- Ano I - nº 5 - Abril de 2007.                                                                              Direção: Osiris Costeira

FLORAIS - Osiris Costeira.

As indecisões de Bach.

Ao longo da vida, do dia-a-dia, nem sempre é fácil tomarmos decisões, principalmente aquelas que podem mudar o rumo de nossas atividades, materiais ou afetivas. É preciso uma série de atributos e “qualificações” para que esse indivíduo se posicione, entenda e absorva o problema, e, principalmente, saiba decidir, saiba materializar o “sim” ou o “não”. Sem culpa.

Decidir representa assumir uma posição qualquer, chamar para si todos os aspectos inerentes aos direitos e deveres da decisão, quer ela se mostre acertada ou não. E, mesmo que não seja a melhor das escolhas, que tenha a capacidade de admitir o equívoco e buscar refazer, novamente, até atingir o realmente desejado.

Para que possamos atuar dessa maneira necessitamos, antes de qualquer atributo, de uma “qualificação” fundamental: sermos emocionalmente ADULTOS. E ser adulto é não permitir que o mundo mágico da criança que habita dentro de nós nos governe em todos os aspectos da nossa vida, é não permitir transferir aos outros, como as crianças transferem aos pais, as escolhas e as decisões que cabem a nós, somente a nós decidir. A vida deve ser vivida em toda a sua plenitude, inclusive de escolhas e opções, ditadas por nós, senhores absolutos de nossas vidas.

O Dr. Bach, com toda a Luz de sua intuição, entendeu que as pessoas que não se permitem uma vida plena, em termos de escolhas e opções, propiciam uma série de adoecimentos e desequilíbrios que conduzem a uma vida não feliz. Identificou, inclusive, vários “tipos” de indecisões e incertezas, geradoras de tais desequilíbrios, e os seus respectivos florais, como re-equilibradores energéticos: Cerato, Scleranthus, Gentian, Gorse, Hornbeam e Wild Oat. Vamos conhecer alguns detalhes de cada um:

Cerato (Ceratostigma willmottiana), é uma planta florescente dos Himalaias Tibetanos, com cerca de 60cm de altura. Não cresce em forma silvestre na Inglaterra, mas é cultivada em jardins do interior. As flores tubulares azul-pálido medem cerca de 1cm de comprimento. Colhem-se em agosto e setembro. O seu nome genérico – cerato+stigma – certamente se deve à sua capacidade de fornecer às abelhas os ingredientes para a fabricação do mel e da cera, os quais têm o simbolismo de alimento da imortalidade, da doçura e, em especial, do conhecimento e da sabedoria, nos ensina o terapeuta brasileiro Henrique Vieira Filho. Para o Dr. Bach, a indicação fundamental de Cerato é para os que não têm bastante confiança em si mesmos para tomar as próprias decisões, e estão constantemente pedindo conselhos aos outros, sendo muitas vezes mal-aconselhados. Além do mais, essas pessoas se apegam a modismos e convenções, tendendo a imitar atitudes alheias. Na ânsia de colher sempre mais informações, não se conscientizam de que já sabem muita coisa. E no dizer de Mechthild Scheffer, “Por causa disso, seus conhecimentos não as ajudarão a adquirir sua própria experiência de vida. E, no entanto, a certeza e a confiança em nossa própria capacidade de decidir só podem advir de uma experiência pessoal autêntica”.

Scleranthus (Scleranthus annuus), planta anual baixa, compacta ou rastejante, que alcança uma altura de cinco a 70cm, com numerosos caules emaranhados, e cresce em campos de trigo, solos arenosos e cascalhentos. As flores aparecem em cachos, de um verde que vai do pálido ao escuro, entre os meses de julho e setembro. Para o Dr. Bach, serviria às pessoas que são incapazes de se decidir entre duas coisas, inclinando-se ora em direção a uma, ora a outra. São geralmente pessoas aparentemente tranqüilas, caladas, que carregam sozinhas a sua dificuldade, pois não se sentem inclinadas a tratar dela com os outros. Uma pessoa em estado negativo de Scleranthus é como uma balança em constante movimento: às vezes extremamente ativa, e num segundo momento completamente apática; num dia entusiasmado com uma idéia, e no dia seguinte completamente desinteressado. Conseqüentemente, não se mostram confiáveis pela instabilidade notória para com os demais. Em termos psicossomáticos, essas pessoas apresentam, como queixas freqüentes, enjôos em viagens e problemas no ouvido interno (equilíbrio). Para Mechthild Scheffer, ¨No estado de Scleranthus o erro reside na personalidade, que se recusa a dar assentimento claro ao papel de condutor do Eu Superior. Em resultado disso, não tem nenhuma diretriz interior acerca das metas da alma, uma linha que lhe daria força, padrões e direção”.

Gentian (Gentianella amarella), planta bianual, de 15 a 20cm de altura, que cresce nos pastos montanhosos secos, rochedos e dunas. As flores, numerosas, apresentam colorações que vão do carmesim ao purpurino. Colhem-se de agosto a outubro. Para Henrique Vieira Filho, esta planta deve o seu nome a Genzio, rei da Ilíria (180 aC), região montanhosa da costa setentrional do Adriático habitada por gregos desde o século VII aC, e mais tarde tomada pelos romanos. A sua indicação, segundo o Dr. Bach, é para os que desanimam facilmente. Essas pessoas podem fazer progressos satisfatórios no que diz respeito à enfermidade e aos negócios da vida cotidiana, mas, diante do menor imprevisto ou entrave, começam a vacilar e logo desanimam. Relaciona-se, fundamentalmente, ao conceito de fé, não apenas no conceito religioso, mas fé como sentido de vida, aceitação, de acreditar. No extremo dos casos, encontra-se o eterno pessimista, que sente satisfação em constatar o quanto as coisas vão mal para ele. É o total descrédito de sua capacidade criativa e de sobrevivência; a absoluta relevância de sua menos-valia em comparação às demais pessoas. O seu uso, segundo Mechthild Scheffer, revelou-se muito útil para crianças, nervosas e desanimadas, em razão de problemas insignificantes surgidos na classe de aula, que não querem voltar à escola.

Gorse (Tojo - Ulex europaeus), planta espinhosa da família das Leguminosas, subfamília das Papilionáceas, cresce em terreno seco e pedregoso e, mesmo no inverno, quando a escuridão é mais longa e o clima mais frio, o Tojo ostenta suas flores. Floresce de fevereiro a junho. Encarna, fundamentalmente a esperança, e na sua falta a desesperança, sendo indicada, segundo o Dr. Bach, para as pessoas que perderam toda a fé em que se possa fazer algo por ela. Elas, geralmente, sofreram, ou estão sofrendo de moléstias crônicas, foram submetidas a inúmeros tratamentos, sem êxito, e os médicos deixaram claro que elas, provavelmente, nunca voltarão a ficar boas, na descrição de Mechthild Scheffer para o seu estado negativo. Geralmente, a vontade é tão fraca que nem sabe se já a teve alguma vez, e aguarda, para melhorar, um milagre. Evidentemente, de fora, do céu ! , em lugar de compreender que a recuperação, em última análise, só pode vir de dentro. Sempre.

Hornbeam (Carpinus betulus), árvore superficialmente semelhante à faia, porém menor e mais verde, que cresce isolada ou em grupos nas matas e nos bosques. As flores pendentes masculinas e as flores erectas femininas, de um verde pardacento, desabrocham em abril ou maio. Associa-se ao potencial da alma ligado à vitalidade interior e ao viço da mente. Em seu estado negativo, sentimos grande cansaço e exaustão, muito embora isso ocorra, sobretudo, na mente. Segundo o Dr. Bach, auxilia os que sentem que não têm força suficiente, tanto mental quanto física, para carregar o fardo da vida que lhes foi colocado sobre os ombros; as solicitações da vida cotidiana lhes parecem excessivas, se bem que costumem cumprir com suas obrigações de modo satisfatório. É indicado para os que crêem que uma parte, da mente ou do corpo, necessita fortalecer-se antes que possam fazer bem o seu trabalho. A exaustão sentida se pronuncia mais nitidamente quando em face de rotinas que se mostram enfadonhas e monótonas, que demandam pouca responsabilidade autêntica, mas com muitas exigências. Mechthild Schffer faz uma bela descrição do estado negativo de Hornbeam ao dizer que “A fadiga mais prolongada de Hornbeam é característica do cidadão moderno abonado, que consome muito e produz muito pouco. Enfia na cabeça um número muito maior de impressões do que as que é capaz de assimilar mentalmente, e, com a cabeça pesada, acha difícil levantar-se de manhã. Vive uma vida padronizada, em que até o lazer e os feriados seguem o padrão estabelecido e parecem, às vezes, mais uma obrigação do que outra coisa qualquer. Os eventos externos podem ser relativamente numerosos, mas, internamente, pouquíssima coisa acontece”.

Wild Oat (Bromus ramosus, Aveia silvestre), gramínea comumente encontrada em florestas úmidas, bosques cerrados e à beira das estradas. As flores hermafroditas são encerradas em brácteas em suas espículas. A planta alcança até 1m de altura, com colmos retos que são os caules das gramíneas, geralmente não ramificados. Para o Dr Bach, é apropriada para os que têm ambições quanto a realizar algo importante na vida, os que querem adquirir muita experiência, desfrutar de tudo que está ao seu alcance e viver a vida ao máximo. Sua dificuldade consiste em determinar a que ocupação desejam se entregar, pois, embora suas ambições sejam fortes, não têm uma vocação que os atraia acima das demais. Isso pode trazer-lhes perda de tempo e insatisfação. As pessoas típicas de Wild Oat mostram esse traço desde muito jovens. Costuma ser bem dotadas e não precisam fazer nenhum esforço pessoal para realizar o que quer que seja. Não obstante, ambiciosas, desejam realizar alguma coisa especial, sem contudo sentirem-se inclinadas a qualquer coisa em especial. É Mechthild Scheffer quem, outra vez, nos ensina que “Os indivíduos do tipo Wild Oat são, no íntimo, eternos solteirões, sempre à espreita, mas jamais alcançando a meta. Em realidade, a sua condição também pode ser descrita como uma puberdade mental atrasada. A cabeça está cheia de idéias e noções extravagantes a respeito de todas as coisas que gostariam e deveriam fazer. A pessoa ainda está na idade de levar uma vida de pândega, de malbaratar as energias em todas as direções, em vez de, pelo contrário, aceitar a orientação do Eu Superior e buscar uma só meta”.

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