- Ano IV - nº 8(36) - Julho de 2010.                                                     Direção: Osiris Costeira

SER ATOR OU PERSONAGEM, EIS A QUESTÃO

Há algumas semanas discutia com um paciente no consultório a respeito de uma série de escolhas que ele teria que fazer, e que, de certa forma, mudariam a sua vida, pois eram escolhas profissionais, caminhos novos a seguir, com visões diferentes para o seu futuro.

E ele defendia ambas as possibilidades de mudança como válidas, mas uma delas, muito nítida em suas considerações, era a sua preferida por uma série de razões e convicções. E estava inclinado pela escolha, terminando, assim, as suas dúvidas e ansiedades.

Contudo, ele nos traz uma imagem nova na discussão que tipifica e mostra a importância em nossas vidas da imagem que “oferecemos” às pessoas, e da qual vivemos praticamente escravizados: “Todo mundo acha que devo escolher a outra, pois será melhor para mim ao oferecer “status” e consequentemente mais credibilidade e aceitação”.

E isso nos mostra, de modo claro e insofismável, a necessidade perene que temos em agir sempre dentro de um padrão criado pelos outros, pela coletividade, em detrimento de nossa individualidade. Passamos a respeitar mais o grupo do que a nós próprios, em nossos sentimentos e valorações. O que o grupo ou o coletivo gosta e valoriza é, exatamente, o que podemos e devemos gostar e valorizar.

O importante é que a nossa imagem – mesmo em desacordo com os nossos gostos e valores – seja exatamente o que os outros determinaram como o correto. Não importa a nossa “imagem real”, pois o importante é a “imagem virtual” que transmitimos ao grupo do qual fazemos parte. Em outras palavras, preferimos valorizar mais o “personagem” do que o “ator”, e esse que represente da melhor maneira possível o seu personagem.

O grande problema é quando, apesar de excelentes “atores”, não conseguimos interpretar a contento o nosso personagem, inclusive por – muitas vezes – não gostar dele, e entramos em angústia por não termos coragem de mudar de personagem ou “matá-lo” para que o ator possa, finalmente, se mostrar como ele é, despojado das vestimentas, das máscaras e da interpretação de uma figura criada. Inexistente.

No fundo, ao aceitarmos a introjeção do personagem em nossas vidas, estamos simplesmente desrespeitando a nossa individualidade através de um ato de absoluto desamor a nós próprios; demonstração de que os “outros” são mais importantes do que nós, e para sermos felizes é preciso que sejamos aceitos e bem-vistos pelo grupo, o grande deus que norteia a vida de muitos de nós.

Eles se esquecem, e sofrem por isso, que a pessoa mais importante de nossa vida SOMOS NÓS, e por isso devemos respeitar e amar a nós próprios em primeiro lugar, sem que isso seja demonstração de egoísmo.

O personagem, por mais importante que seja na história, precisa de um ator, de um bom ator. Sem ele, verdadeiramente importante, os personagens não existem. Mesmo com bons autores.

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