- Ano VIII - nº 3 (67) - Maio /Junho de 2014.                           Direção: Osiris Costeira

FILHO, NÃO TENHAS MEDO. VAI LUTAR!

 

Algumas semanas atrás recebi no consultório um jovem, pouco mais de trinta anos, recém formado em Medicina, que veio em busca de "respostas" para as suas ansiedades e medos, notadamente em termos de início de vida profissional e a consequente sensação de incompetência e incapacidade vivencial.

Ao longo de nossa conversa  mostrou toda a sua necessidade de não crescer, internamente, e se tornar verdadeiramente um adulto, pleno de suas responsabilidades e deveres para com a Sociedade e para consigo próprio.

A graduação em Medicina trouxe, assim imaginamos, a "necessidade e a obrigação" em seguir o seu próprio caminho, libertar-se da  casa de papai e mamãe  em que se sentia "protegido" e sem necessidade de lutar pela sobrevivência, e principalmente dirigir a sua vida para coabitar com a coletividade, participando dela e se sentindo útil a ela.

Todos esses sentimentos do meu jovem paciente me fizeram lembrar, de quando eu era jovem como ele, de um poema que escrevemos ao sentir, também, a "necessidade e obrigação" de participar do grupo social, independente dos liames afetivos que nos ligam à família, e nos tornar responsáveis  e comandantes de nossa vida.    E dissemos o seguinte:

 

Medo à Liberdade

Filho, não tenhas medo. Vai lutar!

Faz como aquela avezinha

Que revoluteia pelos ares, indômita,

Qual animal de grande porte.

 

A avezinha não ansiava

Por fugir ao conforto do ninho onde,

Entre arroubos de ternura e de carinho,

Recebia alimento e amor

Que a avezinha-mãe, zelosa, lhe oferecia ...

 

O que acontece, é que

Quando a ave-mãe descobre que  a

Ave-filho já tem asas sólidas, e que pode voar,

O impele para fora do ninho,

Que vá trabalhar,

Que vá em busca de seu próprio alimento,

Que voe,

Que não seja malandro,

Que se vá e deixe o ninho para os outros que hão de vir.

 

E ele, o passarinho-filho,

Parte indeciso, descrente, a princípio,

Na sua auto-suficiência ...

 

Salta, pipila, procurando imitar os mais fortes,

E cai, desequilibrado, ofegante,

Apoiando-se ora na tenra asa

Que baqueia e não responde aos seus anseios,

Ora reage sobre as frágeis pernas

Que mal sustêm o minúsculo e quase implume corpo.

 

Então,

Abandona todo esforço de equilíbrio

E deixa-se cair, quase inerte,

Sobre a argila que o fere e o aquece.

 

E, contempla o infinito onde

Revoluteiam miríades de seus semelhantes,

Numa sinfonia de cores e de músicas,

Rasgando o espaço em incríveis devaneios coreográficos ...

 

E descrê atônito que possa, um dia, igualmente,

Voar, cantar, singrar os ares

Numa alegria álacre.

 

Ofegante, semicerra os pequeninos olhos,

Retrai a cabecinha e entrega-se à sorte,

Á morte, talvez.

 

E sonha, e chora,

E sente a falta do conforto do ninho

Em que bastava abrir os olhos, agitar-se,

E já ali estavam o alimento e o carinho,

O zelo e o amor.

 

Por que o teriam enxotado?

Que mal fizera?

Onde andaria a mãezinha que não o socorria?

Tinha fome e frio, medo,

Ninguém o agasalhava,

Ninguém lhe dava alimento,

Ninguém o acalentava ...

Por que?

 

Nisto, um ruído estranho lhe assalta!

Algo como um resfôlego,

E eriçou-se todo de pavor ...

 

Abre lentamente, instintivamente,

Os desconsolados olhinhos, e

- Céus!!!!!

Um animal muito feio, de olhar felino,

Esgueira-se, rastejante,

Olhos de fogo, fitos nos seus ...

 

Então,

Reúne todo o esforço de que é capaz,

Aciona as asas, e

Milagre!!!!!

Ei-lo em pleno vôo!

 

Pousa no galho do primeiro arbusto que encontra,

Retesa as pernas, empena o pequeno busto,

E mede toda a extensão de seu Destino:

De pigmeu que era

Sente-se, agora, um gigante ...

 

Olha a árvore mais próxima,

Compara a distância, Tenta arremeter.

Recua.

Tenta outra vez, e

Lança-se no espaço indo alcançar o galho desejado.

Outra tentativa em nova direção,

Mais outra,

Várias tentativas e outros tantos sucessos.

 

Por fim,

Lança-se ao Infinito, cheio de orgulho,

Desaparecendo na amplidão como a

Gota d'água que rola da montanha,

De pedra em pedra, de vale em vale,

E vai fundir-se na imensidão do oceano.

 

Filho, não tenhas medo. Vai lutar!

Faz como aquela avezinha

Que revoluteia pelos ares, indômita,

Qual animal de grande porte.

 

 

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