- Ano II - nº 3(15) - Março de 2008.                                                                     Direção: Osiris Costeira

A LADEIRA DA RUA FONSECA TELES.

Há um bom par de anos, subia a ladeira da Rua Fonseca Teles, quase no Largo de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, carregando comigo toda a vaidade e quase soberba de calouro da Faculdade de Ciências Médicas, da antiga UEG e hoje UERJ, em seus primeiros dias de aula. Comigo, além da boina verde que escondia a cabeça raspada, um mundo de sonhos que brotava por todos os poros, irradiando uma confiança plena e absoluta no futuro, apesar de mal conhecer o presente e recém saído da própria adolescência.

E essa confiança representava não apenas a prometida e praticamente garantida ascensão social e econômica, daquele quase menino de classe média. Representava, e eu não sabia, a sensação futura – após a formatura, 6 anos depois - de que eu seria capaz, como médico, de CURAR e me transformar na figura do pagé ou do xamã de longínquas imagens de nossos ancestrais doutores.

E fomos embalados durante toda a formação médica através de conceitos que nos nortearam boa parte da existência, como a banalização da morte ou da vida, nos estudos de Anatomia, a verdadeira mágica dos bisturis ao penetrar no corpo humano e de lá tirar o espectro da morte, rendendo-o aos desígnios da Cirurgia, ou então a suprema mágica dos curandeiros ao prescrever as “poções” milagrosas capazes de interagir com as doenças, exterminando-as, e salvando o paciente qual cavaleiro encantado resgatando a sua amada donzela das garras do gênio do mal, através da Terapêutica Clínica.

Algumas décadas se passaram desde que eu subia a ladeira da Rua Fonseca Teles. Algumas décadas se passaram para que eu entendesse a verdadeira missão que eu assumia desde aquela época, agora já não mais de cabeça raspada e não mais de boina verde.

Precisei de algumas décadas para entender que nós, os médicos ou terapeutas, deveríamos atuar, fundamentalmente, no doente e não na doença, a não ser que haja lesão física necessitada de “reparos”. Fora isso, o corpo “apenas” espelha os adoecimentos do Ser, do indivíduo, ou seja do doente. A doença, física, tranforma-se num “grito de socorro” que este Ser exterioriza para tentar reverter os seus desequilírios, e ser feliz. Já dissemos em outra oportunidade que um Ser feliz não adoece o corpo.

E, o mais interessante, é que quando voltamos o nosso foco terapêutico para o paciente e não para a sua doença, descobrimos que - coitado daquele calouro sonhador da ladeira da Rua Fonseca Teles - nós terapeutas, médicos ou não - não curamos ninguém, em sendo simplesmente orientadores e encaminhadores dos desejos e permissões dos doentes.

Os pacientes adoecem por seu livre arbítrio, a mercê de um desequilíbrio de sua energia vital que se exterioriza no corpo físico, como conseqüência de um mau desempenho de sua relação com a Vida e com os demais seres com quem convive. E para reverter esses adoecimentos é preciso que ele - o doente - permita que isso aconteça para que haja o devido entendimento entre causa e efeito. A nós, terapeutas, cabe a incumbência de mostrar o melhor caminho a ser seguido. Quando, e se, o paciente quiser.

Assim, desta maneira, desaparece o pagé todo poderoso que CURA o seu paciente em função de seus conhecimentos/poderes, e nasce o terapeuta de caminhos que sugere, sem mágicas ou misticismos, as alternativas para uma vida melhor, sem conflitos, em busca da única obrigatoriedade do ser humano: tentar ser feliz.

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