- Ano VII - nº 3 (61) - Abril /Maio de 2013.                                           Direção: Osiris Costeira

SOLIDÃO DE AMOR

 

Há algumas semanas recebi no consultório uma nova paciente que, depois de "tecer o seu rosário" de inadequações de vida, nos relata, quase que textualmente, que se sente imensamente solitária, e que o seu mundo é uma imensa SOLIDÃO.

Se não fosse a faixa etária da paciente - menos de trinta anos -  tais declarações seriam absolutamente "normais" ao grupo de pessoas que recorre à terapia para se sentir mais enquadrada na vida.

E ela nos relata que não consegue se enturmar com os seus amigos de trabalho, nem com os do clube - que raramente frequenta - se mostrando, quase sempre, solitária e só, em casa ou excepcionalmente com alguém da família. Sem nenhum sabor.

O tempo de nossas conversas, lamentavelmente, não é suficiente para termos uma idéia de suas dificuldades vivenciais, mas a problemática SOLIDÃO, esta sim, é por demais conhecida de todos nós psicoterapeutas.

Ela representa, antes de mais nada, o medo de comungar a amizade e o companheirismo com outras pessoas e, "obviamente", ser comparada e disputar o valor/amor com os amigos, companheiros normais de sua vida.

Este aspecto é tão importante na vida de todos nós que Edward Bach, a grande Luz que  redimensionou a terapêutica dos Florais,  separou três de seus florais - Water Violet, Impatiens e Heather - para atuar junto aos pacientes com a "sintomatologia" da Solidão.

Para que esse receio, ou mesmo medo, não se evidencie, o mais fácil é, sem dúvida, não manter contacto com as pessoas. Com ninguém. Só assim não será comparada.  Evidentemente, sem comparação não haverá a possibilidade de rejeição.

E, por que a rejeição?

O subjetivo nunca tem as respostas "objetivas" que a materialidade deseja para consubstanciar as suas conclusões e aquietar as suas dúvidas.

Esquecem que a vida emocional, principalmente durante a infância/adolescência, é produto de símbolos, arquétipos, que permanecerão para o resto de suas vidas. Ativos. Vivos.

E representarão "verdades" que moldarão as atitudes e a vida das pessoas em função "daquelas realidades", independentes de qualquer julgamento dos outros, e de si próprio. A sentença foi proferida!

E essas "verdades" são, na maioria das vezes, introjetadas em seus inconscientes por papai/mamãe, que nem sempre são devidamente entendidos por seus filhos, gerando conceitos não necessariamente legítimos, mas avassaladores em suas repercussões.

Nasce a competição. Principalmente quando há irmãos. Já queridos "há algum tempo".

Quando adultos, compartilham a vida com outras pessoas, e, sem se  aperceberem, reproduzem, absolutamente, a "art décor" de suas infâncias/adolescências, em que os personagens são os mesmos, apenas mudam em suas representações reais. Mudam os atores. Permanecem os personagens.

E, na formação personológica, não só os aspectos de competição fazem parte, objetivamente, dos medos que podem levar à reclusão, e à solidão.

Muitas vezes, por razões culturais, sociais, econômicas e, inclusive, místico-religiosas, as crianças são induzidas à criação de uma "mais-valia" exagerada, "hipertrofiada" aos valores reais e "normais".

E isso, possivelmente, para enriquecer os egos de papai/mamãe ao participarem da vida de seus "geniozinhos". Contudo, nem sempre são tão "geniozinhos" assim. São apenas normais. Mas inferiores ao que "deveriam ser" por força de suas formações.

Competir na vida, "nem pensar". Logicamente, perderiam. A solução é ficarem sós.

As reações emocionais das pessoas, adultas ou mesmo crianças, são sempre imprevisíveis, pois falam da história pessoal de cada um.

Mas, de um modo geral, mais uma vez focalizamos uma realidade que aprendemos no dia a dia de nossos pacientes, ao sintetizarmos, num único diagnóstico, toda a patologia emocional de todos nós: DESAMOR.

A necessidade de solidão, ao tentar se esconder das pessoas e da própria Vida, apenas reflete, como sintoma, a imensa solidão/ausência de AMOR, aonde não se dá amor porque, supostamente, não temos, e não recebemos amor dos outros porque "ninguém" nos ofereceria.

Sem dar nem receber, a única alternativa, é a solidão. Sem AMOR.

 

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