- Ano III - nº 2(23) - Março/Abril de 2009.                                                               Direção: Osiris Costeira

FITOTERAPIA - Iára Vieira.

Paracelso. O Poder da Cura.

“Aquele que pode curar enfermidades é médico. Nem Imperadores, nem os Papas, nem os colégios, nem as escolas superiores podem criar médicos. Estas apenas podem conferir privilégios e fazer com que um indivíduo que não é médico, pareça que é.  Podem lhe dar permissão para tratar e até para matar, mas não podem lhe dar o poder de curar!  Não podem fazer um médico verdadeiro se não lhe for concedido este direito por Deus.  O verdadeiro médico não se jacta de sua habilidade, nem exalta sua medicina, nem procura monopolizar o direito de explorar o doente.   Sabe que a obra deve elogiar o autor e não o autor a sua obra.

Há um conhecimento que deriva do homem, e outro que deriva de Deus, por meio da Luz da Natureza.  Aquele que não nasceu para ser médico, nunca terá êxito.  O médico deve ser leal e caritativo.  Aquele que ama a si mesmo e ao seu próprio bolso, fará muito pouco bem pelos seus doentes.

A Medicina é muito mais uma arte do que uma ciência.  Conhecer experiências obtidas pelos outros é útil para o médico.  Porém, toda a ciência dos livros não pode fazer de um homem um médico, a menos que o seja por natureza.  Só Deus dá a sabedoria médica.”

Plantas Medicinais e Fitoterapia são aquelas que podem ser usadas no tratamento ou na prevenção de doenças, estão entre as formas mais antigas de medicina.

Vamos abordar primeiro, um pouco de história:

O primeiro registro sobre as propriedades curativas das plantas está no "Pent São",  que é um texto botânico-medicinal chinês, datado do ano de 2.800 a.C.  

No Ocidente, o  registro mais antigo sobre as plantas é o papiro de Ebers, encontrado no Egito, datado de 1.700 a.C.

Hipócrates (460 - 377 a.C.), criador e representante máximo da Escola de Cós, considerado o "Pai da Medicina", discorre sobre o uso  correto das plantas medicinais e estabeleceu um divisor na história. Os métodos utilizados para a investigação das enfermidades sofreram um "corte" epistemológico que irrompe na história do pensamento; estabelecendo, a partir daí, um conhecimento científico do homem, a verdadeira medicina científica; sua obra Corpus revolucionou o método em medicina. Trouxe o desenvolvimento da  clínica  médica, da  observação, da anamnese, da descrição dos fenômenos patológicos.  Defendia a individualidade e a indivisibilidade do ser humano. Com ele vem o conceito de "Não existem doenças, mas indivíduos doentes".  Entendeu a physis (natureza) o "médico das enfermidades", refere-se à "vis medicatrix naturae" (forças curativas da natureza), texto "Das Epidemias", esta força operava em todos os seres como "servidora", favorecendo os indivíduos enfermos, as eliminações, as substituições mórbidas, a recuperação e a regeneração das lesões.  A Medicina Hipocrática defendia que o médico deveria limitar-se a agir como um "servidor da natureza.  Deu à medicina, noções básicas de intervenções terapêuticas e a idéia de individualização do tratamento, não era oportuna a intervenção terapêutica sem considerar a totalidade, já que é exatamente este "todo" o principal fator de eficácia da dinâmica terapêutica.

Paracelso (1493-1541), médico, químico, alquimista, filósofo, historiador, defendia a existência de um agente anterior divino que atribuía e mantinha a vida.  Criador da "Teoria das Assinaturas" onde teorizou sobre os espíritos dos diversos reinos, animal (Archeus), mineral e vegetal, seus  nomes e regentes específicos apontavam suas virtudes medicinais através de suas propriedades físicas, sua "assinatura" e a "transformação do espírito universal" ou a essência de todas as coisas; seguidor de Hipócrates.

Estabelece quatro princípios vitalistas, pilares da medicina vitalista:

a) estudo da natureza; b) individualização do doente; c) individualização do remédio; d) lei da similitude.

 Dioscórides, em seu tratado "Matéria Médica",  cita 600 plantas medicinais de uso corrente na época.

No Renascimento, a descoberta das Américas e seus Xamãs indígenas, trouxe o "renascimento" da fitoterapia e outras práticas médicas.

No período pós-revolucão industrial, com o início da indústria de síntese, a fitoterapia passa a ser relegada a um plano secundário. Ressurge no final do século passado, com o nome de Fitomedicina, que traz para a clínica, o uso tradicional de plantas medicinais.

Desde os tempos mais remotos, as plantas sempre estiveram presentes na vida do homem. A utilização dos vegetais com fins terapêuticos é anterior ao desenvolvimento da ciência. Cada povo possui sua própria listagem de ervas medicinais, geralmente plantas comuns no território em que habitam, cujas aplicações são transmitidas através de gerações. Nas tribos indígenas, por exemplo, o pajé, uma das maiores autoridades depois do cacique, nada mais é que um profundo conhecedor dos segredos do mundo vegetal, um curandeiro naturalista.

É difícil precisar como as propriedades terapêuticas dessas plantas foram descobertas. Talvez por instinto, por intuição e até mesmo através da observação dos animais, que se valem dessas valiosas plantas e ervas medicinais para a cura de seus males.

Hoje, apesar do desenvolvimento da ciência e da medicina, as pessoas têm procurado tratamentos alternativos, mais naturais, que não apresentem efeitos colaterais.

Temos na fitomedicina, uma ponte entre a alopatia e os métodos naturais de tratamento, onde os fitocomplexos complementam dos medicamentos de síntese e os procedimentos técnico-cirúrgicos, usando produtos menos agressivos, mais fisiológicos e de menor custo, com eficácia comparável aos medicamentos de síntese, e com menor incidência de efeitos colaterais. Não pretendemos que a fitomedicina venha como solução mágica, e muito menos desejamos desprezar a alopatia e todos os demais progressos da medicina em todos estes anos, e sim, acrescentar para os profissionais de saúde, mais esta forma de tratamento, antiga, porém atual, acessível, eficaz e naturalmente adequada.

PAZ E LUZ A TODOS AQUELES QUE COMPARTILHARÃO, A PARTIR DE AGORA, DA NOSSA FARMÁCIA VERDE VIVA.

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