- Ano II - nº 8(20) - Setembro/Outubro de 2008.                                                        Direção: Osiris Costeira

TERAPIA CRANIOSSACRAL - Tânia Cabral.

Terapia Craniossacral - O Caminho do Acolhimento

A Terapia Craniossacral (TCS) é uma terapia que oferece um trabalho através do toque, em que a abordagem corporal, terapêutica e meditativa, restaura a percepção corpo, mente e espírito. Esta forma de comunicação não verbal com o outro, através do corpo, tem a intenção - fundamental - de trazer de volta ao indivíduo sensações prazerosas de alívio e bem-estar.

Acreditamos que esta abordagem seja também um trabalho de integração somática, no sentido em que proporciona uma maior consciência corporal e estimula o contato com o seu próprio Ser, com o seu Eu Interior.

A partir deste contato, surgem pensamentos, sentimentos e sensações corporais que favorecem a atitude terapêutica do ACOLHIMENTO, fundamental para a execução da TCS, e que favorece, sem dúvida alguma, o processo de autocura.

A base fisiológica do processo é a restauração do “pulsar” do líquido cefalorraquidiano em que a atitude de recebimento/acolhimento proporcionará um espaço para que este líquido volte a fluir de forma mais saudável. Assim, as partes do corpo que não reproduzem este pulsar estão, provavelmente, comprometidas com algum tipo de desequilíbrio físico, mental ou emocional.

A TCS é um trabalho corporal baseado na combinação de um método cientifico com a intuição e a sensibilidade de cada praticante, e que trabalha diretamente com a corrente natural do fluido cefalorraquidiano no seu movimento livre, por entre meninges, em torno do encéfalo e da medula espinhal.

Esta corrente natural é um sistema existente nos seres humanos que envolve as estruturas localizadas desde o crânio, seguindo pela coluna vertebral, até a região sacral. Contém um sistema de membranas (meninges) por onde flui o líquor, em que uma membrana densa e impermeável, denominada dura-máter, impede a dispersão deste líquido, indiscriminadamente, pelo corpo.

O líquido cefalorraquidiano tem como funções principais a absorção de choques e a proteção biológica, distribuindo elementos de defesa ao logo das estruturas que são banhadas por ele. O Sistema Nervoso Central contém uma média de 165 ml de liquor, que é composto, quimicamente, por proteínas, glicose, uréia e sais minerais.

O que esperar da Terapia Craniossacral?

A TCS tem contribuído grandemente para restabelecer o estado físico e mental do ser humano, facilitando, desta forma, a cura interna ou autocura.

Os efeitos positivos da terapia dependem, em grande parte, das atividades fisiológicas autocorretivas que se observa no paciente durante o tratamento. De qualquer forma, o organismo como um todo é rejuvenescido, permitindo que o espaço para a observação de si mesmo aconteça espontaneamente.

Aos poucos, os pacientes sentem a dualidade corpo/mente se dissolver, e com isso conectados mais intimamente consigo mesmos, atingindo um espaço meditativo. Por causa de sua natureza sutil, profunda e atenta a pequenos detalhes, uma sessão enriquece a ambos, praticante e cliente. Igualmente.

Harmonia e equilíbrio são efeitos sentidos no trabalho, e trazem como conseqüências a dissolução gradual de problemas crônicos, o relaxamento e alterações nas emoções e no humor. Por isso, os principais benefícios no uso da TCS são observados na redução do estresse e da ansiedade, na melhora do Sistema Imunológico, no relaxamento do tecido conjuntivo ao longo de todo o corpo, no alívio de dores e tensões crônicas, inclusive cefaléias e enxaquecas, além de atuar nas disfunções do Aparelho Endócrino e nas da articulação temporomandibular. Contudo, recomenda-se não usar a TCS em portadores de fraturas recentes de crânio e de hemorragias cerebrais, bem como em mulheres no nono mês de gravidez, pelo risco de indução ao trabalho de parto, a não ser que esta seja a intenção do obstetra.

Como corolário dos benefícios atribuíveis à Terapia Craniossacral, as palavras do seu criador, em 1971, o médico e osteopata americano JOHN UPLEGER, que nos ensina a verdadeira Medicina Vibracional e Holística em que nós, terapeutas, somos apenas instrumentos da cura, e não os seus reponsáveis:

“Eu entendo agora que meu trabalho é como “facilitador” do processo de cura do próprio paciente. Este entendimento demorou desde o meu começo na medicina quando eu pensava que podia “curar” as pessoas. E “curei” todos os tipos de ataques do coração e ferimentos agudos. Eu, realmente, pensava que era eu quem estava fazendo aquilo. Eu me sentia culpado quando um dos meus pacientes não conseguia melhora.

Hoje eu sei que era imaturo e que estava numa “viagem de ego” durante aqueles primeiros dias. Hoje eu sei que é o paciente quem realiza a cura, e eu um privilegiado em observar e, talvez, participar do processo de cura do paciente. Hoje eu sei que sou um estudante e o paciente, meu professor.”

Concluímos que a TCS é um caminho de ACOLHIMENTO. Acolher significa aceitar, receber. O acolhimento está mais no ouvir e menos no falar, mais no receber e menos no fazer.

E como é difícil estar presente, ouvindo atento e disponível! Nos dias de hoje, estamos cada vez mais decididos a agir.Tudo a nossa volta nos leva a imprimir uma postura de ação, ir de encronto, resolver. Nossa cultura nos direciona a produzir e nos avalia pelo que executamos.

Vários são os caminhos para nos relacionarmos com o outro. A possibilidade de contato através do agir é o nosso cotidiano, tornando-se por vezes nossa única opção. Caminhos através do acolhimento são deixados de lado por serem desconhecidos, tornando-se cada vez mais raro encontrarmos alguém disposto apenas a ouvir o que temos a dizer, um ouvir atento, sem opiniões, sem considerações, mas estando junto.

O que for expresso é bem-vindo. Acolher é sentir o outro por dentro e, assim, enxergar sua alma. É ver no outro o reflexo de si mesmo que pode o acolher, e precisa, mais do que de uma solução, de um exemplo ou uma palavra, ainda que amiga.

E como é poderoso o ato de acolher: transforma quem é acolhido e ao mesmo tempo quem acolhe. Quão íntimo e preciso é estar ali, ouvindo e permitindo que o outro se coloque por inteiro, sem calar o que ainda não foi dito. Apenas aguardando o momento, ou talvez a permissão do outro, para se revelar.

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