- Ano I - nº 8 - Julho de 2007.                                                                              Direção: Osiris Costeira

O PROCESSO DE CURA.

Há umas semanas atrás, ao iniciar uma sessão de psicoterapia com uma cliente, ela me informou que iria suspender a terapia, e que aquela deveria ser a última. Sem fitar o terapeuta, com os olhos baixos, disse: “Não adianta, eu não melhoro mesmo. Venho aqui há dois meses e não melhorei nada, não melhorei nada. E, olha, eu não faltei nenhum dia, apesar de você dizer que eu não vinha, que não estava presente. Por isso, acho melhor parar”.

Um dos problemas que rodeiam as sessões de psicoterapia, pelo menos numa primeira fase, é sem dúvida a “presença do paciente”. Nem sempre a ida física ao consultório representa a presença do paciente, quando, simplesmente, ele não quer ir, não quer participar da terapia, não quer compartilhar com alguém a sua problemática. As revivências, e a conseqüente discussão dos sentimentos relativos aos fatos, nem sempre são agradáveis e prazerosos.

É preciso que o paciente entenda que muitas vezes os assuntos banais e absolutamente superficiais trazidos à sessão são meros mecanismos de defesa para ocultar o que verdadeiramente o incomoda. E o tempo passa e ele não consegue verbalizar o que – quem sabe - gostaria de discutir com o seu terapeuta. São bloqueios, censuras que não permitem que o paciente interaja na terapia. É como se ele, internamente, não permitisse melhorar a sua vida.

Esses aspectos, tão comuns às sessões de psicoterapia, são extremamente importantes para que – terapeutas e pacientes – tenham a clara imagem de que é preciso que o paciente permita a melhoria no processo de cura. Sem isso, não há terapeuta que “cure” ninguém. E este aspecto não se restringe à psicoterapia, muito menos às terapias holísticas. Na alopatia, muitas vezes o médico não consegue explicar porque determinada medicação, para determinado paciente, não funciona, e o paciente continua doente, sem melhoras, apesar de conhecido como medicamento altamente eficaz.

Este é o ponto-chave de todas as terapias, qualquer que seja a técnica empregada: a “cura” se fará através do desejo e da permissão do paciente. Cabe ao terapeuta, usando a sua arte e todo o arsenal holístico de que se dispõe atualmente, mostrar ao paciente que a Vida é fantástica, e que ele tem todas as possibilidades de usufruí-la integralmente com paz, sabedoria e serenidade. Desde que se permita, que não se julgue, eternamente, num tribunal interno, arbitrário e parcial, em que ele é, ao mesmo tempo, réu, vítima, juiz e carcereiro. E sem direito à defesa.

Quando o paciente não quer a “cura”, prefere continuar purgando os seus fantasmas e sem reconhecer, muitas vezes, a realidade “real” das personagens com quem contracena diariamente no palco de sua vida, só resta ao terapeuta lamentar, sem culpas ou arrependimentos, e concordar com o paciente na sua “alta à pedido”.

CONTATO

fale conosco, tire suas dúvidas, fale com os terapeutas, opine sobre os artigos e dê sua sugestão de conteúdo.

BIBLIOTECA/LINKOTECA SELECIONADA

Nosso objetivo é formar um banco de referências bibliográficas das diferentes Terapias Holísticas, para consulta de todos os interessados em mais detalhes sobre determinado assunto. Seria muito importante, e verdadeiramente interativo, se recebessemos sugestões , objetivando uma das finalidades do site Terapia de Caminhos que é compartilhar experiências e conhecimento. Clique aqui para acessar a terapia que deseja uma bibliografia selecionada para consultas.

"As opiniões emitidas nos textos do site são de exclusiva responsabilidade de seus autores".