- Ano II - nº 2(14) - Fevereiro de 2008.                                                                     Direção: Osiris Costeira

FLORAIS - Osiris Costeira.

O Desinteresse pelo agora.

Há pessoas que não conseguem viver plenamente o agora, o hoje. Talvez por não gostarem de suas realidades preferem se “mudar” para uma outra criada pela imaginação, localizada no futuro ou no passado, ao invés de recriar a sua própria, real, ao seu gosto e ao seu desejo. Praticamente essas pessoas não “vivem” a Vida, tentando desesperadamente sobreviver na realidade que pouco as atrai, e que não sabem ou não conseguem mudar.

Essa verdadeira alienação, que se apresenta das mais variadas formas ao sabor de manifestações deliróides, ansiedade, depressão, fundamentalmente não aceitando a vida como ela se apresenta, obteve de Edward Bach sete florais que cobrem o universo desse desinteresse em seus diversos matizes: Chestnut Bud, Clematis, Honeysuckle, Mustard, Olive, White Chestnut e Wild Rose. Vamos rever as suas características.

Chestnut Bud (Aesculus hippocastanun, Botão do Castanheiro-branco) utiliza os botões lustrosos, cuja camada externa resinosa de 14 escamas imbricadas envolve tanto a flor quanto as folhas. Henrique Vieira Filho nos ensina que na China antiga o Castanheiro correspondia ao outono e ao oeste, sendo plantado sempre voltado para esta direção e simbolizava a própria previdência, pois seu fruto serve de alimento durante o inverno. De sua nomenclatura, Aesculus pode significar “bom para sustento”, ou ainda, carvalho, ou indo mais além, Esculápio, do grego Asklepiós, que recebeu a Medicina do centauro Quiron. Hippocastanum, seria castanha de cavalo, pois acreditáva-se que esta planta curasse qualquer distúrbios dos cavalos. Para Mechthild Scheffer, Chestnut Bud relaciona-se com os potenciais da alma ligados à capacidade de aprendizagem e materialização. Em seu estado negativo há problemas para encontrar a maneira certa de coordenar o mundo interior do pensamento com a realidade física. Isso advém de Edward Bach que dizia ser Chestnut Bud “para os que não tiram todo o proveito da observação e da experiência, e que levam mais tempo que os outros para aprender as lições da vida cotidiana. Embora uma experiência basta para alguns, essas pessoas necessitam de mais, às vezes de várias experiências, antes de aprender a lição.” E finaliza dizendo que “por isso, para seu pesar, acabam tendo de cometer o mesmo erro em diferentes ocasiões, enquanto uma vez seria o bastante, ou enquanto uma observação dos outros poderia evitar até esse único erro.” É porisso que, voltando a Henrique Vieira Filho, este nos diz que do botão da flor do castanheiro se extrai a essência floral, e origina-se de um broto “inexperiente”, que ainda não desabrochou, um Asclépio ainda aluno que irá aprender a ser previdente como o castanheiro. Para alguns outros floristas, “Chestnut Bud trabalha a teimosia que normalmente chamamos de burrice.” Fundamentalmente, é usado em crianças distraídas, sem atenção, que não conseguem competir com os seus iguais, e em retardo mental e alunos inoperantes, pois melhora muito a capacidade de atenção.

Clematis (Clematis vitalba), conhecida popularmente por Clematite, Vinha Branca, Barba de Velho, Traveller's Joy (alegria do viajante), é uma trepadeira silvestre da família das Ranunculáceas e do gênero Clematis, encontrada em solos gredosos e de pedra calcária, em taludes, sebes, bosques cerrados e matas. O caule da planta mais velha chega a 12 metros de comprimento em forma de corda. Floresce de julho a setembro. As flores fragrantes são circundadas de quatro sépalas com penugem, de cor branco esverdeado. No outono, os estames desenvolvem-se em longos fios prateados, como filamentos, semelhantes aos cabelos de um velho, de onde advém um de seus nomes populares, Barba de Velho, ou Old man's Beard. Para Edward Bach, Clematis é de grande utilidade para as pessoas sonolentas, indolentes, que nunca estão totalmente despertas, nem demonstram grande interesse pela vida. Para pessoas paradas, que não estão muito felizes com a situação em que se acham e que vivem mais no futuro do que no presente, alimentando esperanças de que cheguem melhores dias, quando seus ideais se tornarão realidade. Ainda no dizer de Bach, “Algumas dessas pessoas, quando doentes, se esforçam muito pouco para se recuperar e, em alguns casos, chegam a desejar a morte, na esperança de tempos melhores ou de encontrar uma pessoa querida que tenham perdido.” Clematis relaciona-se, como observa Mechthild Scheffer, com o potencial da alma ligado ao idealismo criativo, em que em seu estado negativo a personalidade procura tomar a menor parte possível na vida real, recolhendo-se ao seu próprio mundo de rica imaginação. É por isso que as pessoas Clematis revelam, às vezes, maior potencial criativo do que a pessoa comum, dedicando-se a ocupações em que produzem sonhos, como no comércio de moda, na indústria do cinema e na arte de escrever (escritores ou jornalistas). Sobre este aspecto, Mechthild Scheffer lembra que, para essas pessoas, “Se o potencial criativo não puder manifestar-se, surgirá quase automaticamente um estado negativo de Clematis, em que a energia criativa assumirá formas como o romantismo exagerado, a excentricidade, e todos os tipos de ilusão.” Alguns floristas usam Clematis para prevenir a ameaça de infecções, porque rebustece os laços entre o corpo físico e os outros níveis. É uma das essências do Rescue Remedy, para as emergências. E os estados de inconsciência.

Honeysuckle (Lonicera caprifoliun, Madressilva) é uma trepadeira vigorosa, fragrante, encontrada em regiões arborizadas, nas orlas das florestas e nas charnecas. As pétalas, avermelhadas por fora e brancas por dentro, ficam amarelas durante a polinização. Menos comum do que a Madressilva de flores amarelas, floresce de junho a agosto. Os seus nomes, tanto em inglês (honey=doçura e suckle=amamentar), quanto em português (madressilva), em espanhol (madre-selva), em italiano (madreselva) significam “mãe selva”, e em francês (chèvrefeuille) “mãe cabra” Em todos os idiomas, lembra Henrique Vieira Filho, se enfatiza a idéia do doce amamentar, evocando uma regressão infantil a um passado gostoso e seguro no colo materno da “mãe positiva”. O maternal, neste caso, é reforçado pelo caprifolium (cabra/folha), visto que na Índia, a cabra (Prakriti) é a mãe do mundo, e foi com leite da cabra Amaltéia (ama de deus) que Zeus, quando criança, se alimentou. Em todas as tradições é símbolo da ama-de-leite. Não foi à-toa que Edward Bach selecionou Honeysuckle para os que vivem muito no passado, lembrando-se talvez de uma época de grande felicidade, ou de um amigo morto, ou pensando nos sonhos que não se tornaram realidade. Com isso, não acreditam que possam ter a felicidade como a que um dia tiveram. Ele escreveu sobre Honeysuckle que “Este é o remédio para aliviar a mente dos pesares e das tristezas do passado, para neutralizar todas as influências, todos os anelos e desejos do passado, e para trazer-nos de volta ao presente.” Mechthild Scheffer nos ensina que no estado transformado de Honeysuckle temos uma conexão viva com o passado, aprendendo com ele, mas sem nos agarrarmos a ele desnecessariamente. Somos capazes de trabalhar com o passado. Vistos por esse prisma, arqueólogos, historiadores e antiquários se encontram num estado positivo de Honeysuckle, enquanto que na Psicologia de Grupo ou na Terapia da Reencarnação ajuda a estabelecer o elo entre o passado e o presente, e assegura que se dê ao passado o seu justo valor. É ainda Mechthild Scheffer que faz curiosa observação a respeito da ação de Honeysuckle no combate ao desgosto de uma pessoa que está envelhecendo, ao citar uma especialista em tratamentos de beleza que adiciona gotas de Honeysuckle à sua loção facial. O estado psicológico de pesar acelera o envelhecimento da pele, e uma atitude negativa básica como essa encontra expressão, primeiro que tudo, no porte da pessoa, e, finalmente, na firmeza da pele.

Mustard (Sinapis arvensis, Mostardeira-branca) é uma planta herbácea de até 60cm de altura, possui flores branco-amareladas e sementes brancas ou amarelas com sabor agradável semelhante a nozes, mas inodoras, usadas para conservar carnes e pescados. Relaciona-se com as qualidades da alma ligadas à jovialidade e à serenidade. No estado negativo de Mustard, uma depressão negra cai sobre a pessoa como nuvem escura. São de Edward Bach as palavras que indicam Mustard “para os que estão sujeitos a períodos de melancolia, e até de desespero, como se pairasse sobre eles uma nuvem gélida e sombria, encobrindo a luz e a alegria da vida. Essas crises podem não ter nenhuma razão ou explicação aparente. Nessas condições, é praticamente impossível mostrar-se feliz ou animado.” No estado negativo de Mustard existe a sensação específica de uma freqüência externa desconhecida, que domina as freqüências da personalidade, e corta quase de todo, por algum tempo, a conexão com o mundo exterior. Mechthild Scheffer faz considerações importantes ao admitir que o problema não parece limitado à existência terrena presente. E, textualmente, observa que “Os pensadores esotéricos dirão que as razões do estado negativo de Mustard são cármicas, e nascem das profundezas da alma. O estado do tipo Mustard é a conseqüência de havermos caído de grande altura. É a queda de uma personalidade que já esteve muito adiantada, mas usou as faculdades excepcionais, que lhe deram acesso a forças cósmicas em outras formas de existência, só para os seus fins limitados, desperdiçando-as. Ela explorou recursos íntimos, que deveriam ter sido apenas o instrumento da alma e dos poderes espirituais superiores.” Com isso, as pessoas sentem-se excluidas da vida normal e não vêem nenhuma condição lógica entre essa condição e o resto de sua vida, além de serem incapazes de esconder dos outros esta estado de espírito. Contudo, Bach dizia, com a autoridade de sua grande Luz, que “Este remédio dispersa a melancolia e tráz alegria à vida.” Amém.

Olive (Olea europaea, Oliveira), árvore que mede entre 2 e 10 metros de altura e atinge até 100 anos, é nativa de paises mediterrâneos, apesar de alguns autores, como Henrique Vieira Filho, afirmarem ser de origem asiática. Floresce em diferentes meses da primavera, de acordo com o clima do país em que cresce. A inflorescência consiste em 20 ou 30 florzinhas brancas inconspícuas. Ainda segundo Henrique Vieira Filho, a sua simbologia refere-se à paz, vitória, recompensa, purificação e força. A mitologia conta que a primeira Oliveira nasceu de uma briga entre Poseidon, deus das terras e das águas agitadas, dos abalos e tempestades, e Atena, deusa à qual é consagrada. Em Roma, além de Minerva (Atena), as Oliveiras eram ligadas a Jupiter (Zeus). Na China, acreditava-se que sua madeira poderia neutralizar venenos de cobra. No Japão, é a árvore da vitória, símbolo da amabilidade e do sucesso. Nas tradições judaicas e cristãs, representa a paz após um grande tormento. Foi um ramo de Oliveiura que a pomba trouxe a Noé depois do dilúvio, e foi no morro das Oliveiras que Cristo ascendeu aos céus, após os três dias de sepulcro e de sua estada na terra. No Islã, a Oliveira é a árvore central, o eixo do mundo, e por fornecer o óleo que queima nas lâmpadas, há a analogia com a luz, como expressa um dos versículos do Alcorão: “ ...ela mantém sua luz com a ajuda de uma árvore abençoada, a Oliveira, cujo óleo ilumina ...” Com tanta clara simbologia, a Oliveira não poderia ficar de fora dos florais selecionados por Edward Bach, sendo descrita por ele como apropriada para os que muito sofreram, mental ou fisicamente, e que se encontram tão exaustos e esgotados que sentem faltar-lhes as forças para fazerem o que quer que seja. Para eles, a vida cotidiana implica um grande esforço, e não lhe proporciona prazer. Olive relaciona-se com o princípio da regeneração, da paz e do equilíbrio restaurado. Porisso, Mechthild Scheffer afirma que “Esta é a calma que se segue à tempestade, quando o corpo, a mente e o espírito estão totalmente exaustos e gastos depois de um longo período de grande tensão.” Na realidade são casos extremos de fadiga, e na prática é importante se dar atenção especial ao estado físico do paciente, podendo ocorrer níveis anormais de oxigênio no sangue, bem como funções renais reduzidas e aumento da flora intestinal patológica. Olive é largamente usado, também, em casos de alcoolismo, pois devolve a vitalidade e a esperança.

White Chestnut (Aesculus hippo-castarum, Castanheiro-branco), diferen-temente do floral Chestnut Bud, não é utilizado um botão a desabrochar. O White Chestnut é extraído das maduras flores brancas e cremosas, salpicadas de pontos amarelos. Para Edward Bach, onde tudo começou, White Chestnut é indicado para os que não conseguem evitar pensamentos, idéias e deduções que não gostariam que entrassem em suas mentes. Isso costuma acontecer em épocas nas quais o interesse do momento não é intenso o bastante para ocupar sua mente por completo. Os pensamentos preocupantes não os abandonam ou, se se desfazem por alguns momentos, retornam em seguida. Parecem dar voltas e voltas causando um tormento mortal. A presença de tais pensamentos desagradáveis põe fim à calma e interfere na capacidade de se concentrar somente no trabalho ou na diversão do dia. Através das conceituações de Bach, Mechthild Scheffer observa que White Chestnut “relaciona-se com as qualidades da alma ligadas à tranqüilidade e ao discernimento”. Uma pessoa no estado negativo de White Chestnut é vítima de conceitos mentais malcompreendidos e inadequados, fazendo com que se mostre “sempre atormentado por um diálogo interno torturante, o qual não consegue controlar e que atrapalha seus afazeres, seu descanso, e que leva a uma grande tensão mental”, no dizer de Henrique Vieira Filho. Em termos clínicos, é ainda Mechthild Scheffer que comenta a possibilidade de alguns indivíduos negativos para White Chestnut sofrerem de dor de cabeça frontal crônica, particularmente acima dos olhos. Muitos têm problemas em conciliar o sono, ou os seus pensamentos os acordam durante a madrugada, não mais conseguindo dormir. Além dissso, algumas outras pessoas tendem a ranger, inconscientemente, o maxilar inferior, evidenciando grande tensão mental. Em interessante nota de roda-pé de “Terapia Floral do Dr. Bach. Teoria e Prática”, n este comentário clínico, encontramos que “A medicina popular do século XIX aconselhava as pessoas a carregarem consigo três castanhas-da-Índia cruas, durante três dias, para curar uma dor de cabeça de proveniência nervosa, e não de um excesso de sangue na cabeça. Receita, aliás, bem sucedida.”

Wild Rose (Rosa canina, Roseira silvestre, Rosa-de-chão), ancestral das roseiras cultivadas, cuja espécie tem mais de 35 milhões de anos, é um arbusto que atinge até 3m de altura com ramos fortes e espinhos bastante robustos, daí o seu nome, devido à semelhança destes com os dentes do cão. Possui flores brancas ou rosáceas, com cinco pétalas e formato de coração. Desabrocham isoladamente, ou em grupos de três, entre os meses de junho e agosto. Edward Bach separou este floral, como ele mesmo disse, “ ...para os que, aparentemente sem razão suficiente, se conformam com tudo o que acontece à sua volta, e se limitam a passar pela vida aceitando-a como ela é, sem se esforçar por melhorar as coisas nem por encontrar alegria. Renderam-se sem se lamentar, na luta pela vida.” É o reino da inércia e do conformismo, aonde a apatia, ausência de ambição e resignação impregnam-lhes as atitudes. A iniciativa pessoal é completamente abandonada, e sobrevem uma resignação apática em relação à vida interna e externa, situação esta muita além da depressão. Na vida prática, visível principalmente do decurso de doenças crônicas, de casamentos comprometidos pelo desamor e em atividades profissionais absolutamente insatisfatórias e carentes de criatividade e emoção. Mechthild Scheffer nos mostra o que acontece quando se usa Wild Rose, em que o indivíduo “ ... sentirá gradativamente reviverem suas disposições de espírito, e começará a viver outra vez. Libertado, será capaz de entrar cada vez mais na vida, à medida que os dias vão passando. Com a energia vital fluindo de modo crescente através de si, é capaz, finalmente, de deixar que todas as riquezas da vida, grandes e pequenas, venham a ele, com prazerosa expectativa e vivo interersse.” E, mais adiante, observa aspectos clínico-terapêuticos ao lembrar que “Wild Rose é, muitas vezes, um remédio a longo prazo, conquanto também tenha se revelado proveitoso na falta temporária de energia, como por exemplo durante a psicoterapia, quando os primeiros anos da vida precisam ser integrados, e, também, quando a vitalidade é baixa depois de se ter vivido sexualmente sem medida, depois de um aborto, ou de uma fase de trabalho intenso com a própria personalidade.”

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