- Ano VII - nº 4 (62) - Junho /Julho de 2013.                                                                Direção: Osiris Costeira

ENCONTROS - Thanya Althea- tanya.althea@gmail.com

Paganelli

 

Hoje, 26 de abril, escrevo este artigo num local “encantado”, na região da Úmbria, em meio a montanhas verdes e floridas, num ambiente diverso ao que estamos acostumados no Brasil, com temperatura de 3 graus pela manhã, e sol brilhante, entremeado por chuva fina, chegando a 16 graus.

Todo o ambiente cheira a flores, é primavera aqui, os pássaros cantam felizes, inclusive o cuco, enchendo o ambiente com seu mágico canto, desconhecido ao vivo por mim até hoje.

Sinto-me honrada e abençoada por ter vindo parar aqui pois, sem saber dos detalhes, aceitei  o convite com o coração aberto e ganhei este presente.

Fui convidada por um amigo de Roma a passar uns dias na “casa de férias de sua familia, em Norcia, junto às montanhas e à Natureza, numa pequena Vila.”

O lugar è mesmo bem pequeno como ele me disse, com umas 15 casas e sítios com criação de patos, cavalos, galinhas, porcos, ovelhas e cabras. E uma igrejinha desativada de S. Salvatore do século XVII.

Ao redor, altas montanhas com resto de neve no topo e outras Vilas nas redondezas. Saimos para uma grande caminhada e pude sentir o ambiente e a calma de séculos, ainda preservada neste lugar.

 Paganelli é o nome da Vila onde estou, e vem de Pagan – Pagãos…

Paganismo era a antiga religião dos Celtas e dos povos que habitavam a Europa antes do Cristianismo ser obrigatório. E eles tiveram que se converter quando o Rei Constantino de Roma converteu-se também. Até então, ele  era conhecido como o Rei Sol.

Os pagãos são ligados na Natureza, nos animais, e têm profundo respeito e honra pela terra e seus frutos.

Politeistas, adoram vários e diferentes Deuses e Deusas, dependendo de cada região da Europa. Muitos destes foram transformados em Santos e Santas Cristãos. 

As celebrações  eram constantes neste povo alegre que cantava e dançava celebrando a vida e as bençãos da terra, através dos bardos, seus poetas e musicos.

Estas festas são, até hoje,  celebradas, relembrando esta energia através de tradições que foram passadas adiante oralmente.

A Deusa Mãe era honrada e respeitada, e seu matrimonio com o Deus sempre celebrado pelo seu povo, relembrando que todos temos esta ligação com as energias feminina e masculina da criação, e que é através dela que se cria a vida em nossa terra.

Farei esta celebração aqui com o povo Pagão, num ritual chamado Beltane.

As montanhas ao redor pertencem a um Parque, chamado Sibillini, e permanecerão preservadas para as futuras gerações

Sybilla era o nome da “feiticeira” que aqui habitava, e que com suas cartas adivinhava o futuro das pessoas e as ajudava deste modo.

Assissi, onde nasceu Sao Francisco em 1826, cidade que fica perto daqui, também nesta Região da Úmbria, mostra-nos a ligaçao de São Francisco e de Santa Clara com a Natureza e os elementos, água, terra, fogo e ar. Eles também se chamavam, um ao outro, de irmão Sol, irmã Lua.

Os pagãos celebravam seus grandes festivais de acordo com a Roda do Ano, e dela faziam parte as diferentes celebrações dos solstícios e equinócios que marcam as mudanças das estações do ano.

Algumas destas celebrações são repetidas por nós brasileiros, sem saber de suas origens, como o Natal e as Festas Juninas que têm sua origem na festa pagã do Nascimento da Criança Sagrada.

O Sol, no solstício de inverno, em torno de 21 de dezembro no Hemisferio Norte, era o maior festival pagão, que foi conservado pelo cristianismo, além das festas Juninas, onde celebramos o casamento, com sua dança de casais e com o pau de fitas (may pole).  

Repetimos estes costumes, sem saber que representam o casamento sagrado.

Assim é a tradição pagã, onde o Handfasting era celebrado pelos casais que atavam suas mãos como representação de uma nova vida juntos, e pulavam a fogueira que simbolizava a purificação, em que a vassoura simboliza a entrada nesta nova vida juntos.

Será aqui no Hemisferio Norte, onde me encontro, o Festival dos Fogos do Deus Bel – Belltane, e que terei a honra de participar, na Antuérpia- Bélgica, no próximo dia 30 de abril.

Esta é a celebração  que repito durante os Casamentos Celtas que venho realizando desde 2006, de acordo com minhas lembranças ancestrais.

Trata-se de uma festa realizada na Natureza, uma benção compartilhada com Deuses e Deusas, e com amigos e parentes que trazem oferenda aos noivos representando a prosperidade e abundância em sua nova familia .

Aqui, neste lugar, com tudo o que está acontecendo, sinto-me abençoada por ter sentido e seguido este  meu caminho.

Eu sou Tanya Althea, e amorosamente agradeço. 

 

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