o bracinho para apanhá-la. Logo sente uma violenta sensação de dor e recolhe a mão rapidamente. já chorando e fugindo para longe do fogo. 

Se não sentisse dor, sofreria lesões irreparáveis na mão e no braço, por queimaduras, ao passo que a dor forte a “salvou”, limitando o dano físico a algumas bolhas e à alteração de tecidos superficiais, que se recompõem com o passar do tempo.

Daí se depreende que sensação dolorosa é uma espécie de sinal de alarme que indica perigo iminente. Mas não são apenas agentes externos, como o fogo e as quedas os causadores da dor. Também, causas internas, como disfunções, alterações orgânicas, lesões de tecidos profundos são grande parte das vezes denunciadas por sensações dolorosas.

A dor é uma experiência pessoal e não pode ser transmitida ou medida. Sua comunicação a outras pessoas é feita somente por narração e depende da capacidade do paciente em configurá-la por meio de comparações: “sinto uma agulhada no peito” ou “parece que meu estômago está em fogo”. A sensibilidade do paciente, seu temperamento e seus temores criam um fundo emocional, através do qual as expressões de dor são acentuadas ou atenuadas.

Uma das grandes preocupações da Medicina é vencer a dor. Mas, também, o médico reage diante das queixas de dor, baseado em experiências pessoais. Dessa forma, tanto pode considerar as reclamações exageradas, não lhe dando o devido valor, como adotar atitude inversa, supervalorizando as mínimas queixas de qualquer paciente.

A dor pode ser definida como percepção sensorial de estímulos nervosos, que aparece quando o indivíduo sofre alguma lesão – queimaduras, ferimentos ou contusões – ou quando ocorre alguma alteração no funcionamento dos órgãos. Contudo, nem sempre a doença produz dor, como nem todo sofrimento é dor.

Folhas de pinhão ungidas de azeite-doce e colocadas com um pano na fronte, ou folhas de pimenta-malagueta e também de açucena ou carrapateira são usadas nos sertões do Brasil, pois se acredita que curam dor de cabeça. Muitas vezes, um alho amassado substitui essas primeiras receitas.

O sertanejo usa, também, colocar dentro do chapéu as folhas de catingueira, tidas como “quatro paus”, para debelar as cefaléias. Para dor de estômago recomenda chá de casca e folhas de laranja.

O arsenal de medicamentos, de origem animal e vegetal, do homem do campo para as doenças, notadamente contra a dor é dos mais vastos. Chá de hortelã cura indigestão dolorosa; dores de barriga são tratadas com semente de imbiriba ou losna. E até mesmo feridas cancerosas têm seu medicamento que consiste no seguinte: mata-se uma cobra cascavel, corta-se-lhe a cabeça e a cauda, e abre-se a parte central pela barriga do ofídio que, aberta, é colocada sobre a ferida.

Tais práticas são classificadas como de medicina empírica. Outras há que, além de anti-higiênicas, pode dar origem a complicações mais sérias, como o tétano: aplicação, sobre a parte afetada por queimaduras, de urina de criança e excremento de gado, além de cuspe.

No uso de tais medicamentos nada há de científico. Seu emprego está relacionado a crendices geradas pela ignorância e a miséria, e à inexistência de uma educação adequada e constante, além da falta geral e plena de assistência médica às populações mais carentes e necessitadas.

Antes de mais nada, estão relacionadas à necessidade de sobreviver. A qualquer custo. Por mais tempo possível.

 

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