- Ano I - nº 8 - Julho de 2007.                                                                              Direção: Osiris Costeira

FLORAIS - Osiris Costeira.

A solidão de Bach.

O homem é, basicamente, um animal gregário, participante de sociedades harmônicas, que troca as suas experiências vividas com outros homens com a finalidade de sobreviver e de se perpetuar através da família. O seu isolamento condenaria esse mesmo homem ao desaparecimento, não só pelo aspecto pró-criativo, mas, também, pelo conceito da necessidade de defesa em grupo contra os outros animais, muitas vezes mais fortes e mais capazes na luta pela sobrevivência.

Quando o homem se isola, quando perde a sua condição de coletivo e cultiva a solidão, alguma coisa está em desequilíbrio no que diz respeito às trocas entre o ser interno e a sua exteriorização, entre o querer dar e o saber receber, entre o amor e o desamor deste indivíduo para com o mundo. Quando o indivíduo se isola e se esconde na solidão de seu mundinho próprio, ou ele se acha tão fantástico que ninguém consegue se igualar e conviver com ele, por incompetência dos outros, ou, ao contrário, ele é tão pequeno em termos de valia que os outros se negam a conviver com ele, por incompetência dele próprio.

Na verdade, ninguém é tão superior aos outros que impossibilite a sua convivência, da mesma forma que os menos capazes não se mostram desagradáveis ao convívio e ao compartilhar do grupo. Em ambas as circunstâncias há grande ansiedade, e um profundo desejo de não ficar só.

O Dr. Edward Bach, com a sua clarividência e capacidade de observação, separou três tipos de indivíduos que, ou apresentavam a solidão e o isolamento como características intrínsecas, ou as suas manifestações exteriores mascaravam o isolamento emocional de que “necessitavam” para bloquear as suas angustias. E para esses indivíduos, selecionou três plantas que seriam úteis a cada tipo, diferentemente: Water Violet, Impatiens e Heather. Vamos conhecer um pouco de cada uma delas.

Water Violet (Hottonia palustres), planta da família das Primuláceas (Primaveras), floresce em maio e em junho em águas que se movem lentamente ou em águas estagnadas, nos charcos e nos fossos, daí o seu sobrenome latino que significa “que vive em pântanos”. As pálidas flores lilás, com centros amarelos, crescem em espiras em torno do talo sem folhas. As folhas finamente divididas permanecem debaixo da superfície a água. Segundo Bach, esse floral se destina aos que, na saúde ou na doença, preferem ficar sós. Pessoas muito silenciosas, que andam sem fazer ruído, que falam pouco e com suavidade. Reservadas, deixam as pessoas sozinhas e seguem o próprio caminho. As características da Water Violet, que se desenvolve sobre as águas pantanosas, lembra muito a da flor de Lótus que, como cita Henrique Vieira Filho, “... como um lótus puro não é maculado pelas águas, eu não sou maculada pelo mundo ...” . Essa característica, acrescenta ainda Vieira Filho, é típica da pessoa Water Violet, que não muito raro pode se deixar levar pelo sentimento de superioridade, pelo orgulho, colocando-se num pedestal e se distanciando dos demais. Mechthild Scheffer lembra que “As pessoas tipo Water Violet diferem dos outros. Como um gato siamês bem educado, movem-se silenciosos pelo espaço, com digna delicadeza, escolhendo o caminho, sem se deixar influenciar pelos demais. Vendo uma criatura assim, muitos de nós devemos ter pensado: “É assim que eu queria ser!” No entanto, a despeito das capacidades acima da média e do alto grau de individualidade, os caracteres do tipo Water Violet também têm problemas muito especiais”. Water Violet relaciona-se com as qualidades da alma ligadas à humildade e à sabedoria.

Impatiens (Impatiens glandulifera), planta anual carnuda, que chega a medir 180cm de altura, cresce em margens de rios e canais, e em terras baixas e úmidas. A coloração das flores vai do carmesim ao avermelhado malváceo, aparecendo entre julho e setembro. Ela tem as suas sementes armazenadas em cápsulas que, quando maduras, permanecem em constante tensão prestes a se romper ao menor toque, lançando longe as sementes. Além do mais, mal brota da terra e já está florindo prematuramente. Relacionados com as qualidades da alma ligadas à paciência e à delicadeza, Bach nos ensina que os pacientes Impatiens freqüentemente preferem trabalhar e pensar sozinhos, para que possam fazer as coisas em seu próprio ritmo. E isso porque eles são rápidos de pensamento e ação, e querem que tudo se faça sem hesitação nem atraso. E quando estão doentes, ficam ansiosos para se restabelecerem rapidamente. Em seu estado negativo são impacientes, e a tensão interior tende a torná-los irritadiços para com os demais. Por se sentirem sabendo fazer tudo melhor do que os outros, torna-se oportuna a observação de Mechthild Scheffer quando afirma: “Não é prudente fazer algum comentário crítico a alguém que se acha no estado de Impatiens, por mais diplomaticamente que o faça. É muito provável que ele se encolerize, se bem a cólera passe tão depressa quanto veio. Os patrões do tipo Impatiens tendem a “puxar” pelos funcionários de tal maneira que acabam conhecidos como “tocadores de escravos”. E, acrescenta adiante: “O estado do tipo Impatiens, por via de regra, é óbvio, pois essas pessoas são naturalmente extrovertidas. Quando não revelam o seu estado com palavras, fazem-no por meio de gestos: tamborilando nervosamente com os dedos sobre a mesa, por exemplo.”

Heather (Calunna vulgaris), planta da família das Ericácias, da qual a mais conhecida é a azaléa (Rododendron indicum), floresce de julho a setembro. O seu nome (do inglês heath, urzal, charneca, charco seco) dá-nos a entender que seu terreno preferido é o charco rústico, já seco e ácido. Possui flores cor-de –rosa ou brancas, sendo cada ramo uma verdadeira comunidade de incontáveis flores em forma de pequenos sinos. Como ensina Henrique Vieira Filho, Heather auxilia àqueles que não são de escolher muito bem suas companhias e os locais que freqüentam, pois são como crianças carentes. Para elas, qualquer um é bem vindo. Também não são discretos, já que buscam as atenções só para si. São muito faladores (barulhentos), egocêntricos, não conseguem suportar a solidão. Essa observação de Vieira Filho faz sentido quando sabemos que Bach conceituava esses pacientes como “... pessoas muito infelizes quando têm de ficar sozinhas por algum tempo.” A noção de criança carente aparece também nas observações de Mechthild Scheffer quando diz que “As pessoas no estado negativo de Heather têm sido descritas como “crianças carentes”, que dependem das atenções e da afeição dos que a rodeiam. As pessoas que necessitam amiúde de Heather vêm, muitas vezes, de lares de atmosfera fria, onde sofreram de privação emocional desde a mais tenra infância. Carecendo da afeição e da apreciação necessárias, o jovem ego tem de lutar por si mesmo emocionalmente. Esta atitude persistiu na idade adulta. O falar constante de um tipo Heather, em primeiro lugar, é um estratagema inconsciente empregado pela personalidade para certificar-se de que realmente existe. Ela pode ouvir-se, os outros podem ouvi-la, e, portanto, ela existe.” Em termos gerais, Heather relaciona-se com a qualidade da alma ligada à empatia e à disposição para ajudar.

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