- Ano I - nº 5 - Abril de 2007.                                                                              Direção: Osiris Costeira

UM ÚNICO DIAGNÓSTICO.

Foi há muitos anos, nem me lembro mais onde nem quando. Mas a cena se mantém muito clara na minha memória, parecendo, às vezes, ouvir nitidamente os diálogos que existiram e sentir o entusiasmo daquele momento, como se fora há poucos dias. A importância do fato repousa na manutenção não só da imagem, mas do contexto de seu ensinamento que não desaparecerá, e que gostaria de compartilhar com todos pela sua sabedoria.

Foi numa clínica, casa de saúde, ou algo parecido, naquilo que chamamos de “Sala dos Médicos”, onde nós, médicos, tomamos cafezinho, água gelada e conversamos amenidades ou, especificamente, sobre algum paciente internado. Apesar de nunca ter tido o hábito de internar pacientes, muito menos em clínicas deste tipo, eu estava lá. Não sei porquê. Se é que estava !

Na Sala dos Médicos, num papo animado, estavam alguns colegas, três ou quatro, além de mim. Uns bebiam café, outros água e, se não me engano, um deles trocava de roupa para ir embora, numa total informalidade, característica desses momentos e dessas salas. Falávamos sobre as dificuldades de se fazer diagnóstico, e os diversos exames, às vezes exaustivos, invasivos e demorados, para se chegar a uma “hipótese” diagnóstica e, depois, quem sabe, ao diagnóstico. Lembro-me bem que, nesse momento, um dos médicos, às gargalhadas, dizia que muitas vezes o diagnóstico só era feito pelo patologista ou até pelo legista. Evidentemente, num hilariante humor negro.

E o clima transcorria nesse ambiente descontraído e relaxado quando, participante calado daquele grupo, resolvi intervir, talvez para participar mais objetivamente da troca de idéias, e iniciei dizendo: “Olha, na minha opinião, o diagnóstico ...”. Mal havia iniciado as minhas palavras, um dos médicos, creio que um cirurgião, absolutamente esparramado numa das poltronas da sala, demonstrando cansaço de uma pós-cirurgia, não deixou, praticamente, iniciar a minha fala, dizendo: “Você não vale, mas não vale mesmo. Você é psiquiatra, psicoterapeuta, psicanalista, sei lá eu o que, alguma coisa assim, e seus diagnósticos são diferentes dos nossos. E aí não vale”. “Como não vale ?”, tentei discutir com o colega. “Muito simples, meu caro psiquiatra. No seu consultório, todos os pacientes só têm um único diagnóstico”.

Evidentemente, que a opinião do cirurgião ecoou como uma “ofensa” à clínica psiquiátrica, pelo menos simplificando, demais, os intrincados labirintos pelos quais tentávamos andar e conhecer de nossos pacientes. “É isso mesmo, psiquiatra, todo paciente que vai ao seu consultório só tem um diagnóstico. E sabe qual é ? Desamor, meu psiquiatra, todos sofrem apenas de Desamor, nada mais do que Desamor. Daí partem todos os grupos, os sub grupos, os sub sub grupos que vocês inventam. No fundo, é uma coisa só: Desamor”.

Essa conversa, que não sei quando nem onde foi, mudou a orientação da minha vida profissional como psiquiatra, que passou à psicoterapia analítica e, mais tarde, ao holismo da Medicina Vibracional. Sua ação não se fez de imediato em termos de “devastação”. Ela teve o seu foco inicial de destruição quanto aos conceitos acadêmicos, racionais e rígidos. Mas o seu efeito maior foi a longo prazo, repercutindo em muitos outros setores da vida em que se passou a valorizar outras coisas, e mais intensamente.

E hoje, tenho a certeza que uma das mais importantes aulas de Medicina me foi dada por aquele cirurgião, naquela salinha dos médicos. Realmente, que outro diagnóstico poderíamos ter no consultório ? A grande energia vital, aquela que movimenta a vida em todos os seus parâmetros é apenas uma: o AMOR. Sem essa energia não há vida, e quando ela insiste em existir, assim mesmo, se mostra estagnada, parada, caldo de cultura para os mais variados tipos de contaminação. Muitas vezes, existe o AMOR, mas totalmente desorganizado e em desequilíbrio quanto a sua movimentação de DAR e RECEBER. As pessoas não entendem que é preciso DAR amor, afeto, carinho para - quem sabe ? – RECEBER, também.

As pessoas lutam, violentamente, se matando uns aos outros – real ou simbolicamente – para reivindicar afeto, muitas vezes confundido com valoração ou aceitação social/cultural. A competição desmedida que acomete a todos nós é em busca desse “afeto” denominado de poder e mando, sob qualquer aspecto. E, quase sempre, só queremos RECEBER. DAR, jamais, nem pensar. Quando perdemos a “guerra”, nos entristecemos com a nossa incompetência e nos castigamos. Adoecemos. Lesamos o nosso corpo. Muitas vezes aquele meu amigo cirurgião precisa ser chamado.

O único reparo que hoje faria àquela reunião, naquela Sala dos Médicos, é que não é somente no consultório do psiquiatra que temos um único diagnóstico. Em todos os atendimentos médicos diríamos – senso lato – que o grande diagnóstico é o DESAMOR, mascarado muitas vezes pela lesão corporal, que necessita de um “diagnóstico físico”, de antibióticos, antiinflamatórios, e até, às vezes, de um cirurgião.

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