- Ano I - nº 11 - Outubro de 2007.                                                                              Direção: Osiris Costeira

FLORAIS - Osiris Costeira.

Os desalentos de Bach.

O desalento não chega a ser caracterizado como uma depressão, e todo o cortejo de problemas graves que esta patologia acarreta. Desalento é, antes de tudo, tristeza, desânimo, descrença, desesperança que maltrata o indivíduo no seu dia-a-dia, e na busca desesperada que, por vezes, faz por uma vida mais prazerosa e feliz. Em certos casos, o desalento é oriundo de circunstâncias concretas e reais, como o fracasso de um empreendimento importante, o surgimento de uma doença grave ou a perda de um ente querido. Outras vezes, manifestações deliroides, fruto de inseguranças e medos repentinos da própria vida, transformam-se em idéias fixas que comprometem o desempenho das tarefas rotineiras, inclusive das mais simplórias que existem. O Dr. Edward Bach, vislumbrando esses estados emocionais e tendo consciência da gama variada de sensações, tanto qualitativa quanto quantitativamente, selecionou 8 (oito) florais para debelar esses sentimentos – Larch, Pine, Elm, Sweet Chesnut, Star of Bethlehem, Willow, Oak e Crab Apple – e os orientou para cada tipo de personalidade, capaz de reagir, diferentemente, para cada tipo de desalento. É sobre esses sentimentos, e os seus respectivos florais, que vamos conversar:

Larch (Larix decidua), árvore européia graciosa, da família das Coníferas, atinge uma altura de mais de 30 metros e prefere os morros e as orlas das florestas. As flores masculinas e femininas crescem na mesma árvore. Desabrocham numa ocasião em que as agulhas acabam e tornam-se visíveis como minúsculos tufos verdes e brilhantes. O Lariço, de Larix decídua, ganhou este sobrenome, segundo Henrique Vieira Filho, por suas pinhas que caem, visto que decídua é o revestimento do útero desprendido após um período menstrual ou depois do parto, ou tudo aquilo que cai.. Começam aí as sincronicidades do floral Larch com aqueles que se sentem “descartáveis” e nutrem sentimentos de inferioridade. Bach o caracterizava como para os que não se consideram tão bons nem tão capacitados quanto quem os rodeia, e que esperam o fracasso, sentindo que nunca farão nada bem, e que, por isso, não se arriscam nem se esforçam o suficiente para obter êxito. Na verdade, ainda segundo Vieira Filho, o tipo Larch, em seu íntimo, é até mais capaz do que a maioria, mas não consegue se perceber assim. Do mesmo modo, o Larix decidua, externamente, apresenta uma casca cinzenta, sem vida, mas por dentro é de coloração vermelha, símbolo de força e vida, em sendo de seu interior que advém suas maiores propriedades terapêuticas, como a substância resinosa conhecida como “terebentina-de-veneza”, que entra na composição de vários medicamentos. Usa-se Larch, na prática, como ensina Mechthild Scheffer, tanto para tratamentos a longo prazo como para lidar com problemas temporários relacionados com a confiança em si mesmos, inclusive no caso de crianças que não se aventuram a fazer nada sozinhas, mas desejam sempre que papai/mamãe o façam primeiro. Tem também sido muito usado em alcoólatras que bebem para “esquecer que não são tão capazes quanto os outros”, e em pacientes com problemática de impotência sexual, pelas mesmas razões.

Pine (Pinus sylvestris), também conhecido como pinheiro, é uma árvore esquia que alcança altura superior a 30 metros, com uma casca castanho-avermelhada na parte inferior e laranja-acastanhado na parte superior. Cresce em florestas e charnecas e gosta de solo arenoso. As flores masculinas e femininas crescem na mesma árvore, sendo as masculinas densamente cobertas de um pólen amarelo. No Oriente, o pinheiro é símbolo da imortalidade devido à resistência de sua folhagem e incorruptibilidade de sua resina. Os imortais taoistas comiam seus grãos, agulhas e resina, alimentação que dispensava qualquer outra, tornando o corpo ligeiro e até capaz de “voar”. No Japão, os pinheiros são usados para a construção dos templos xintoístas, sendo, ainda, símbolos de uma força inquebrantável, forjada no decorrer de difíceis combates cotidianos. Representam os homens que souberam conservar intactos seus pensamentos, apesar das críticas que os cercavam. Para Bach, o Pine é indicado para os que se culpam a si mesmos; até mesmo quando algo lhes sai bem pensam que poderiam tê-lo feito melhor, e nunca estão satisfeitos com o próprio esforço nem com os resultados que obtêm. Trabalham demais e sofrem muito com os erros que atribuem a si mesmos, inclusive, às vezes, os erros se devem aos outros, mas essas pessoas também se sentem responsáveis por eles. Para Mechthild Scheffer, parece que uma pessoa no estado negativo de Pine está sempre pedindo desculpas, até por existir, faltando-lhe talvez a convicção, no fundo do coração, de que merece estar na terra. Alguns, inclusive, têm um desejo quase masoquista de sacrificar-se, e podem castigar-se para o resto da vida escolhendo um parceiro desatencioso. Oferecem amor, ou o que tomam por amor, mas não são capazes de aceitar amor para si mesmas.

Elm (Ulmus procera) apresenta flores entre fevereiro e abril, dependendo do tempo, em matas e sebes formadas de árvores. As flores pequenas, muito numerosas, violáceas-acastanhadas, crescem em cachos e desabrocham antes das folhas. Segundo Henrique Vieira Filho, o nome da planta, Ulmus, contém raiz semelhante a úlmico/ulmina que fazem referência a certos tipos de ácidos extraídos de vegetais. Procera significa alto, importante. As essências florais extraídas dessa bela árvore, largamente utilizada na Antigüidade por suas propriedades terapêuticas e por sua boa madeira, são ideais para aqueles que, como essa árvore, são normalmente fortes e úteis, bastante responsáveis. Inclusive, desempenhando papeis de interesse coletivo, mas que estão passando por uma fase de desânimo e crêem ter assumido uma tarefa além de suas forças. É o próprio Bach que conceitua Elm para os que estão fazendo um bom trabalho, seguindo a vocação de sua vida, que esperam fazer algo importante e, com freqüência, em benefício da Humanidade, mas que em certas ocasiões podem ter momentos de depressão. No brilhante texto de Mechthild Scheffer, em “Terapia Floral do Dr. Bach – Teoria e Prática”, entendemos que “Elm dará força ao forte em momentos de fraqueza. Desperta-lo-á do sonho de inadequação impotente, fazendo-o por os dois pés no chão da realidade outra vez. Isso tornará a propiciar-lhe uma visão clara, para ver os problemas nas proporções ajustadas e ter consciência das próprias capacidades. Voltamos a saber quem somos, e que estaremos de novo à altura das nossa incumbências, seja por nossa própria conta, seja com a ajuda que virá no momento certo e do lado certo.”

Sweet Chestnut (Castanea sativa) ou castanheiro doce, é uma árvore originária da Ásia que cresce até uma altura de 20 metros em bosques abertos, em solos frouxos com grau moderado de umidade. As flores, à feição de amentilho, de cheiro enjoativo, só aparecem depois das folhas, no período de junho a agosto, mais tarde do que em outras árvores. Na China antiga, o Castanheiro correspondia ao Outono e ao Oeste, sendo plantado sempre voltado para essa direção. Simboliza a própria Previdência, pois o seu fruto serve de alimento durante o inverno. Ela sempre foi muito utilizada na agricultura devido às suas castanhas que, na Idade Média, eram a base da alimentação de vários povos europeus, em especial no inverno, que é quando os seus frutos amadurecem, justamente na época do ano mais difícil de se sobreviver. O castanheiro só floresce muito tempo depois das outras árvores, como que esperando a situação atingir o seu limite máximo para só então desabrochar. Dá o seu fruto no auge dos momentos invernais, servindo de conforto e alimento nos momentos mais difíceis. Com todo esse simbolismo entendemos a escolha de Bach ao recomendar Sweet Chestnut para os momentos em que a angústia é tão grande que parece absolutamente insuportável, quando a mente ou o corpo se sente no limite de suas forças e nada mais podem fazer, para quando se tem a impressão de que só resta a destruição e o aniquilamento. Considerando-se a intensidade do sofrimento, Sweet Chestnut é, provavelmente, um dos estados de alma mais fortemente negativos.

Star of Bethlehem (Ornithogalum umbellatum), popularmente “leite-de-galinha”, é uma planta da família das Liliáceas, a mesma do alho, da cebola e do lírio, que atinge até 30 centímetros de altura e possui folhas delgadas e flores brancas com listras verdes. O seu nome científico, segundo observação de Vieira Filho, relaciona-se com galo, do grego “órnis” (ave) e do latim “gallu”, e pára-sol, do latim “umbella”, provavelmente pelo fato dessa flor só desabrochar em épocas de sol brilhante (assim como o galo canta para o sol nascente) e pelo seu formato de guarda sol. Quanto ao nome popular em línguas latinas, o “leite” se deve à sua seiva leitosa. Já em inglês, “Estrela de Belém” é devido às suas flores de seis pontas, tal como a estrela que precedeu, mitologicamente, o nascimento de Cristo. Para Bach, Star of Bethlehem é indicação precisa para os que estão muito angustiados, em circunstâncias que geram uma grande desdita momentânea, o choque de uma notícia grave, a perda de um ente querido, o medo que se segue a um acidente, etc. Em se tratando de condições psicossomáticas, que podem se revelar resistentes ao tratamento, Star of Bethlehem se mostra com bons resultados, em sintomas como a incapacidade de ver, de ouvir, de andar, de tocar. Para o recém-nascido, é ministrado para contrapor-se ao trauma do nascimento. É, provavelmente, o ingrediente mais importante do Remédio Rescue, sintetizando as ações dos outros quatro florais. Neutraliza toda e qualquer forma de “trauma energético”, restaurando rapidamente o mecanismo autocurativo do corpo.

Willow (Salix vitellina), ou Salgueiro amarelo, seu nome latino, Salix, significa salgueiro, que deriva de sal, e vitellina que quer dizer “da cor da gema do ovo”, em referência à tonalidade amarelada desta árvore. Gosta de crescer em solo úmido e baixo. As flores masculinas e femininas desabrocham no princípio de maio em árvores separadas. Para Vieira Filho, o Salgueiro, muitas vezes relacionado com a morte, é símbolo da Lei Divina: os galhos cortados e plantados sobrevivem, permanecendo a árvore indivisa. Esta planta, mesmo que quase totalmente podada, faz brotar de suas “feridas” novos ramos. Quando há “cicatrizes” em seus troncos, estas se aprofundam cada vez mais, e de suas aberturas brotam outras plantas e nelas pássaros fazem seus ninhos. É aparentada do Chorão (Salix babylonica), cujos ramos muito compridos e pêndulos quase chegando ao chão, comumente à beira de lagos, passam a imagem de alguém triste, caído, chorando, daí a maior sincronicidade, ainda no dizer de Vieira Filho, com o floral Willow, indicado para as tristezas e amarguras, para aqueles ressentidos que culpam a tudo e a todos, menos a si próprios. Essa imagem vem do próprio Bach que o indicava “Para os que sofreram uma adversidade ou uma desgraça, e que acham muito difícil aceitá-la sem lamentações ou ressentimentos, pois julgam a vida mais pelas vitórias que conquistam. Parece-lhes que não merecem um revés tão grande, que isso é injusto, fazendo com que fiquem profundamente amargurados. Tais pessoas costumam perder o interesse e mostram-se menos eficientes nas coisas da Vida que antes apreciavam”.

Oak (Quercus robur), ou carvalho, cresce nas florestas e nos pastos. As flores masculinas e femininas desenvolvem-se na mesma árvore, florescendo entre o fim de abril e o princípio de maio. Com tamanho de até 40 metros de altura, essa árvore pode chegar até 2.000 anos de idade, em sendo o carvalho nome genérico de mais de 200 espécies de Fagáceas. Outra vez Vieira Filho, em seu excelente “Florais de Bach. Uma visão mitológica, etimológica e arquetípica”, nos conta que na Antigüidade os homens valorosos eram coroados com ramos de carvalho. Sob suas sombras, fazia-se justiça. Árvore sagrada em numerosas tradições, atrai os raios e simboliza a majestade. Havia o carvalho de Zeus na Grécia, de Júpiter em Roma, de Ramowe na Prússia, de Perun entre os Eslavos. É sinônimo de força tanto moral quanto física. De sua madeira era feita a clava de Hércules, assim como o “eixo do mundo” entre os celtas, os gregos e os iacutos siberianos, o que o torna instrumento de comunicação entre o céu e a terra. Por tudo isso, a essência floral Oak é plenamente indicada para aquele lutador que não se dá conta de estar indo além do limite saudável para as suas forças, assim como o carvalho que, pela sua robustez, acaba atraindo os raios. Bach, ao criar a essência, visava “os que se debatem e se empenham denodadamente para serem bem-sucedidos ou pelas coisas da vida cotidiana, tentando uma coisa atrás da outra, ainda que seu caso pareça desesperado. Continuarão lutando; ficam descontentes consigo mesmo na enfermidade, se esta interfere com seus deveres ou os impede de ajudar aos demais. Para a personalidade do tipo Oak, é a realização e a vitória que tornam a vida digna de ser vivida. Jamais admite a derrota, mesmo nas situações mais difíceis, pois continua lutando até à exaustão.

Crab Apple (Malus pumila ou sylvestris), macieira, é provavelmente uma macieira cultivada que se tornou silvestre. Deita uma coroa de rebentos curtos, semelhantes a espinhos, atingindo uma altura de até 10 metros. A árvore cresce em sebes arbóreas, clareiras de bosques e matas. As pétalas cordiformes são de um rosado rico por fora, e brancas por dentro com apenas laivos cor-de-rosa. Floresce em maio. Na cultura cristã, por sua forma esférica, a maçã representa os desejos terrestres e a complacência em relação a eles. A proibição imposta por Jeová alertava o Homem contra a predominância desses impulsos, devendo escolher entre os desejos terrestres e a espiritualidade. Ao comer do fruto, o casal primordial sentiu vergonha do próprio corpo. A idéia da maçã, como “fruto proibido”, coloca a essência floral da macieira - Crab Apple - em sincronicidade com os que se sentem sujos e impuros. Para Bach, este aspecto era muito claro ao admitir que Crab Apple “é o remédio da limpeza, para os que se sentem como se tivessem em si algo não muito limpo. Às vezes, trata-se de algo aparentemente de pouca importância; em outros casos pode haver uma doença mais grave que é quase ignorada, em comparação com o problema que os perturba no momento. Em ambos os casos se encontram ansiosos por se verem livres de uma coisa em particular que a eles parece maior, e tão importante que é preciso curar-se delas.”

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