- Ano V - nº 8 (48) - Julho de 2011.                                                                Direção: Osiris Costeira

CONVERSAS AO REDOR DO FOGO - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

LIBERTAÇÃO FEMININA. Final - "Um dique não contém um mar encapelado..."

 

A Idade Média, com toda a sua selvageria “infantil”, nos mostra através da figura onipotente e arrogante do Senhor Feudal o desejo irresistível e obsessivo de identificação com as “qualidades divinas” desse “deus” que castiga e perdoa, de acordo com suas conveniências, e que tem poderes de vida ou morte sobre seus súditos obedientes e avassalados.

E saem estoicamente em sua defesa, pois inimigos – imaginários e delirantes – ameaçam o seu “Império”. Espada em riste, elmo ao peito e fé no Cristo. Cervantes fez história. Muitos “Quixotes e Sancho Panças” existiram, mesmo. Talvez, não com a mesma graça, porte e valentia!

Na época dos “cintos de castidade” que os grandes Cruzados impingiam em suas esposas por medo à traição, que apenas ratificavam a virilidade frágil e insegura daqueles tempos em que a masculinidade era exibida burlesca e fantasiosamente, surgiram as grandes aventuras amorosas.

As donzelas-musas, inspiradoras de românticos trovadores, representavam mais uma fantasia infantil, uma forma de quase regressão às vivências da infância, onde um amor platônico e assexuado emoldurava suas paixões edipinianas, profundamente “castradas” pela figura tirânica e onipotente do grande Senhor Feudal: seu pai.

E, com isso, a mulher ganha um certo “elã” quando donzela, ao ser cantada em prosa e verso pelo seu valente e corajoso “príncipe encantado”. Mas, da posse ao cativeiro. A mulher-esposa medieval era sumariamente confinada em seu castelo, cercada de criadas e serviçais para a “excelsa tarefa de cuidar dos filhos”. O objeto-posse, em figura de mulher, estaria a salvo por detrás dos muros medievais de competições, simbólicas que fossem.

E quanto mais corajosa e impetuosa fora a conquista, mais “sabor de posse” lhe tinha a esposa. Muitas vezes o amor consistia na conquista. E só. Ora simbólica, ora real. O importante era demonstrar aos outros, e a si próprio também, que era capaz de conquistar. Ratificava desse modo a sua masculinidade.

Mas, no começo do século XIX, com o advento da Revolução Industrial, lentamente as coisas começaram a se modificar. E o músculo do homem, sustentáculo milenar da supremacia masculina, foi substituído, de modo quase abrupto, pelos engenhosos artifícios da máquina, onde ela – ela sim – tornara-se o verdadeiro músculo das grandes fábricas, e de cuja ação dependia tanto do homem quanto da mulher.

Foi, pelo menos assim o cremos, na ida em massa da mulher para as fábricas, tornando-a desse modo co-provedora dos meios de subsistência da família, junto com o marido, o primeiro grande passo da libertação emocional da mulher. O que o marido fazia na fábrica ela já poderia fazer também.   E da fábrica ao comércio foi um mero esperar de anos

Contudo, a última trincheira de afirmação masculina concentrava-se na cultura. Esta, sim, era reservada ao homem... As Universidades não comportavam estudantes mulheres. Seria um absurdo, no pensar da época.

Mas é muito difícil um dique conter um mar encapelado, agitado em suas entranhas. Enquanto se mostrava dócil e tranquilo, o leve bater de suas frágeis ondas em nada lhe afetava

A mulher destronara o mito da força e partiu para o do saber. Nas Faculdades, as primeiras portas se fecharam horrorizadas ante a horda feminina...

Mas é muito difícil um dique conter um mar encapelado, agitado em suas entranhas... 

E as portas das Faculdades cederam. Lentamente. Uma a uma. E o segundo passo estava dado. Irreversivelmente.

Apesar de tanta renovação de valores, condicionados há séculos, empreendida pelos triunfos da mulher ao seu devido lugar na Sociedade, um detalhe fundamental emperrava a libertação vivencial da mulher: a maternidade. A mulher continuava a ser aquele “saco de óvulos”, mensalmente apta a gestar. E com isso, muitos empregos perdidos e muitas carreiras abandonadas.  Emocionalmente, a mulher ainda continuava presa à vontade de seu macho. Na cópula, para saciar a sua libido, o homem fecundava. E, no mais, a mulher que gestasse o filho, mesmo aqueles gerados sem amor.

Com os métodos atuais de preservação à natalidade, mesmo sem serem totalmente satisfatórios, como os anticoncepcionais hormonais, a mulher já pode planificar a sua família sem que a vinda de um filho se torne uma “catástrofe”, para si e para a própria família. Os filhos poderiam existir, pelo menos teoricamente, como resultante do AMOR, e por ele esperado. Quando o casal desejasse...

E, com as famosas “pílulas”, galgou mais um passo na grande caminhada iniciada há muitos séculos. Os Códigos dos países civilizados irão, inexoravelmente, se adaptando aos novos conceitos da mulher na Sociedade. Conceitos esses que a maioria dos homens admite, mas não aceita, acorda, mas não concorda.

Mas os homens evoluirão um dia. Talvez assim, havendo uma compreensão mútua e feliz entre homem e mulher, em que cada um compreenda sua função exata e medida como simples peça em evolução na grande máquina da Vida, e trabalhe para o bem comum da coletividade, haja PAZ e CONCÓRDIA entre os Homens.

E assim parem de se digladiar em guerras estúpidas e ridículas, deixando de ser os eternos Quixotes, bem mais caricaturados do que o querido e imortal personagem da genialidade de Miguel de Cervantes.

 

CONTATO

fale conosco, tire suas dúvidas, fale com os terapeutas, opine sobre os artigos e dê sua sugestão de conteúdo.

BIBLIOTECA/LINKOTECA SELECIONADA

Nosso objetivo é formar um banco de referências bibliográficas das diferentes Terapias Holísticas, para consulta de todos os interessados em mais detalhes sobre determinado assunto. Seria muito importante, e verdadeiramente interativo, se recebessemos sugestões , objetivando uma das finalidades do site Terapia de Caminhos que é compartilhar experiências e conhecimento. Clique aqui para acessar a terapia que deseja uma bibliografia selecionada para consultas.

"As opiniões emitidas nos textos do site são de exclusiva responsabilidade de seus autores".