- Ano II - nº 1(13) - Janeiro de 2008.                                                                     Direção: Osiris Costeira

FLORAIS - Osiris Costeira.

A excessiva preocupação com os outros.

Edward Bach dizia, há mais de setenta anos, que as doenças reais e básicas do Homem são certos defeitos como o orgulho, a crueldade, o ódio, o egoísmo, a ignorância, a instabilidade e a ambição.

Muitas vezes, determinadas pessoas exibem, como características básicas de suas personalidades, a associação de alguns desses defeitos, fazendo com que a vida se torne extremamente difícil, tanto para eles como para os que convivem com eles.

O egoísmo. a ambição e o orgulho quase sempre estão unidos, moldando o perfil de certas pessoas que se notabilizam pela onipotência, arrogância, possessividade, conseqüências de um comando tiránico e ditatorial para com as pessoas de seu convívio. E, dessa maneira, com o intúito de sempre serem a grande estrela, destacam-se através de um poder qualquer, criado por eles para eternizar o seu mando e manter as pessoas ao seu redor. Mesmo subjulgadas e amedrontadas. Mesmo sem nenhum amor.

Para essas pessoas, mais preocupadas com os outros do que consigo, Edward Bach criou cinco florais que abrangem as várias nuances desse tipo de personalidade, que são: Beech, Chicory, Rock Water, Vervain e Vine. Vamos conhece-los:

Beech (Fagus sylvatica, Faia) é uma árvore européia da família das Fagáceas, a mesma do carvalho e do castanheiro, podendo viver até três séculos formando bosques muito agitados pelos ventos. É uma árvore bonita, que alcança uma altura de até 30 metros, conhecida antigamente como “mãe da floresta”. As flores masculinas e femininas desenvolvem-se na mesma árvore, florescendo em abril ou maio, à medida que caem as folhas. Geralmente, o indivíduo Beech é intolerante, arrogante e altamente crítico, julgando os outros por padrões subjetivos. Além do mais, é incapaz de mostrar compreensão nem paciência com a incompetência alheia, nem tampouco perceber os sentimentos dos outros, uma vez que os seus próprios sentimentos estão bloqueados. É por isso que Henrique Vieira Filho descreve Beech como “...floral ideal para pessoas arrogantes e excessivamente críticas, que aniquilam os mais frágeis com suas reações intolerantes, assim como a Faia que se agita violentamente e acaba com a vegetação que lhe está à volta, como se só fossem dignos de existir aqueles que lhe sejam semelhantes.” Ainda dentro das imagens que nos mostraria a personalidade negativa Beech, Mechthild Scheffer cita com rara felicidade a figura do presunçoso professor Higgins,. do Pigmaleão, de Bernard Shaw, que quer transformar a florista Eliza, simplória e sem cultura, numa pessoa altamente afetada em termos lingüísticos, apenas pela vaidade de ganhar uma aposta; além da caricatura da professora rigorosa e pedante, vestida de cinzento, de costas retas, sempre exigindo ordem, exatidão e disciplinas absolutas. A rigidez das personalidades Beech faz com que, além de problemas articulares, tendam a ter distúrbios digestivos, por não “digerirem” determinadas circunstâncias que não se submetem ao seu comando. Ao ser usado, Beech ajuda a restabelecer contato com o nosso Eu e com a Unidade. Desta maneira, diminui a rigidez interior e traz de volta a alegria, o contentamento e a cor ao sistema energético.

Chicory (Chicorium intybus, Chicória), hortaliça, planta perene de muitos ramos que alcança 90cm de altura, encontrada no saibro, em terrenos cascalhentos, gredosos e incultos, e à beira de estradas e campos. Somente umas poucas flores estreladas, de um azul brilhante, se abrem ao mesmo tempo. Delicadíssimas, murcham logo que são colhidas. Relaciona-se com os potenciais da alma ligados à maternidade e ao amor desinteressado. No estado negativo de Chicory, estas qualidades se tornam negativas, concentrando-se egoisticamente no Eu, segundo Mechthild Scheffer. Para Edward Bach, Chicory é indicado aos que pensam muito nas necessidades dos outros e tendem a cuidar excessivamente das crianças, dos familiares e dos amigos, e sempre encontram algo que precisam endireitar. Essas pessoas estão continuadamente corrigindo o que lhes parece errado, e se comprazem com isso. Querem que aqueles dos quais cuidam permaneçam perto delas. Ainda segundo Mechthild Scheffer, Chicory é um estado de alma negativo, que não pode passar despercebido, e esgota as energias de toda a gente. Ocorre em ambos os sexos e em todas as idades, e é sempre uma questão de ganhar influência, fazer exigências, não desejando desfazer-se de idéias, coisas e sentimentos. As pessoas no estado negativo de Chicory esperam muito dos outros. O exemplo clássico é o da “supermãe”, que mantém presos os filhos com tentáculos invisíveis, traumatizando por toda a vida os que têm a vontade mais fraca, sempre preocupada com os negócios da família e com o seu grande círculo de relações. Está constantemente querendo interferir, organizar, criticar, ordenar e dirigir como disciplinadora rigorosa. Encontra a todo momento alguma coisa para endireitar, sugerir ou criticar. Mas, tudo isso é porque “só estou dizendo isso porque lhe quero bem.”. A bem da verdade, atrás de cada estado Chicory, há uma profunda falta de realização, um imenso vazio interior, e, não raro, o sentimento de ser indesejado e nunca ter sido amado adequadamemnte. O próprio Edward Bach comparava o estado positivo de Chicory ao arquétipo “mãe universal”, o potencial da alma materna que jaz latente em todo ser humano, tanto no homem quanto na mulher.

Rock Water (Água da Fonte), não se trata de uma planta, senão de água proveniente de fontes naturais, localizadas em áreas não tocadas pela civilização e conhecidas pelo seu poder de curar os doentes. Essas nascentes semi-esquecidas, expostas apenas ao livre intercâmbio do sol e do vento, enquanto borbulham entre árvores e relvas, ainda podem ser encontradas em muitas partes da Inglaterra. Na descrição de Mechthild Scheffer, Rock Water relaciona-se com as qualidades da alma ligadas à adaptabilidade e à liberdade interior. A pessoa no estado negativo do tipo Rock Water vê-se enredada em idéias teóricas rígidas, divorciadas da realidade. Edward Bach já dizia que Rock Water é indicado “para os que são muito austeros em seu modo de viver; privam a si mesmos de muitas alegrias e prazeres da vida porque consideram que isso poderia interferir no seu trabalho. São mestres severos para si mesmos. Desejam estar bem, fortes e ativos, e farão qualquer coisa que julgarem conveniente para se manterem assim. Esperam servir de exemplo que atraia as outras pessoas que podem, então, seguir as suas idéias e, conseqüentemente, se tornarem melhores.” Vemos, no nosso dia-a-dia, pessoas de Rock Water ao depararmos-nos com certos membros ocidentais de seitas religiosas orientais caminhando pelas ruas da cidade com traje étnicos, transmitindo em cada gesto ou olhar, uma “superioridade”, assutadora, de quem acredita que os desejos mundanos inibem o desenvolvimento espiritual, desejando ser santo enquanto vive na Terra. Para isso, mostra-se perfeccionista, submete a vida a teorias dogmáticas e, às vezes, a ideais exagerados, além de ter um conceito errado de espiritualikdade, pois agarra-se a determinado aspecto, “quase divino”, para fazer dele a única coisa válida e confiável. Além dele próprio.

Vervain (Verbena officinalis), da família das Verbenáceas, é uma planta perene, robusta e direita, de até 80cm de altura, pode ser encontrada à beira das estradas, em terrenos secos, incultos e em pastos ensolarados. Possui folhas denteadas e pequeninas flores coloridas de lilás ou malva, e desabrocham entre julho e setembro. O seu sobrenome – officinalis – refere-se ao seu carater utilitário, O primeiro nome – Verbena – significa ramos de loureiro, de mirto, de oliveira e de outros usados, antigamente, para a confecção de coroas para sacrifício, tanto para os sacerdotes quanto para as vítimas. Henrique Vieira Filho ainda nos conta que Verbena era o nome dado às festividades que duravam até o amanhecer, hora ideal para a colheita da planta, de onde vem a frase castelhana “coger al verbena”, que significa madrugar muito. Na descrição inicial de Edward Bach, Vervain é indicado para os que têm princípios ou idéias fixas, que estão certos de estarem com a verdade e, por isso, raras vezes mudam.Tais pessoas desejam veementemente converter para o seu modo de ver a vida todos aqueles que as rodeiam. Têm grande força de vontade e muita coragem quando estão convencidas das coisas que querem ensinar. Na enfermidade ainda lutam, quando outros já teriam desistido de tudo. Para Mechthild Scheffer, Vervain relaciona-se com os potenciais da alma ligados à autodisciplina e ao comedimento. No estado negativo de Vervain a vontade é dirigida para o exterior, e as energias não são usadas economicamente, sendo, portanto, esbanjadas. São personalidades fortes que chegam ao fanatismo. Mártires por uma causa. Dados à rigidez mental, temperamento violento e à intolerância, são dominadores e idealistas, apresentando, com freqüência, problemas articulares na coluna vertebral, notadamente artrose cervical.

Vine (Vitis vinifera, Videira), planta trepadeira que atinge um comprimento de 15 metros, ou mais, é encontrada em paises de climas quantes. As suas flores, pequenas e verdes, crescem em densos racemos. O tempo de florescer varia de acordo com o clima. Pelas sempre ricas descrições de Henrique Vieira Filho, Vine nos dá a uva e o vinho, daí o seu sobrenome vinifera (que produz vinho), e o Vitis ligado à idéia de Vida, lembrando que o signo sumeriano para a Vida era uma folha de parreira. Nas regiões da antiga Israel, a Videira era árvore sagrada e o vinho a bebida dos deuses. Em muitas culturas, a mesma palavra que significa Videira significa o enviado celeste e os seres dos mundos superiores. O Cristo é a Videira, e o seu sangue o vinho, bebida símbolo da juventude e do conhecimento. Os ensinamentos divinos são como o vinho, devido à sua aptidão de restituir o vigor. Noé, após o dilúvio, foi o primeiro a plantar a Videira. Para Edward Bach, Vine é especialmente indicado para as pessoas muito capazes, seguras da própria competência, com fé no êxito. Por serem tão seguras, acreditam que seria útil convencer os demais a fazerem as coisas à sua maneira, ou como estão convencidas de que é certo. Mesmo enfermas, dão instruções a quem cuida de seu tratamento. Podem ser muito valiosas em casos de emergência. Na visão de Mechthild Scheffer, Vine relaciona-se com o potencial da alma ligado à autoridade e à capacidade de sustentar convicções. Uma pessoa em estado negativo extremo de Vine é dura, ávida de poder, sem nenhum respeito pela individualidade dos outros. As pessoas do tipo Vine são capazes, ambiciosas e insuperáveis quando se trata de força de vontade e presença de espírito para sair de situações de crise, sendo, inclusive, vitoriosas. Isso, contudo, as conduzirá à convicção de infalibilidade, e pensarão estar fazendo, de fato, um favor aos outros quando lhes dizem como devem fazer as coisas, à sua maneira. É ainda Mechthild Scheffer que nos ensina que quando tomamos Vine, abrindo-nos para o Eu Superior e para as metas mais superiores da alma, compreendemos que somos sustentados pela própria força que estávamsos tentando usar para obter o controle de tudo. Sentimos a força de vontade unir-se ao Amor, e a força à sabedoria. Quando nossas ações já não são inteiramente egoístas, porém praticadas visando ao todo maior, nova força nos virá espontânea.

CONTATO

fale conosco, tire suas dúvidas, fale com os terapeutas, opine sobre os artigos e dê sua sugestão de conteúdo.

BIBLIOTECA/LINKOTECA SELECIONADA

Nosso objetivo é formar um banco de referências bibliográficas das diferentes Terapias Holísticas, para consulta de todos os interessados em mais detalhes sobre determinado assunto. Seria muito importante, e verdadeiramente interativo, se recebessemos sugestões , objetivando uma das finalidades do site Terapia de Caminhos que é compartilhar experiências e conhecimento. Clique aqui para acessar a terapia que deseja uma bibliografia selecionada para consultas.

"As opiniões emitidas nos textos do site são de exclusiva responsabilidade de seus autores".