- Ano I - nº 3 - Fevereiro de 2007.                                                                              Direção: Osiris Costeira

FLORAIS - Osiris Costeira.

Os medos de Bach.

Entre 1934 e 1936, Edward Bach ofereceu ao mundo os seus florais, inicialmente 12 que evoluíram para 38. Para tanto, agrupou-os por “indicações”, que na verdade representam as origens dos adoecimentos, motivados pelo desequilíbrio do Eu Interno. Assim, os 38 florais foram a agrupados em sete títulos: para o medo, para a indecisão, para a falta de interesse pelas circunstâncias atuais, para a solidão, para a sensibilidade excessiva a influências e opiniões, para o desalento ou desespero, e para a excessiva preocupação com o bem-estar dos outros.

Falemos inicialmente do medo.

Atualmente, a psicopatologia diferencia medo de ansiedade e angústia, mas que Bach englobava com uma única denominação. E isto porque se sentirmos uma desagradável sensação de que algo iminente e terrível está para acontecer (ansiedade), ou uma sensação corporal de constrição torácica e mal-estar (angústia), estaremos exibindo, em ambos os casos, toda a nossa fragilidade e impotência aos problemas do mundo, e que são comuns à Vida. É a exteriorização de que somos, ou estamos momentaneamente, incapazes de lutar em busca de uma vida melhor, mais alegre, prazerosa e feliz, e nos escondemos em nós mesmos, como uma criança se esconde do bicho-papão, quando não tem papai ou mamãe por perto para a defender. Reservamos o medo para quando observamos uma resposta emocional desencadeada por um perigo externo, real e objetivo, e que, segundo alguns autores, seria uma reação inata, formando com a raiva e o amor as emoções primárias. A todas essas sensações, reais ou imaginárias, Bach chamou de medo, o mais universal dos sentimentos, e reservou cinco florais, para cinco tipos diferentes de medo: Rock Rose, Mimulus, Cherry Plum, Aspen e Red Chestnut.

Rock Rose (Helianthemum nummularium), é um subarbusto que se ramifica livremente e cresce em elevações gredosas e solos calcáreos e cascalhentos; as flores amarelas radiantes desabrocham de junho a setembro, geralmente apenas uma ou duas ao mesmo tempo. Refere-se ao medo pânico, ou ao terror diante de uma catástrofe, um acidente ou qualquer acontecimento capaz de provocar um estado de choque na pessoa. É o horror absoluto, gerando reações físicas extremadas e completo descontrole. O trauma gravado na memória pode trazer o pânico de volta, durante a vigília ou em forma de pesadelos. No dizer de Bach, “É o remédio da salvação”, podendo, inclusive, se o paciente estiver inconsciente, umedecer-lhe os lábios com o remédio. É recomendado também para crianças afetadas de terrores noturnos em que acordam gritando e chorando. Segundo Mechthild Scheffer, “A energia de Rock Rose liberta a personalidade do medo congelado, deixando o pêndulo oscilar do estado negativo para o positivo. O medo centrado em si mesmo converte-se em coragem, até em coragem heróica, que leva a pessoa a esquecer-se de si por amor dos outros, nos casos extremos”. Por todas essas qualidades, Rock Rose é um dos principais componentes do Rescue Remedy, de uso emergencial.

Mimulus (Mimulus guttatus), imigrante da América do Norte, esta planta perene, de cerca de 30cm de altura, cresce ao longo de regatos, rios e em lugares úmidos; as grandes flores solitárias amarelas desabrocham entre junho e agosto. Bach entendia que este floral é indicado quando se tem medo das coisas do mundo, da enfermidade, da dor, dos acidentes, da pobreza, da escuridão, de estar só, da desgraça. Para os temores do dia-a-dia. Para pessoas que carregam consigo medos em silêncio e secretamente, sem falar disso livremente com os outros. Alguns especialistas em Florais de Bach são de opinião que os medos do tipo Mimulus representam um resíduo do medo arquetípico do recém-nascido, o medo do mundo cruel e da vida no corpo físico. Essas pessoas, quando adultas, costumam ter uma aparência delicada (como uma boneca de porcelana), ou têm uma delicadeza interna como em artistas ou em poetas. Quando estão doentes, não gostam de luz, barulho e nem sequer mechem-se na cama com medo da dor, comem pouco e têm pouca atividade. Contudo, Mechthild Scheffer nos ensina que “Tomando Mimulus, encontramos o caminho para sair da confusão de medos e ansiedades, de volta à nossa natureza verdadeira. Verificaremos que o medo, primariamente, é um problema da nossa própria mente e pode ser enfrentado por ela, desde que aprendemos a tratá-lo mais efetivamente”.

Cherry Plum (Prunus cerasifera), jovens rebentos sem espinhos de uma árvore ou arbusto que cresce até uma altura de 3 ou 4 metros e que é plantada a fim de proporcionar uma cerca de proteção contra o vento nos pomares ingleses; as flores de um branco puro, um pouco maiores do que as do espinheiro preto ou alvar, abrem-se de fevereiro a abril, antes de aparecerem as folhas. Para Bach, Cherry Plum deve ser usado quando se tem medo de que a mente se esgote, de que se perca a razão, de que se faça coisas espantosas e horríveis, indesejáveis e prejudiciais, embora se pense nelas e se sinta impelido para elas. Por tudo isso, o estado negativo do tipo Cherry Plum é extremo. Pensamentos de suicídio e homicídio são experimentados consciente ou semiconscientemente, e as pessoas têm medo de estar se encaminhando para um colapso, perdendo o domínio de si mesmas ou até da mente. E em seu estado extremo, existe realmente perigo de suicídio físico ou mental, em que podemos tomar como símbolo deste estado negativo, algumas pinturas medievais, como a Tentação de Santo Antão, em que os poderes do inferno tudo fazem para induzir o santo à capitulação. Mechthild Scheffer – exemplificando o estado negativo de Cherry Plum - conta as experiência dos homens que combateram em guerras e que descreveram a sensação que se instala depois de dias de bombardeio contínuo nas trincheiras, ou depois de semanas num campo de prisioneiros com interrogatórios perversos. Isso reduz a personalidade de tal maneira que chega um ponto em que ela simplesmente deseja desistir. No estado positivo, é possível entrar profundamente no inconsciente e expressar e compreender as percepções intuitivas ganhas ali em termos de realidade. Somos capazes de manejar grandes forças espontaneamente e com calma, fazendo progressos enormes no desenvolvimento. É um outro componentes do Rescue Remedy.

Aspen (Populus tremula), árvore esguia que se encontra em toda parte na Inglaterra; a inflorescência pendente masculina, e a inflorescência feminina, menor e redonda, aparecem em março ou abril, antes das folhas. No conceito de Bah, o floral é indicado para medos indefinidos e desconhecidos, que não têm nem explicação nem razão de ser. O paciente também pode estar apavorado diante do pressentimento de que algo terrível vai acontecer, sem que saiba exatamente o que será. Esses medos indefinidos e inexplicáveis podem obcecá-lo dia e noite. Os que sofrem desta sensação costumam ter receio de contar às outras pessoas as suas preocupações. A aparência externa de um choupo-tremedor, a “arvores que treme”, é um símbolo perfeito da sensibilidade extrema do estado do tipo Aspen: qualquer pequena brisa faz com que as folhas balancem. As pessoas tremem como uma folha de Aspen, fisicamente, somatizando toda a sua fragilidade por medos do escuro, de um “espírito mau”, do bicho papão, ou por conceitos ocultistas, esotéricos ou mesmo mágicos. Alguns terapeutas florais, segundo Mechthild Scheffer, recomendam especialmente Aspen no tratamento de alcoólatras vítimas de idéias obsessivas, de mulheres violentadas, de crianças maltratadas. Além disso, as pessoas “abertas demais” por certas técnicas de meditação em grupo necessitam de Aspen, bem como qualquer outra pessoa que tenha feito viagens de horror em virtude do uso de drogas.

Red Chestnut (Aesculus carnea), mais delicado e menos robusto que o White Horse Chestnut; as flores, de coloração cor-de-rosa forte, aparecem em grandes inflorescências piramidais no fim de maio ou no início de junho. É endereçado, segundo Bach, para as pessoas às quais é difícil não ficarem aflitas pelos demais. Com freqüência não se preocupam consigo mesmas, mas chegam a sofrer pelas pessoas que amam, antecipando as desgraças que podem ocorrer-lhes. Fundamentalmente, essas pessoas sofrem pelos entes queridos projetando neles todas as suas ansiedades e medos de um modo geral, além do aspecto obsessivo de que se não alertar dos “perigos” as pessoas não poderão se defender. Há algo de onipotência misturada à solicitude e ao desejo de auxiliar e “proteger” as pessoas. Essas pessoas esquecem-se de que estão fazendo mal não somente a si próprias, mas também ao objeto dos seus cuidados. Além do mais, existe, com efeito, o risco de atrair as coisas, que eles temem para os outros com as suas energias. Mechthild Scheffer relata que Bach contou que as preocupações dos amigos se fizeram sentir nele como uma dor física aguda, quando se viu envolvido num acidente. De um modo geral, o estado do tipo Red Chestnut é passageiro. Haverá poucos tipos completamente Red Chestnut.

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