- Ano VII - nº 6 (64) - Outubro/Novembro de 2013.                                                Direção: Osiris Costeira

CONVERSAS AO REDOR DO FOGO - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

A Evolução da Mulher

IV - A Mulher Idosa: Menopausa / Climatério

 

A mulher sempre foi prisioneira da sua própria feminilidade. Os ciclos menstruais, a gestação e o climatério estigmatizaram a vida da mulher através dos tempos, ora diminuindo a sua capacidade de competição, inclusive fisicamente, ora minimizando a sua qualidade de vida através da ansiedade, depressão e menos valia, além de sinais reais e palpáveis de desconforto.

Mensalmente, num constante jogo de hormônios ovarianos e hipofisários, a mulher menstrua, como um sinete da não procriação, trazendo com a hemorragia uma série de transtornos, inclusive enfraquecimento proveniente da própria perda sanguínea.

Além disso, as prostaglandinas e os serotonínicos também entram no jogo hormonal, evidenciado pela dismenorréia primária e os desagradáveis distúrbios do humor, na tensão pré-menstrual (TPM).

A gestação, abstraindo-se o aspecto “gerador de vida” e a magnitude do sentimento da maternidade, também dificulta, pelo menos no último trimestre, a vida da mulher; com o parto não termina a fase dos transtornos, visto que o recém-nascido necessita de seus cuidados e da alimentação materna. Todo esse período é muito poético, mas extremamente trabalhoso para a mulher.

E aos 50 anos, quando a vida parecia se tornar mais tranquila, se bem que rotineira, novamente o jogo de hormônios ovarianos e hipofisários desequilibra a mulher, principalmente aquelas mais sensíveis a certos condicionamentos culturais milenares.

Esses condicionamentos milenares que levam à concretização de um inconsciente coletivo, transmitido e vivido de geração em geração, forjam nas mulheres profundos desequilíbrios emocionais quando, por força de sua natureza fisiológica, deixam de ser “fêmeas” na concepção reprodutora da palavra.

A esterilidade climatérica sentencia a mulher a uma “nulidade” vivencial já que nesta fase perde a sua única função – e que o homem valora, pois nela se afirma – reconhecidamente válida: a procriação.

Mas as “coisas” estão mudando, e para melhor. Parece que outros ventos amenizam, lentamente, a encalorada fisiologia hormonal da mulher. A moderna farmacologia já socorre a mulher do desconforto da dismenorréia primária, minimizando a síndrome pré-menstrual.

Com os métodos modernos de prevenção à natalidade, mesmo sem serem ainda totalmente satisfatórios e desprovidos de secundarismos, como os anticoncepcionais hormonais combinados, via oral, a mulher já pode planificar a sua família sem que a vinda de um filho se torne uma “catástrofe” para si e também para a própria família.

Os filhos podem existir resultantes do amor, e por ele esperado. Quando o casal desejar.

Para o período do climatério, quando chega a menopausa, também já existe um presente mais promissor pelo novo posicionamento sócio-cultural da mulher, e pelos recursos farmacológicos que estão criando “uma nova mulher de meio século”

A Dra. Ceci Mendes Carvalho Lopes, da Faculdade de Medicina da USP, em artigo publicado numa revista médica (Sinopse Ginecol Obstet, 2:28-29,1999), evidencia essas mudanças de maneira elegante e objetiva:

“A longevidade para toda a humanidade é uma aquisição do século 20, era de grandes transformações. A expectativa de vida evoluiu, em menos de um século, de 50 para acima de 75 anos. E mais, ganham-se anos bem vividos, pois mudou também a possibilidade de adquirir qualidade de vida. E, inclusive, o direito de reivindicar essa boa qualidade de vida.”

“A mulher sofreu enormes mudanças em seu estilo de vida, como nunca antes em toda a história da humanidade. O papel feminino se alterou, e muito. Hoje a mulher trabalha e contribui para a renda familiar, de modo significativo. Quantas vezes, ainda como chefe de família! Mas essa recaracterização de papel não tem sido sem atritos, ou sem dificuldades. Inclusive porque à modificação do papel feminino teve de se suceder uma outra, correspondente, no masculino. Enfim, ambos os sexos tiveram ganhos e perdas, e precisaram rever suas posições. Nossos avós não se enquadrariam mais, facilmente, no nosso mundo atual. Porém, o fato é que, hoje, a mulher não só mudou, mas parece ter gostado dessa mudança. Tanto que, apesar de tudo isso ter começado por necessidade, hoje ela já se agarra com unhas e dentes à idéia de consolidar essa transformação.”

“Mais do que isso, afloram, como problemas de saúde pública, alguns problemas que antes não pareciam ter importância, mas que, hoje, adquiriram um valor maior. A mulher passou a apresentar doenças que pareciam não afetá-la, salvo em situações muito individuais. Não havia a preocupação com a doença coronariana na mulher – quem morria de infarto era o homem... De vez em quando uma velhinha sofria uma fratura de quadril – mas isso era uma fatalidade... E os mal-estares do climatério, sina herdada de Eva, junto com o pecado original, deixaram de ser aceitos dessa forma.”

Dentro desse conjunto de fatos, já se pode vislumbrar uma nova personagem no teatro da vida,  renascida de suas próprias “deficiências” e das “deficiências” próprias da personagem HOMEM.

Essa nova mulher, agora com 50 anos, se vê e é vista diferente, mais capaz e mais confiante. Mais feliz. Mais mulher.

Quanto ao Climatério propriamente dito,  é a fase da vida da mulher na qual ocorre a transição do período reprodutivo para o não reprodutivo. Menopausa é, simplesmente, a última menstruação. Síndrome climatérica é o elenco de sintomas que se manifesta nesse período.

Esses são os conceitos oficiais emitidos pela Sociedade Internacional da Menopausa, em 1976, durante o I Congresso Mundial de Climatério.

Não obstante aceito universalmente, parece inconsistente este conceito de climatério por encerrar apenas uma dimensão, temporal, pouco útil para a compreensão global desta entidade.

Por esse motivo, e levando em consideração a necessidade de um enfoque mais atual para a problemática climatérica, pode-se conceituar, hoje, o climatério como sendo um distúrbio endócrino que se expressa por deficiência de hormônios esteróides sexuais, resultante da insuficiência ovariana secundária ao consumo de folículos primordiais, que constituem o patrimônio genético de cada mulher.

Apesar de ser uma condição fisiológica presente em todas as mulheres de meia idade, pode ter conseqüências “doentias” em considerável proporção delas, sob a forma de manifestações genitais e extragenitais, nem sempre sintomáticas, e cuja resultante é a aceleração do processo de envelhecimento sabidamente modulado, em parte, pelos esteróides sexuais.

Durante este cada vez mais longo período de tempo, tem lugar modificações biopsicossociais que ocorrem de maneira insidiosa e de forma variável de mulher para mulher, e configuram, em seu conjunto, a passagem do menacme (período com atividade menstrual) para a senilidade, estabelecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como tendo início aos 65 anos.

É durante a fase intermediária que ocorre a menopausa, ao redor dos 50 anos de idade, e seu diagnóstico clínico é feito de forma retrospectiva quando a amenorréia (falta de menstruação) atinge 12 meses.

É costume que se considere, como período pré e pós menopáusico do climatério, o espaço de tempo imediatamente anterior e posterior ao momento da última menstruação, duração variável de 12 a 24 meses. Este período representa a perimenopausa.

As consequências da carência estrogênica – visão endócrina do climatério – podem ter expressão clínica ou repercussão sistemática silenciosa. Se bem que os fenômenos vasomotores (fogachos, sudorese) e urogenitais (distúrbios menstruais, secura vaginal, disfunção urinária) possam ser modestos em muitas instâncias, é o dismetabolismo que causa danos de maior monta e gravidade (doença cardiovascular, cerebrovascular e osteoporose).

O conhecimento destes fatos é importante para que se tenha um enfoque não só curativo, mas também preventivo, conveniente e oportunamente estabelecido.

Não se deve esquecer que é neste momento da vida que a história natural das enfermidades degenerativas coincide com as manifestações de envelhecimento fisiológico e com o déficit de estrogênios.

Da comprovação destes fatos, desenvolveu-se um novo método de assistência à saúde destinada às mulheres adultas: A Medicina do Climatério, uma nova e promissora especialidade médica.

 

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