- Ano VI - nº 4 (55) - Maio de 2012.                                                              Direção: Osiris Costeira

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Freud e a sua Psicanálise

 

Sigmund Freud, Sigismund Scholomo Freud até o 21 anos de idade, criador da Psicanálise, nasceu a 6 de Maio de 1856 em Freiberg, Moravia, no Império Austro-Húngaro (hoje, Pribor, República Tcheca).

Filho de Jacob Freud, um comerciante judeu, proveniente da Galiza, do ramo de lã, e de sua jovem terceira esposa Amália Nathanson (1835-1930), tinha irmãos do primeiro casamento de seu pai com Sally Kanner, falecida em 1852, Emmanuel e Philipp, que eram cerca de vinte anos mais velhos do que ele. 

Devido à falência dos negócios de seu pai, toda a família se muda em 1859 para Leizig, na Alemanha, e no ano seguinte para Viena, aonde se estabilizam e Freud viveria até 1938.  Aos nove anos Freud entrou para a escola onde teve excelente desempenho, bem diferenciado do de seus colegas, e para a sua formação superior matriculou-se na Universidade de Viena em 1873.

Ao escolher sua futura carreira estudou de início filosofia, mas decidiu-se depois pela Medicina  e se especializou em fisiologia nervosa, uma área onde a prática diária atenderia mais de perto à sua preocupação em conhecer a natureza humana. Freud com certeza deveu mais aos seus estudos de filosofia a inspiração para sua doutrina que à modesta fisiologia nervosa do seu tempo.

Em 1874, na Universidade, foi aluno do filósofo alemão Franz Brentano, ex-sacerdote católico, considerado o fundador do Intensionalismo, que se ocupa dos processos mentais mais do que com o conteúdo da mente, e da Psicologia que hoje é chamada de Psicologia Existencial. 

Freud concluiu seus estudos de Medicina em 1881, e no verão de 1882 tornou-se noivo de Martha Bernays, casando-se com ela em 14 de Setembro de 1886 tendo seis filhos: Mathilde, Jean Martin, Olivier, Ernst, Sophie e Anna, a caçula, nascida em 1895. 

Preocupado com sua própria situação financeira, conseguiu ser médico interno no Hospital Geral de Viena. Nessa ocasião interessou-se pelo caso de uma paciente, relatado por Josef Breuer, um especialista em doenças nervosas a quem devotou grande respeito.

A paciente de Breuer, Bertha Pappenheim - na ficha médica "Fraulein Anna 0." - de 21 anos, era deprimida e hipocondríaca (um quadro na época denominado "histeria"); se acreditava paralítica em algumas ocasiões, ou não conseguia beber água mesmo estando com sede, e se sentia incapaz de falar seu próprio idioma, o alemão, recorrendo ao francês ou inglês para se comunicar.  

 Bertha Pappenheim - “Anna O.” (1859/1836)

Breuer submeteu-a a hipnose e ela relatou casos de sua infância, e essa recordação fazia que se sentisse bem após o transe hipnótico. Este caso foi extremamente importante para Freud na elaboração dos princípios da Psicanálise. Da hipnose, com quem foi estudar e pesquisar com Charcot, em Paris, o desenvolvimento de suas teorias iriam recair na associação livre de idéias para criar as bases da Psicanálise, termo concebido em 1896.

O movimento psicanalítico, baseado nas idéias de Freud, foi sendo gradativamente reconhecido, sendo fundada em 1910 a International Psychoanalytical Assotiation, sendo a primeira revista de psicanálise, “Imago”, criada em 1912.

Conforme o movimento se difundiu, Freud enfrentou a dissidência entre os membros mais chegados de seu círculo, principalmente Adler (1911) e Jung (1912) que formaram suas próprias escolas de pensamento, discordando da ênfase dada por Freud à origem sexual das neuroses.

Freud descobriu que sofria de câncer da boca (maxilares) em 1923, e, mesmo assim, manteve-se produtivo durante os restantes 16 anos de vida, tolerando tratamentos constantes e dolorosos, e resistindo a 33 cirurgias.

Ameaçado pela ocupação nazista da Áustria (1938), Freud conseguiu emigrar para a Inglaterra com sua família, depois de várias ingerências políticas de importantes líderes mundiais junto ao governo de Adolf Hitler. Principalmente, depois da intervenção do diplomata norte-americano William Bullitt e do resgate pago pela princesa Marie Laetitia Bonaparte (1882/1962), psicanalista e ex paciente de Freud, e depois que quatro de suas irmãs (Rosa, Mitzi, Dolfi e Paula), todas com quase 80 anos de idade, ter sido deportadas para campos de concentração aonde morreram.

Por um curto espaço de tempo, ele residiu em 20 Maresfield Gardens, local que 48 anos mais tarde tornou-se o Freud Museum London. Sigmund Freud faleceu, aos 83 anos de idade, às 3 horas da madrugada do dia 23 de Setembro de 1939, em Londres, após um dia em coma.

Segundo o historiador Peter Gay, em seu livro “Uma vida para o nosso tempo” (Companhia das Letras, 1989) sua morte foi devida a injeção de 3 centigramos de morfina, a seu pedido e com o consentimento de sua filha Anna, aplicada pelo seu amigo inseparável Schur, após visita de Ernest Jones, no dia 22 de Setembro.

Sigmund Freud – 6 de Maio de 1856/23 de Setembro de 1939

Quanto à Psicanálise, segundo os seus seguidores, é, ao mesmo tempo, um modo particular de tratamento do desequilíbrio mental e uma teoria psicológica que se ocupa dos processos mentais inconscientes; uma teoria da estrutura e funcionamento da mente humana e um método de análise dos motivos do comportamento; uma doutrina filosófica e um método terapêutico de doenças de natureza psicológica, supostamente sem motivação orgânica.

Originou-se na prática clínica de Josef Breuer (1842-1925), médico e fisiologista austríaco, devendo-se, contudo, a Freud a valorização e aperfeiçoamento da técnica e os conceitos criados nos desdobramentos posteriores do método e da doutrina, o que ele fez valendo-se do pensamento de alguns filósofos e de sua própria experiência profissional.

Desta maneira, alguns aspectos da “doutrina” psicanalítica passaram a explicar uma série de fenômenos que podem ocorrer com os indivíduos, e a manipulação deste material é, sem dúvida, o escopo da técnica terapêutica empregada pelos psicanalistas.

Os principais itens desta base doutrinária são: a importância do instinto sexual, a estrutura tripartite da mente (id-ego-superego), o inconsciente, os atos falhos, o Complexo de Édipo, o Complexo de Eletra e o narcisismo. Em termos de processo psicanalítico, o seu método básico é a interpretação da transferência e da resistência com a análise da livre associação.

O analisando, numa postura relaxada, é solicitado a dizer tudo o que lhe vem à mente. Sonhos, esperanças, desejos e fantasias são de interesse, como também as experiências vividas nos primeiros anos de vida em família. Geralmente, o analista simplesmente escuta fazendo comentários somente quando, no seu julgamento profissional, visualiza uma crescente oportunidade para que o analisando  torne consciente os conteúdos reprimidos, a partir de suas associações.  Escutando-o, o analista tenta manter uma atitude empática de neutralidade. Uma postura de não julgamento visando criar um ambiente seguro.

Como já dissemos diversas dissidências do núcleo freudiano inicial se verificaram ao longo do século XX. Entre as principais destacam-se as de C.G.Jung e Alfred Adler, tendo sido, inclusive, C.G.Jung o primeiro presidente do Instituto Internacional de Psicanálise, antes de sua renúncia às idéias de Freud.  Outras dissidências importantes foram as de Otto Rank e Erich Fromm.

Apesar disso, a Psicanálise de Freud foi, provavelmente, a mais revolucionária prática terapêutica do século XX no âmbito emocional, tendo influenciado com suas idéias e doutrina vários ramos do saber, não só a Medicina ou a Psicologia, mas também a Literatura, a Sociologia, a Antropologia e as Artes de um modo geral.

Isso serviu, principalmente, para que a humanidade rompesse seus tabus e preconceitos na compreensão da sexualidade, se permitindo vê-la como fonte legítima de prazer e não a expressão colorida do mal, do sujo e do pecado.

 

Juliano Moreira (1873/1932)

No Brasil, a historiografia da Psicanálise registra que as idéias de Freud foram divulgadas pela primeira vez pelo psiquiatra Juliano Moreira, e entre 1914 e 1930 outros médicos contribuíram para a implantação da Psicanálise no Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia: Arthur Ramos, Julio Porto-Carrero, Francisco Franco da Rocha e Durval Bellegarde Marcondes.

A seguir, oferecemos um vídeo em que o próprio Freud fala da Psicanálise, além de um interessante documentário, em três partes, sobre Sigmund Freud e Psicanálise.

 

 

 

 

 

 

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