- Ano I - nº 12 - Novembro e Dezembro de 2007.                                                Direção: Osiris Costeira

FLORAIS - Osiris Costeira.

A Hipersensibilidade a influência e opiniões.

Muitas vezes, existe um imenso abismo entre a nossa realidade idealizada e a realidade do mundo, a realidade real, à qual temos que nos adaptar ou lutar por modifica-la ao nosso gosto, para sobrevivermos de maneira hígida e minimamente feliz. O difícil para a sobrevivência é quando, excessivamente sensível à realidade externa que não aceitamos, nada fazemos para muda-la, passando a viver ao “sabor dos ventos” sem direção definida, pelo menos àquela que gostaríamos de direcionar. E, apesar de pouco fazermos, reclamamos da vida e, principalmente, sofremos.

Edward Bach identificou essas personalidades em nuances muito detalhadas, selecionando quatro florais que poderiam ajudar a dar a devida importância a sua própria personalidade, em relação à realidade, real e verdadeira, do mundo: Agrimony, Centaury, Holly e Walnut, que passaremos a discutir.

Agrimony (Agrimonia eupatoria) cresce até uma altura de 30 a 60cm, principalmente nos campos, nas cercas vivas e à beira das estradas, possuindo frutos que, tal qual a Bardana, com a qual é comumente confundida, tem muitos ganchos que aderem às roupas dos transeuntes. As flores aparecem entre junho e agosto; produz-se uma espiga alta de pequenas flores amareladas, e cada flor dura apenas três dias. Henrique Vieira Filho nos ensina que o nome do floral “...vem do latim acre ou agri que significa ácido, azêdo, camponês, rude, violento. Possui a mesma raiz de agredir, agressão. Eupatoria, do grego eupatórion e do latim eupatorium, tem a ver com eupatia (resignação, paciência). Esta denominação se deve ao rei Mitridates Eupátor, que introduziu oficialmente o uso medicinal desta planta. Seu nome significa, de bom nascimento, de pai ilustre”. Agrimony relaciona-se com a capacidade de a alma enfrentar os outros e com a sua capacidade de ter alegria. É o próprio Bach que observa ser o floral indicada para pessoas joviais, animadas, de bom humor, que gostam de paz e que se desagradam com discussões ou com brigas, a ponto de, devido a isso, renunciarem a muitas coisas. Essas pessoas, ainda na visão de Bach, mesmo que amiúde tenham problemas, tormentos e inquietações, e sintam perturbações na mente e no corpo, escondem suas aflições por trás de seu bom humor e brincadeiras, sendo considerados ótimos amigos. Com frequência usam álcool ou drogas em excesso para se estimularem e continuarem nas atribulações com ânimo. É ainda Henrique Vieira Filho que observa ser a personalidade Agrimony pessoa muito sociável e que evita ficar só, para que não tenha chance de pensar profundamente em si mesmo, e assim contactar seus tormentos interiores. E isso, porque o tipo Agrimony tem que enxergar a sua verdadeira face, tomar contacto com a sua realidade interior, digeri-la, assimila-la e aprender a usar seu potencial não só em superficialidades, mas também nas profundidades de si mesmo, para a expansão do verdadeiro Eu. Na prática, Agrimony é um dos Florais mais indicados para crianças.

Centaury (Centaurium umbellatum, Erytroea centaurium) é planta anual, com 5 a 35cm de altura, cresce em campos secos, à beira das estradas e em terrenos incultos. Sua flor rosa-pálido (Erytroea vem do grego erythrós=rubor, vermelho, vinho, sangue), formando cachos densos, pedunculados na parte superior, possui cinco pétalas, e aparecem entre junho e agosto, só se abrindo em dias claros. Seu simbolismo é o da força de vontade superior, o que realça pelo fato de ser tal planta a que recuperava o poder do herói Hércules, o mais sábio dos Centauros, ao lhe cuidar das feridas, em sendo cicatrizante, febrífuga e estimulante hepático. Para Bach, Centaury é indicado para pessoas delicadas, silenciosas e suaves, que se mostram demasiadamente ansiosas em servir aos demais, supervalorizando a própria força na ânsia de agradar. Seu anseio cresce de tal modo que elas se convertem mais em escravos do que em voluntários no auxílio aos outros. Sua bondade as leva a cumprir mais tarefas do que lhes é possivel fazer e, assim, chegam a descuidar da sua própria missão nesta vida. Realmente, o tipo Centaury “exala” bondade, gentileza e desprendimento, estando sempre pronto a doar. Curva-se diante da vontade alheia, reluta em manifestar os seus desejos e, com isso, se transforma em vítima perfeita para explorações e manipulações de toda ordem. Não raro, abdica da felicidade pessoal sem pensar duas vezes, acabando por assumir tarefas muito superiores às suas forças, tornando-se, desta maneira, doentio, fatigado, marcado por olheiras e palidez. Além do mais, sofre com o sentimento de ter disperdiçado a própria existência, em que a frustração pode levar ao desespero. Mechthild Scheffer se refere que essas pessoas, à miúde, também são vítimas fáceis das influências espirituais mais poderosas quando se encontram no estado negativo do tipo Centaury, caindo sob o fascínio de mestres “iluminados”. Nos casos extremos, sujeitar-se-ão, submissas, a leis e rituais de grupo, aparentemente necessários, correndo o risco de perder de todo a personalidade, e, com isso, dissipar a sua própria e única oportunidade de desenvolvimento pessoal. Observa, ainda, Mechthild Scheffer que “quando a vontade, depois de prolongada enfermidade, fica tão fraca que não pode fazer nada por si mesma, Centaury dá nova vitalidade à mente e ao corpo”.

Holly (Ilex aquifolium) é uma árvore ou arbusto de folhas acetinadas sempre verdes e de bagas vermelhas brilhantes, que cresce nas matas e sebes formadas de árvores, em que o seu próprio crescimento é muito lento, paciente, chegando até aos 10 metros de altura e 300 anos de idade. As flores masculinas e femininas, brancas, ligeiramente fragrantes, crescem geralmente em árvores diferentes, e desabrocham em maio e junho. Na visão de Bach, o Holly tem indicação para os que se vêem, às vezes, atacados por pensamentos tais como a inveja, o ciúme, a vingança, a suspeita, bem como para os diferentes tipos de desgosto que se pode sentir. Tais pessoas sofrem muito, sendo que, com freqüência, não existe uma causa real para a sua infelicidade. Holly, segundo Mechthild Scheffer, encarna o princípio do Amor Divino, oniabrangente, amor que mantém este mundo e que é maior do que a razão humana. Esse amor, essa qualidade mais alta de energia, através do qual e no qual vivemos todos, é o nosso verdadeiro elixir da vida, o maior dos poderes curativos, e a mais vigorosa força motriz. Holly ajuda-nos, reiteradamente a viver em estado de amor, estado de beleza, solenidade e realização, onde somos um coração e uma alma identificados com o mundo, e somos capazes de reconhecer tudo como parte da ordem natural dada por Deus; onde somos capazes de juntar-nos ao prazer de outros sem inveja, até quando temos problemas. E é o próprio Bach que nos diz: “Holly nos protege de tudo o que não é o Amor Universal. Holly abre o coração e nos une ao Amor Divino.”

Walnut (Juglans regia), árvore da família das Junglandáceas, atingindo até 30 metros de altura e vivendo por até 900 anos, vive bem em áreas protegidas, ao pé de sebes e em pomares. As flores femininas e masculinas crescem na mesma árvore, sendo as masculinas em número muito maior do que as femininas esverdeadas. A árvore floresce em abril ou maio, antes de rebentarem os brotos das folhas ou quando eles rebentam. Segundo Henrique Vieira Filho, o seu nome latino “juglans” significa noz, e provém de jovis glans (jovis, joviale, relativo a Jupiter; glans, glande, fruto do carvalho e outras árvores, cabeça), ou seja, cabeça de Jupiter, devido à semelhança da noz com o cérebro. Seu sobrenome, regia, reforça ainda mais seu aspecto jupiteriano, pois seu significado latino é realeza. Para Bach, Walnut é indicado para os que têm ideais e ambições bem definidos na vida e que os estão concretizando. Contudo, algumas vezes, se vêem tentados a se afastar de suas próprias idéias, de seus objetivos e do próprio trabalho diante do entusiasmo, das convicções ou das convincentes opiniões dos outros. É o medicamento adequado para proporcionar constância e proteger o indivíduo de influências externas.Walnut relaciona-se com as qualidades da alma ligadas a um novo começo e à singeleza. Uma pessoa no estado de Walnut acha dificil dar o último passo, pois alguns aspectos negativos da sua personalidade ainda estão presos, consciente ou inconscientemente, a antigas decisões ou aos liames do passado, nos ensina Mechthild Scheffer. Desta maneira, Walnut não só ajuda os novos começos na esfera mental e na espiritual, mas também se revela útil nas fases principais da mudança biológica, que também significam mudanças internas vitais, e liberam completamente novos potenciais de energia – quando começam, por exemplo, a nascer os dentes do bebê, na puberdade, na gravidez, na menopausa, ou nas fases terminais da vida física. Bach escreveu, citado por Mechthild Scheffer, que “Walnut é o remédio para os que decidiram dar um grande passo à frente na vida, romper velhas convenções, deixar antigos limites e restrições, e enveredar por um caminho novo”.

CONTATO

fale conosco, tire suas dúvidas, fale com os terapeutas, opine sobre os artigos e dê sua sugestão de conteúdo.

BIBLIOTECA/LINKOTECA SELECIONADA

Nosso objetivo é formar um banco de referências bibliográficas das diferentes Terapias Holísticas, para consulta de todos os interessados em mais detalhes sobre determinado assunto. Seria muito importante, e verdadeiramente interativo, se recebessemos sugestões , objetivando uma das finalidades do site Terapia de Caminhos que é compartilhar experiências e conhecimento. Clique aqui para acessar a terapia que deseja uma bibliografia selecionada para consultas.

"As opiniões emitidas nos textos do site são de exclusiva responsabilidade de seus autores".