- Ano VII - nº 5 (63) - Agosto /Setembro de 2013.                                           Direção: Osiris Costeira

MEU ÍDOLO "CHE"

 

Um dia desses estava lendo sobre personagens de nossa História quando reli a respeito de um dos meus ídolos, na década dos anos de 1960, que além de colega médico foi um revolucionário nos sonhos cubanos de 50 anos atrás.

Tão importante ele era naquela época que a Turma de Formandos de 1968 da Faculdade de Ciências Médicas, atual UERJ, a minha turma de graduação, teve como Patrono o Dr. ERNESTO GUEVARA. Evidentemente censurado pela, então, Universidade do Estado da Guanabara.

Chamou-me à atenção, mais uma vez, a sua condição de asmático e as características personológicas que exibia, e que muito tempo depois vim a observar em meus pacientes de Psicoterapia. Mas,  naquela época só haviam olhos para o "Che" líder revolucionário, e não para o "Che" asmático.

Eles, os pacientes, têm provavelmente uma história bem rica de adoecimentos que se transformaram na angústia de uma crise de dispnéia asmática.

A crise de asma é sentida pelo paciente como um sufocamento que põe em risco a sua vida, e o paciente luta pelo ar e a sua respiração é resfolegante. Ao que parece, a expiração é especialmente sufocada.

Esse é o quadro clínico. Dramático. Às vezes desesperador para aquele corpo que não consegue respirar. E o Ser que habita este mesmo corpo dispnéico, o que estará querendo dizer com tanta angústia?

Na realidade, o mais importante dos componentes de sua patologia interna é a grande dificuldade de conviver com o dar e o receber, principalmente se substituirmos ar por afeto ou amor. Para receber temos que dar, na mesma ritmicidade do inspirar/expirar, para que a nossa contabilidade afetiva esteja equilibrada.

O asmático tenta receber em demasia, com medo, talvez, de não ter outra “chance” de ganhar o que acha que necessita, e o retém. Com isso acaba se envenenando com o próprio ar, agora rico em gás carbônico, que não conseguiu expelir.

Esse dar e receber coarctado leva, literalmente, à sensação de asfixia e quase morte. E a dificuldade de relacionamento, imposta pela incapacidade de dar e receber afeto, gera uma necessidade de fuga, isolamento, e desejo de mando e poder em seu “pequeno mundo”.

Por vezes, extrapola os seus muros e se aventura, de modo idealista e romântico, ao grande mundo real, até encontrar e enfrentar outra pessoa pelo mesmo mando e poder. Como não sabe se comunicar, e tem medo, transforma tudo em nova crise asmática. E tudo pela insuficiência de amor, para dar e receber. E o "Che" é um belo exemplo.

E o que será que leva determinadas pessoas a se posicionarem dessa maneira, absolutamente carente, impedindo que possa oferecer o seu afeto e, quem sabe, também receber o amor de alguém. Espontaneamente. Sem obrigação.

A mente humana é extremamente rica em suas manifestações, inclusive como base para futuras reações personológicas. E é na infância/adolescência, período de absorção de valores e exemplos, que moldamos, na maioria das vezes, a nossa personalidade de "adulto" numa osmose sutil e não percebida.

E desta riqueza observamos muitos pacientes que, apesar de adultos, nunca deixaram de ser crianças, com atitudes infantis e "em busca" simbólica de papai/mamãe para resolverem os seus problemas reais.

Muitas vezes, o "zelo" de papai/mamãe é tão grande que não permite que os filhos procurem aprender e resolver da melhor maneira os problemas surgidos. Eles podem ser resolvidos, mais rápida e sabiamente, por papai/mamãe.  

E essa "defesa" oferecida redunda numa não permissão de envolvimento com as demais pessoas com quem convive e inclusive ama, e na necessidade de se esconder ao invés de discutir, de modo adulto, as suas dúvidas e principalmente os seus medos, geradores de desencontros e desamores.

E em nome de um amor que, provavelmente, não conhece porque não se permite compartilhar.

Por tudo isso, inclusive em nome de meu grande ídolo "Che", não tenhamos medo de amar, em dando e recebendo, pois a Vida sem AMOR é absolutamente incompatível com a evolução a que nos propomos nessa vida.

Muito AMOR para todos.

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