- Ano V - nº 6 (46) - Maio de 2011.                                                     Direção: Osiris Costeira

BASTA DE CULPA

Há pouco tempo, não mais do que algumas semanas, recebi no consultório uma jovem senhora com pouco mais de 30 anos que manifestava grande ansiedade e todo o seu corolário de inapetência, insônia, insatisfação e, principalmente, se mostrando profundamente infeliz.

Depois de algumas sessões de longos monólogos da paciente, que realmente necessitava “vomitar” uma série de coisas internas que a afligia, nos relata que a sua vida mudou há quase três anos quando, após o seu casamento, passou a ter abortos espontâneos repetitivos não conseguindo engravidar, o grande desejo do jovem casal.

Nesse período havia se submetido a uma série de exames ginecológicos, alguns até invasivos, para se descobrir a razão pela qual não conseguia a nidação perfeita à continuação da gestação. E as frustrações aumentavam, e com elas a própria angústia, a cada vez que os exames eram inconclusivos e as origens de sua “doença” não esclarecidas.

Descrente e bastante desmotivada em prosseguir na busca de sua tão almejada gravidez, resolveu aceitar a sugestão de uma velha amiga de sua mãe que aconselhou que fosse consultar determinado indivíduo que tinha certos “poderes de ver coisas”, para tentar entender – quem sabe? – essa dificuldade real e sem uma explicação maior da própria Medicina.

E em uma das últimas conversas que tivemos ouvimos uma história excepcional narrada pela paciente, ao nos contar a entrevista que tivera com a tal pessoa que, como um Terapeuta de Vidas Passadas, “desvendou” as etiologias de sua dificuldade em gestar através de fatos de suas vidas anteriores.

Ao submetê-la à regressão em seu passado pretérito de outras vidas, de outras encarnações, encontrou a paciente há mais de um século sendo referência como a mais requisitada das “aborteiras” da sua região, em que todos os dias praticava inúmeros abortos em todas as mulheres que a procurava.

Segundo o “vidente” amigo da paciente essa era a razão fundamental para a existência de seus próprios abortos, mesmo naturais, impedindo que ela própria gestasse como aquelas mulheres em que praticou os abortos. Sugeriu que procurasse um Psicoterapeuta que “entendesse” de karma e de reencarnações, para que explicasse os porquês das coisas dessa vida e os superasse. E voltasse a ser feliz.

A primeira coisa que nos relatou, depois disso, era que estava desolada, pois se sentia uma “condenada”, sendo devidamente castigada, inexoravelmente, pelos atos cruéis que praticara, e que – realmente – não merecia ter filhos. Para ela, a culpa, imensa e inesgotável, era a verdadeira razão de suas angústias e tristezas, não tendo condições de ser feliz. Até expiar a sua culpa......  

Diante de tudo isso, só restava lhe dizer:

Na Espiritualidade não existem castigos a serem praticados com a finalidade de punir atos ou fatos inadequadamente desenvolvidos pelo nosso Livre Arbítrio. Pois, castigo e punição refletiriam desamor, ódio, rancor e principalmente “não perdão”, sentimentos absolutamente próprios dos humanos e inexistentes na Espiritualidade que é movida unicamente pelo AMOR.

Aquilo que, como dissemos, inadequadamente foi desenvolvido pelo nosso Livre Arbítrio será usado, e muito bem usado, como aprendizado ao vivermos em outra encarnação os sentimentos existentes nas circunstâncias em que praticamos a inadequação.

No caso, precisava sentir, agora, toda a sensação de incapacidade vivencial que devem sentir todas as mulheres que “precisam”, no seu entender, abortar, buscando ajuda dos “aborteiros”. Esses sentimentos são vivenciados agora pela “incapacidade fisiológica” de gestar e, inconscientemente, entrando em conexão espiritual com todas aquelas mulheres que passaram pela “aborteira”.

Não há castigo por não engravidar, e sim aprendizado do valor da própria gravidez e da reprodução, ungida pelo AMOR, único sentimento que rege as leis da Espiritualidade. No mais são coisas de humanos. 

Transforme esses sentimentos de culpa inexistentes em trabalho real e produtivo junto a gestantes e recém nascidos, celebrando a Vida e o AMOR com eles para absorver e aprender o que ainda falta em seu aprendizado referente à reprodução da Vida. E à perpetuação do AMOR.

 

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