- Ano VI - nº 4 (55) - Maio de 2012.                                             Direção: Osiris Costeira

AMOR INCONDICIONAL

 

Voltamos a conversar sobre o assunto “CULPA”, pois ele se mostra cada vez mais presente nos pacientes que recebemos no consultório, e gerando uma série de sensações extremamente conflituosas para o dia a dia de cada um, em que a ansiedade, a angústia e a depressão comandam a cena.

O último, há poucos dias, nos relata os problemas atuais de sua vida em que a dificuldade de realizar as suas tarefas se mostra tão diferente do que sempre foi: ativo e dinâmico, “não conseguindo ficar parado”. “E agora não consigo fazer quase nada, e com um imenso buraco aqui dentro do peito que me dá vontade de chorar, sem mais nem menos, assim de repente. E até na rua. Isso não é vida, doutor.”

“Mas se você não era assim, quando foi que começou tudo isso?”, perguntei a ele.

“Ah, doutor, já tem alguns anos, não muitos, desde que meu filho mais velho, a coisa mais importante da minha vida morreu. E morreu de uma hora para a outra, de uma maneira besta, num desastre de carro, no seu próprio carro que ele tanto sonhava”. 

“Mas como foi isso, me conte”, indaguei ao paciente.

“Era um doce de menino, e a gente se dava muito bem. Era como se fôssemos dois irmãos. Tinha vinte e poucos anos e já trabalhava e estudava de noite, pois queria, porque queria, chegar na faculdade. No momento, ter um carrinho era tudo que sonhava e trabalhava para isso, também. Mas para comprar, me pediu ajuda e eu participava com boa parte da prestação do carro que comprou.”

“Numa sexta feira, me lembro bem, não chegou em casa na hora de costume e mais tarde recebemos um telefonema do pronto socorro avisando que tinha sofrido um acidente com o carro e falecera.”

“Mais tarde só uma coisa ficava martelando na minha cabeça: será que, se eu não tivesse ajudado na compra do carro, ele estaria aqui comigo, ainda?”

E todo o drama deste homem/pai culpado se mostrava de uma maneira clara e nítida, apesar de absolutamente fantasiosa e auto flagelatória como, aliás, a grande maioria das “culpas” necessitadas de “castigo”.

Muitas pessoas, principalmente pais, arrogam para si a responsabilidade pela vida dos filhos, como de sua posse e direção, numa atitude de onipotência, não levando em conta que as pessoas, inclusive os seus filhos, são seres humanos independentes, com suas histórias próprias a desenvolver em função de mil coisas, inclusive do karma individual, inalienável à pessoa.

E, quando alguma coisa “não dá certo”, no olhar desses pais, a culpa é deles, exclusivamente deles, bem como as vitórias e as assertivas dos filhos não são deles, filhos, e sim dos pais.

Admitimos que a função dos pais é propiciar, com amor e compreensão, que os filhos cresçam capazes de enfrentar, por si só, os desafios da vida e da Vida, para que possam desfrutar de um aprendizado que eles necessitavam e pediram, mas com prazer e em busca da felicidade.

A tristeza e a angústia desse pai escondem, também, a sua “incompetência” em proteger o filho das coisas ruins da vida, inclusive da morte, num delírio de onipotência divina, capaz de tudo e a qualquer preço.

Filhos é sinônimo de participação para que cresçam sadios e capazes; é sinônimo de compreensão para as suas insuficiências e dificuldades; e é sinônimo de louvor para as suas conquistas, desde que saibamos respeitar as suas individualidades e o livre arbítrio de cada um.

Filhos é sinônimo, antes de mais nada, de AMOR, de AMOR INCONDICIONAL. Jamais de culpa.

 

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