- Ano II - nº 5(17) - Maio de 2008.                                                                     Direção: Osiris Costeira

OS “DEUSES” TAMBÉM CHORAM, ÁS VEZES, NO CONSULTÓRIO.

Quando meninos, no início da fase escolar, nas aulas de Catecismo preparatórias da Primeira Comunhão, tomamos conhecimento de três palavras totalmente novas para nós, e assustadoras em seus significados: onisciente, onipresente e onipotente, acrescido da dificuldade de se as pronunciar, visto que antigamente existia a letra “m” entre o “o” e o “n”, omnisciente, omnipresente e omnipotente. Tudo isso para nos apresentar DEUS, em suas mais importantes características. Na opinião, na época, dos catequistas.

Eram conceitos assustadores para nós, crianças, pois refletia um poder muito grande, inimaginável para aquelas mentes infantis, e o associávamos ao “poder” dos inspetores do colégio (que diziam que sabiam tudo de nós, aonde estávamos e o que fazíamos) e até ao ”poder” do sobrenatural das historinhas infantis, nas figuras do bicho papão ou da velha bruxa nariguda e desdentada. E no fundo, bem lá no fundo de cada um de nós, junto ao pavor dessas imagens residia também um certo quê de inveja e de desejo de os ter também, quem sabe, um dia.

Não sabíamos nós, naquela época, que DEUS era tudo isso, sim, mas para espalhar a grande energia do AMOR e não para impor um “comando” sobre nós. Além do mais, não sabíamos também naquela época que não precisaríamos “invejar” aquelas características de DEUS, porque nós também somos DEUS. Isso, realmente, ainda não sabíamos.

Os anos passam, as calças curtas encompridam, o ralo buço empretesse, e o olhar se torna inquisidor, reivindicando mais coisas para si, sabendo conjugar plenamente o verbo Ter, em todos os seus tempos, modos e pessoas. E muitos, sem que se apercebam – alguns sabem - desenvolvem plenamente as “suas” características de o(m)nisciência, o(m)nipresença e o(m)nipotência, principalmente a última, pois simbolicamente engloba todas as demais “características”. E se acham, realmente, um deus, ao seu modo, mas um deus. Não um Deus.

A gente os reconhece, de pronto, quando adentram no consultório e desfilam o rosário de desencontros, insatisfações, desamores, apesar de terem tudo para se encontrar, se satisfazer e amar, talvez não na quantidade e na intensidade de que se acham no direito. E, apesar de todo o endeusamento de seu “poder” onipotente, definitivamente não são felizes, e nem sabem o que fazer para serem. E, às vezes, choram. Os "deuses" também choram, às vezes, no consultório.

Não existem medicamentos mágicos, nem mágicas para “remendar” certos aspectos de nossas vidas. O necessário é, talvez, entender os porquês de nossas reações, na maioria das vezes sulcada no imaginário infantil/adolescente, e partir para uma vida “adulta”, responsável e real, em que a Vida é produto do aprendizado material para um entendimento espiritual daquilo que somos, e não daquilo que temos, sem que percamos a nossa dimensão física, material, humana. É na materialidade que evoluimos, que nos iluminamos. É no perfeito equilíbrio entre o Ter e o Ser que começa a noção de Vida, realmente a vida vivida, com o que somos e temos e não com o que achamos que os outros gostariam que mostrássemos e que tivéssemos.

Quando nos mostramos infelizes com aquilo que não temos, provavelmente não nos apercebemos daquilo que temos, ou não o valoramos devidamente. A onipotência quer sempre mais, sem se aperceber que já tem o suficiente para ser feliz. E com isso, não somos felizes com toda a nossa onipotência . Com todo o nosso endeusamento. Que grandes "deuses" são esses !

E aí nasce a depressão, proveniente das insatisfações de um deus repentinamente humanizado, em que a arrogância e o seu “poder” não conseguiram contruir nada nem conquistar ninguém. E nessa depressão está embutida uma imensa solidão, comum aos ditadores e aos grandes senhores onipotentes, que confundem a conquista com a posse, o respeito com a subserviência, e o Amor com o medo.

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