- Ano I - nº 1 - Dezembro de 2006.                                                                              Direção: Osiris Costeira

FLORAIS - Osiris Costeira.

Muito além dos Florais.

Edward Bach nasceu em Setembro de 1886, em Moseley, um povoado perto de Birmingham, na Inglaterra, e aos 20 anos ingressou na Faculdade de Medicina de Birmingham especializando-se, após o término de seu curso, em bacteriologia, imunologia e saúde pública. A sua vida médica não poderia ser mais rotineira do que foi em seu início, buscando com os recursos que dispunha aperfeiçoar-se e desenvolver de maneira mais plena possível a sua profissão. A I Guerra Mundial serviu de palco para a sua dedicação aos feridos, podendo colocar em prática todo o seu conhecimento médico ao ser responsável por dezenas de leitos no Hospital Universitário.

Foi nessa época, durante o período da guerra, que Bach pode observar reações diferenciadas dos pacientes que recebiam, muitas vezes, a mesma medicação, tornando as terapias nem sempre do mesmo modo eficazes para pacientes diferentes, com a mesma doença. Entendeu que alguma coisa era tão importante ou mais do que a lesão do corpo, a ponto de reagir diferentemente com a mesma medicação.

Em julho de 1917 foi acometido de uma doença grave, não bem elucidada, mas tida como incurável, tendo, segundo os médicos da época, no máximo três meses de vida. Desgostoso com o seu futuro, resolveu abandonar o hospital antes de receber alta e se dedicar, exclusivamente, a algumas pesquisas que havia iniciado, antes da doença. Após várias semanas de dedicação total às suas pesquisas viu-se curado de sua “doença incurável”, aprendendo, consigo próprio, a primeira grande verdade da sobrevivência sadia do ser humano quando fala que o grande medicamento para todos os males é a dedicação com amor a um propósito definido, sem espera de ressarcimentos ou outros benefícios, imbuído exclusivamente em criar. Para doar. Para compartilhar.

Entusiasmado pela Homeopatia, passou a trabalhar, a partir de 1919, no Hospital Homeopático de Londres admitindo que as idéias do Dr. Hahnemann, o criador da Homeopatia, eram muito parecidas com as suas observações e pesquisas. A tal ponto que decidiu preparar suas próprias vacinas com a técnica homeopática, que obtiveram ampla aceitação entre os seus colegas da época. Até este momento, Edward Bach desenvolveu uma vida própria e profissional de bastante êxito. Contudo, comum. Normal.

Em 1929, aos 43 anos de idade, médico respeitado e ouvido por todos, “obedecendo a um chamado interior, abandonou todas as suas atividades na cidade e partiu para o campo, em busca de novos remédios. Entre 1930 e 1934 descobriu os 38 remédios florais e escreveu os fundamentos de sua nova medicina”, descreve Emerson Godoy Cordeiro Machado no prefácio da edição brasileira (abril de 1990) do “Os Remédios Florais do Dr. Bach – Cura-te a ti mesmo e Os Doze Remédios” (Editora Pensamento, 18ª edição, São Paulo, 2004).

A importância de Edward Bach ao criar uma nova forma terapêutica é extraordinária, não só pela sua simplicidade, mas, sobretudo, pela busca – fundamentalmente – das origens energéticas dos padecimentos e não, apenas, da solução de suas manifestações sintomatológicas. Contudo, ao nosso ver, a filosofia de vida na visão de Bach ultrapassa e extrapola toda a magnitude de seus florais, pois, independente de usarmos ou não os medicamentos, os seus ensinamentos podem nos guiar por toda a existência, adoecidos ou não, necessitados ou não de “curar” alguma coisa.

Os ensinamentos do “Cura-te a ti mesmo”, que é uma explicação sobre a causa real e a cura das doenças, nos mostram que existe algo mais do que um simples e limitado corpo físico em nossas existências humanas, e que a doença, ou aquilo que o corpo exibe ou fala, nada mais é do que a maneira pela qual exibimos ao exterior os sentimentos de nosso Eu interno, racional e emocional, fruto do nosso livre arbítrio. Quem “adoece”, na verdade, não é o corpo e sim a energia vital que circula por todo o nosso organismo. Aquele, apenas reflete os desequilíbrios por que passa momentaneamente o Eu interno. É por isso que Bach dizia que “A doença nunca será curada nem erradicada pelos métodos materialistas dos tempos atuais, pelo simples fato de que, em suas origens, ela não é material. Em essência, a doença é o resultado do conflito entre Alma e a Mente, e ela jamais será erradicada exceto por meio de esforços mentais e espirituais”.

Quanto à terapêutica, Bach nos ensina que “A doença tanto é evitável como remediável, e é trabalho dos que praticam a cura espiritual e dos médicos fornecer aos que sofrem, em acréscimo aos remédios materiais, o conhecimento do sofrimento causado pelos erros de suas vidas, e da natureza pela qual esse erro pode ser erradicado, para que, assim, se possa restituir ao doente a saúde e a alegria”.

Com rara inspiração, digna dos grandes Mestres de Luz, Edward Bach sintetizou num único pensamento toda a essência da origem dos males e doenças que assolam constantemente todos os seres, e para os quais os mais modernos medicamentos se mostram ineficazes.

Este pensamento deveria direcionar não só as pessoas necessitadas de ajuda, mas, principalmente, os terapeutas para que possam realmente orientar os seus pacientes, cônscios de que a sua tarefa é, tão somente, mostrar um caminho de vida a seguir, se o paciente assim permitir e quiser: “As doenças reais e básicas do homem são certos defeitos como o orgulho, a crueldade, o ódio, o egoismo, a ignorância, a instabilidade e a ambição. Tais defeitos, persistindo neles, depois de termos alcançado um estágio de desenvolvimento em que já os sabemos nocivos, é o que ocasiona no corpo os efeitos prejudiciais que conhecemos como enfermidades”.

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