- Ano V - nº 1 (41) - Dezembro de 2010.                                                              Direção: Osiris Costeira

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Hahnemann e o seu "Similia Similibus Curantur"

 

Christian Friedrich Samuel Hahnemann, criador da Homeopatia, nasceu em 10 de Abril de 1755, em Meissen, Saxônia, Alemanha, filho de Johanna Spiess e Christian Gottfriend Hahnemann, este, pintor das famosas porcelanas Meissen.

Ainda na sua infância, a família de Hahnemann entra num estado de extrema pobreza com a ruína da indústria de porcelanas, em face da Guerra dos Sete Anos, que o leva a sair da escola e ir trabalhar com o pai. Posteriormente, apesar da pobreza reinante, por intermédio de sua mãe e de um professor amigo da família, Sr. Müller, consegue matrícula em uma escola - Saint Afra - e termina o ensino médio.

Sempre com muito esforço e sacrifício, em 10 de Agosto de 1779 completa o Curso de Medicina em Erlangen, e um amigo, Dr. Quarin, o indica para ser médico do Barão de Bruckenthal, conseguindo os seus primeiros dois anos de vida tranquila e em paz. Em 1780 se transfere para Hettstedt aonde, além de exercer a sua medicina, começa a escrever seus primeiros ensaios. Pouco tempo depois, muda-se para Dessau, onde, na Farmácia do Moro, do farmacêutico Herr Häsler, conhece a sua enteada Enriqueta Leopoldina Hasseler-Küchler com quem se casa anos depois.

Continuou com a prática da medicina de sua época, mas cada vez mais esta a decepcionava e não se enquadrava naquilo que imaginava ser a sua medicina. Com isso, submetia cada vez mais a sua família às dificuldades da sobrevivência pelas constantes discussões com a classe médica local.

Os seus biógrafos recolheram alguns comentários feitos na época por Hahnemann, como, por exemplo: “Um grande número de casos, depois de séculos, tem arrebatado da medicina toda a sua dignidade. Ela tem se convertido em um miserável negócio, um degradante comércio de prescrições, um vil ofício onde os charlatães se colocam no lugar dos verdadeiros discípulos de Hipócrates.”

Utilizando a sua versatilidade com os idiomas, passa a traduzir vários autores para suprir as suas necessidades, até que, em 1790, traduz o livro “Aulas sobre Matéria Médica” de William Cullen que, como propõe Häehl, o mais importante historiador Hahnemanniano, deve-se considerar como o “ano inicial da Homeopatia”.

Traduzindo esta obra, fica fascinado pela descrição do autor referente à sintomatologia característica da intoxicação por Quina, seja por ingestão acidental ou voluntária, a denominada Quina do Peru, ou Chinchona, por haver curado a Condessa de Chinchon, esposa do Vice-Rei do Peru. E, baseado no aforismo hipocrático “Similia Similibus Curantur”, passou a experimentar em si próprio e em seus familiares e amigos, não só a chinchona, mas uma série de outras substâncias como beladona, digital, mercúrio, enxofre, criando o “método experimental em Terapêutica”, mais de cinquenta anos antes dos trabalhos de Claude Bernard, considerado o Pai da Fisiologia Experimental.

A partir desse momento, foram mais de vinte anos de experimentações e trabalho de divulgação, consciente na tarefa de demonstrar que havia descoberto uma nova ferramenta curativa.  E, tudo fundamentalmente baseado no uso de diminutas quantidades de medicamentos que, em doses maciças, produzem efeitos similares aos da doença a ser tratada, e no princípio dos semelhantes (similia similibus curantur) em que os semelhantes são curados por semelhantes.  Isso é feito através de medicamentos dinamizados que consistem em soluções com diluições e sucussões sucessivas.

Filosoficamente, a Homeopatia se baseia no Vitalismo, cuja doutrina afirma a existência de um princípio irredutível ao domínio físico-químico para explicar os fenômenos vitais. Nesta concepção o corpo físico dos seres vivos é animado e dominado por um princípio imaterial chamado força vital, cuja presença distinguiria o ser vivo dos corpos inanimados, e a sua falta ou falência determinaria o fenômeno da morte.

Em função deste pensamento filosófico, os medicamentos dinamizados, altamente diluídos, perderam toda a massa, mas são passíveis de suscitarem interferências positivas no equilíbrio vital. Por estarem sutilizados a um grau de similitude com a força vital, podem interferir nesta, estimulando reações curativas.

Assim, Samuel Hahnemann ao criar a Homeopatia, postulou que a saúde é um estado de harmonia da mente e do corpo, que tem como única e precípua finalidade favorecer instrumentos sadios para que o espírito possa livremente conquistar os elevados fins de sua existência.

Mais de um século depois, essas idéias revolucionárias à ciência da época foram extremamente importantes na elaboração de outra “revolução” terapêutica, quando Edward Bach, na década de 30 do século passado, desenvolveu o conceito da Terapia Floral. Disseminada pelo mundo desde a sua criação, o médico francês Benoit Jules Mure, conhecido como Dr. Bento Mure, trouxe a Homeopatia para o Brasil em 1840 que, com o médico e amigo João Vicente Martins, atendia o povo e ministrava cursos, sendo fundada em 1851 a Escola Homeopática do Brasil

A publicação mais importante de Hahnemann, “Organon da Medicina Racional”, foi editada em 1810 e reeditada em 1819/1824/1829 e, no ano seguinte, a “Matéria Médica Pura”, em que codifica as experiências no homem, atualmente denominadas Patogenesias.

Sempre com grandes dificuldades econômicas, e trocando constantemente de cidade para fugir da perseguição dos médicos contrários às suas idéias, carrega consigo, também, aspectos trágicos em sua vida familiar, principalmente com a morte de três de seus filhos, dois assassinados e um desaparecido, provavelmente morrendo na América do Norte.

Além de tudo isso, em 1830 morre Enriqueta Leopoldina, sua esposa e companheira de infortúnios e de extrema pobreza. Alguns anos depois, ao curar uma jovem senhora da sociedade parisiense de tuberculose - Marie Melanie D'Hervilly - casa-se com ela, transferindo toda a sua atividade para Paris.

Com o auxílio financeiro e dos conhecimentos sociais de sua jovem esposa, muda totalmente a sua vida, conseguindo divulgar para o mundo inteiro a sua doutrina, passando a ser aceito e aclamado, com exceção de alguns médicos que nunca concordaram com suas idéias.

Passando a incumbência de continuar a divulgação da Homeopatia à sua esposa Melanie, faleceu em 2 de Julho de 1843, sendo sepultado em Paris no Cemitério de Pere Lachaise, onde, desde 1900, foi erigido um monumento em sua memória.

Apesar de processada por médicos e farmacêuticos que não aceitavam que Melanie continuasse a atender os pacientes e a prescrever medicações homeopáticas, em não sendo médica, em 4 de Março 1872 Melanie D’Hervilly recebe autorização oficial para exercer a medicina, no Departamento do Sena, configurando-se a primeira autorização oficial para um não médico exercer a Homeopatia.

 

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