- Ano IV - nº 4(32) - Março de 2010.                                                     Direção: Osiris Costeira

APEGOS E DESAPEGOS

Eu já disse isso uma vez, em tom de brincadeira, mas cada vez mais reconheço como uma verdade: todos os pacientes que chegam ao nosso consultório são iguais, só mudam o CPF e as datas de nascimento. E isso, tanto para as origens de seus desequilíbrios, sempre o desamor, quanto para as manifestações desse desequilíbrio, exibindo apenas pequenas variações pessoais em sua sintomatologia de angústia, ansiedade, insônia, irritação e a sempre presente depressão .

E nesse conjunto de sintomas observa-se, direta ou indiretamente, a competição desenfreada entre as pessoas na conquista do Ter, mais e melhor, para supostamente conseguirem Ser, e se possível mais e melhor. E nessa verdadeira guerra de conquistas e derrotas para alcançar esse objetivo ao longo da vida, as oscilações de sua vida emocional em que ora sente a “felicidade” e ora amarga a sua “incompetência vivencial”, em tendo alcançado ou não os seus desejos.  Em suas estratégias de vida, para Ser, realmente o que todos querem, é preciso Ter. Sempre. Cada vez mais.

O interessante é que esse Ter existe no mais amplo sentido que se pode dar aos seus desejos, pois representa um imenso APEGO às suas coisas, não só às conquistadas como também às pensadas e sentidas. Esse apego não se refere apenas as suas posses materiais, mas também aos seus julgamentos e pensamentos, sempre rígidos e imutáveis por ser a expressão da “verdade”. E isso, independente das coisas ou pessoas a que se refira. E os radicalismos e preconceitos embutidos caminham sempre em direção à onipotência e à arrogância.. E tudo isso para, supostamente, Ter amor e Ser amado!

As pessoas não entendem que é “sendo” que “temos”, em todos os aspectos, pois o mais importante é aquilo que somos, e assim poderemos mais facilmente ter o absolutamente necessário para continuarmos a Ser. 

Quando nos desapegamos das coisas materiais e da rigidez de nossos sentimentos/pensamentos nos libertamos do julgo da imagem coletiva que nos obrigamos a ter para Ter.  Libertamo-nos da necessidade angustiante de nos mostrar como supomos que os outros admitem que deveríamos ser,  e não como gostaríamos, realmente, de ser. Com isso, libertamo-nos, também, da competição brutal a que nos rendemos ao longo da vida, cheios de sinais e sintomas clínicos, sempre em desarmonia com o bem-estar e o prazer.  

É preciso que entendamos que a “doença” é apenas a maneira pela qual exibimos ao mundo o nosso descontentamento. Como não sabemos ou não temos “coragem”, na maioria das vezes, de verbalizar os nossos desencontros com o que queremos/necessitamos, falamos através do corpo. E o lesamos, quase que masoquisticamente, para sermos atendidos / tratados / protegidos / amados. Um ser feliz não adoece o corpo.

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