- Ano V - nº 1 (41) - Dezembro de 2010.                                                                 Direção: Osiris Costeira

HOMEOPATIA - Iára Vieira - iarasovieira@gmail.com

A Homeopatia no Brasil

 

A Ciência da Homeopatia foi criada há 200 anos pelo Doutor Samuel Hahnemann, inspirado na filosofia e no pensar de Hipócrates, como um recurso natural para equilibrar o organismo, estimulando a "Via Natural de Cura".  Ao ser apresentada à comunidade médico-científica, foi posta de lado por uma parte e causou grande agitação em outra, devido às curas que o novo sistema produzia. 

Dirigia-se a médicos e faculdades de medicina, mas ninguém se interessou por ela. Renegada pela comunidade médica, a Homeopatia se manteve viva, disseminada e divulgada pela prática popular.  Logo foi considerado um sistema de cura de grande simplicidade. adotada pelo povo que bastava um pouco de bom senso e um bom livro de matéria médica para todos terem acesso à um tratamento seguro para moléstias simples.

Por muitos anos, milhares de pessoas foram beneficiadas por Tratados Homeopáticos que se tornaram os grandes aliados das famílias. A Medicina Brasileira sempre negligenciou a Homeopatia que está no Brasil desde 1840, introduzida por Benoit Mure e rechaçada pelos médicos.  Muitos são seus seguidores e muitos se beneficiam com sua utilização para a manutenção de sua saúde e de seus familiares. 

Esta prática já faz parte da cultura brasileira transmitida pelos nossos avôs que sempre possuíam segredos sobre a utilização de ervas medicinais para chás, infusões e banhos, alimentação adequada e medicação homeopática para o equilíbrio dos filhos e netos que sempre faziam uso de determinados homeopáticos em certas fases do ano, outras aproveitando as fases da lua e, de posse desses conhecimentos, mantinham equilibrada a saúde de todos os familiares que atingiam idade avançada.         

Desde há muito, existem os práticos que não possuem, na maioria das vezes, formação acadêmica.  Com apenas um manual de Homeopatia cuidam das pessoas e, como auto didatas, aprofundam cada vez mais o seu conhecimento. O direito ao conhecimento é assegurado pela história dessa ciência. A Homeopatia cresceu e se propagou pelo Brasil, pela utilização do povo, cultura popular, tradição familiar, pelos práticos e agente de saúde.

Existem, também, os orientadores que indicam, em farmácias homeopáticas, o remédio para os que se aproximam do balcão e lhes pede alguma indicação. Na Índia existem hospitais populares onde a Homeopatia é utilizada com sucesso por agentes de saúde treinados até para um atendimento de primeiros socorros

Como ilustração, citarei um caso de um familiar que, ao nascer, prematuro de sete meses, muito abaixo do peso e de tamanho reduzido, fora desenganado pelos médicos; a mãe, parteira, neta de índios e conhecedora dos métodos naturais de cura herdados de seus antepassados da Tribo dos Índios Charruas, colonizadores do Rio Grande do Sul, assumiu seu filho dizendo que, já que a medicina o considerara morto, tentaria de tudo para salvar seu menino aplicando todos os conhecimentos que possuía. 

Acomodou-o numa caixinha de sapatos forrada com algodão colocando-a perto do calor da caldeira do fogão de lenha, mantido aceso dia e noite; todo o dia dava banho de canja de galinha feita da ave mais gorda do galinheiro porque a força da canja entraria pelos poros; o alimentava com leite materno por conta gotas, ervas medicinais e homeopatia.

O menino "vingou", tornando-se forte e saudável, continuou se tratando pela homeopatia e por ervas, e não se tem registro de doença mais grave; herdou o apelido de "vergonha da medicina".  Faleceu aos 96 anos de velhice, aos poucos, seu corpo foi entrando em falência natural e veio a óbito.

"A Homeopatia é de domínio do povo, não cabendo a ninguém legislar sobre quem está ou não habilitado a praticá-la. A Homeopatia cuida dos sintomas mentais, emocionais e energéticos, não se propõe a tratar os males físicos", o que é bem explicado nos tratados escritos por Hahnemann e J.T Kent, "os sintomas físicos são os de menor hierarquia, estes são dirimidos em consequência do tratamento de sua origem, não como a causa primeira das doenças".

Nada a distingue de outros tratamentos pelas Técnicas Naturalistas, muitas delas reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde, popularizadas pela Sociedade e até então não questionadas por autoridades médicas.  Somente em 1980, através da Resolução nº 1000/80, o Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Homeopática Brasileira a reconheceu como Especialidade Médica e, como tal, só poderia ser exercida por profissional médico devidamente habilitado, lembrando, também, o artigo número 182, do Código Penal, que versa sobre a utilização de práticas médicas por leigos sujeitando-os às penas legais por "Exercício Ilegal da Profissão". 

Lembra-se que Especialidade não significa monopólio ou exclusividade, assim sendo, tal resolução não encontra amparo em nenhum ramo do direito para produzir efeitos fora do limite do campo de atuação do Conselho Federal de Medicina, que é a própria classe médica.

Convém lembrar que após 1980 o povo passou a ter a colaboração dos médicos, quando os mesmos tiveram permissão do Conselho Federal de Medicina e começaram a se especializar em Homeopatia, não houve apropriação da Homeopatia pelos Médicos Homeopatas; houve, apenas, permissão para que estudassem a Homeopatia, o que se denominou "Especialização".  “Se especializar não significa tomar posse, ser dono da ciência e da cultura estabelecida”.  (Prof. Casale – Deptº Fitotecnia – UFV)

Ao lado do povo, a Homeopatia vem sendo praticada há cerca de 150 anos por homeopatas não médicos, médiuns espíritas, raizeiros, biólogos, odontólogos, agrônomos, psicólogos, agentes de saúde, pastorais de igrejas e agentes comunitários. 

É direito adquirido do povo brasileiro, foi o povo que preservou esta prática médica no Brasil, resta a certeza de que não existe Lei Federal  que faça da Homeopatia prática exclusiva dos médicos, portanto, seu uso continua livre no Brasil.  O saber sobre a Homeopatia não é exclusividade de nenhuma profissão.

Faz-se necessário um corte epistemológico, uma reflexão por parte da classe médica para que os médicos homeopatas entendam como se inseriram na História desta prática popular, a Homeopatia.

 

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