- Ano V - nº 7 (47) - Junho de 2011.                                                     Direção: Osiris Costeira

FELICIDADE INTERNA BRUTA

Assisti na televisão, há pouco tempo, um programa extremamente interessante em que se focalizavam aspectos característicos do BUTÃO, ou “Terra do Dragão”, pequeno e fechado reino dos Himalaias, encravado entre a China (a Norte e Oeste) e a Índia (a Leste e Sul), cuja capital é Thimphu.

Com cerca de 700 mil habitantes, e não fazendo questão alguma de ser visitado por turistas que pagam uma diária para viver por alguns dias em seu território, o Butão apresenta alguns detalhes de vida, possivelmente, únicos em todo o mundo, e que merecem ser revistos e - quem sabe? - assimilados.

Oferecendo ao povo um reinado “democrático”, inclusive com um Parlamento atuante, Sigme Singye Wangchuck em Junho de 1974 foi coroado o 4º Rei do Butão aos 18 anos de idade, o mais jovem monarca do mundo, após a morte repentina de seu pai. Em seu discurso de coroação, assombrando a todos, deu a tônica de como seria o seu reinado e a vida de seu povo.

“A Felicidade Interna Bruta é muito mais importante do que o Produto Interno Bruto”, disse o jovem recém coroado. E não foi um mero slogan. A partir daquele dia, a filosofia da felicidade interna bruta guiou a política do Butão e seu modelo de desenvolvimento.

A idéia é que o modo de medir o progresso não deveria se basear estritamente no fluxo de dinheiro. O verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade, defendem os butaneses, tem lugar quando os avanços no material e no espiritual se complementam e se reforçam um ao outro. Cada passo de uma sociedade deve ser avaliado em função não apenas de seu rendimento econômico, mas também se leva ou não à felicidade o seu povo.

O lama Mynak Trulku, do Butão, explica: "A felicidade interna bruta se baseia em dois princípios budistas. Um deles é que todas as criaturas vivas buscam a felicidade. O budismo fala de uma felicidade individual. Em um plano nacional, cabe ao governo criar um entorno que facilite aos cidadãos individuais encontrar essa felicidade. O outro é o princípio budista do caminho do meio.”

Hoje, Wangchuck não é mais o rei, tendo passado a coroa a seu filho primogênito em 2005, de pouco mais de trinta anos, vivendo sozinho em uma cabana modesta. E quando as pessoas do povo se oferecem para lhe construir um palácio, ele diz que não, e que empreguem o dinheiro e o tempo que seriam gastos no castelo na construção de escolas e hospitais. E que fossem felizes, realmente, como ele era.

Evidentemente, não nos cabe julgar os aspectos político-econômicos reinantes no Butão, ou em qualquer outro lugar que porventura exista esta diretriz. Principalmente por não estarmos, aparentemente, “aptos” a entender este tipo de vida, em um país que somente em 1999 criou a sua primeira emissora de televisão e a rede da Internet, totalmente desconhecidas por eles até então.

O que gostaríamos de destacar é a necessidade de se “criar”, também, um índice de felicidade interna bruta, independente de termos e valorarmos o índice do produto interno bruto. É a conceituação de que o ser humano tem necessidade, também, de se sentir feliz, independente de seus computadores e de seus iPods. Diria mais, é obrigação de todos nós buscarmos a felicidade como foco principal de nossas vidas.

Será que para termos todo o aparato do chamado “progresso”, e os seus consequentes “confortos” materiais, necessitamos viver este tipo de vida a qual nos entregamos, em que a ansiedade, o medo, as competições e as sensações de menos-valia representam a moeda de troca e comercialização de uma “imagem externa” perfeita, criada para nos valorizar através de uma personagem que não somos nós?

Será que para termos todo o aparato do chamado “progresso”, e os seus consequentes “confortos” materiais, não conseguimos enxergar que a nossa individualidade humana, material e social, é uma capa no qual poderíamos alojar muito mais coisas do que vísceras, músculos, ossos, vaidades, ambições desmedidas e arrogâncias?

Nessa capa, raramente encontramos o Amor, matéria prima para a “felicidade interna bruta”.

Quem sabe, o dia em que coroarmos um jovem de 18 anos, cheio de sonhos e de Amor, poderá se comemorar o início do Reinado da Felicidade, onde “situação e oposição” compactuem das mesmas intenções e finalidades: “Fica instituído que a partir de hoje todo cidadão deste país terá o direito inalienável de ser feliz e viver em Paz, sendo revogadas todas as disposições em contrário.” Amém.

 

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