- Ano VI - nº 5 (56) - Junho/Julho de 2012.                                                                 Direção: Osiris Costeira

HOMEOPATIA - Iára Vieira - iarasovieira@gmail.com

A CONSULTA HOMEOPÁTICA - 2ª Parte

 

Para relembrar em que ponto paramos em nossa última conversa, falávamos sobre a consulta homeopática no que diz respeito à forma como deve ser conduzida e dos dados que necessitamos para uma correta indicação da Homeopatia.

Nos primeiros artigos fizemos um breve resumo sobre o que é, como atua e os efeitos da Homeopatia, além de revermos que os remédios homeopáticos foram definidos a partir de experimentos em humanos sãos.

Os remédios provocam uma série determinada de sintomas físicos, gerais, emocionais, mentais e energéticos que devem ser semelhantes aos sintomas apresentados pelo indivíduo doente, e desta forma é possível restabelecer o estado de saúde equilibrado.

Por este motivo, torna-se indispensável o conhecimento e a identificação dos sinais e sintomas objetivos e subjetivos do paciente, visando encontrar o remédio que mais se assemelhe a ele. Por isso, o homeopata se interessa por particularidades individuais, consideradas estranhas por aquele que não conheça e entenda o modelo homeopático.

Desta forma, é de fundamental importância realizar um interrogatório bem abrangente e minucioso, onde o homeopata busca compreender a “totalidade sintomática” característica do paciente que consiste dos conteúdos imaginários e fantásticos, passando pelos sonhos, sensações, sentimentos, afetos e pensamentos, incluindo as suas características gerais e físicas que lhes são peculiares.

Todo o relato e tudo que diz respeito ao paciente expressa o estado de sua vitalidade. O homeopata ouve atentamente e propicia o ambiente para que o paciente expresse os seus sofrimentos físicos, psíquicos e emocionais espontânea, sincera e detalhadamente, buscando uma vinculação com o paciente.

Após fazer as indagações e observações necessárias, ouvir atentamente todas as queixas, a forma como este indivíduo se vê, se percebe, sua maneira de ser e reagir frente ao meio, às pessoas que o cerca e aos estímulos do meio ambiente, percebendo a forma como estas queixas são feitas; após minuciosa e cuidadosa leitura dos laudos de exames emitidos pelos médicos, de anotar a relação de medicamentos que o paciente faz uso, avançamos para a classificação dos sintomas. E, através da confiança, compreensão e empatia recíprocas entre ele e o paciente, se desenvolve a tarefa mútua na busca do remédio que mais se aproxima dele, o remédio individualizado.

É de suma importância para o paciente e para os que o acompanha uma constante observação do seu modo de pensar, sentir e agir, esforçando-se para entender as causas nucleares que desencadearam o processo de adoecimento.

O entendimento da psicodinâmica do ser humano é um árduo trabalho que deve ser feito com certa constância, e passo a passo. E isso, através do processo de observação do livre relato do paciente, do esforço pessoal empregado na busca do autoconhecimento, mantendo o foco no conteúdo primário dos “conflitos”, que geralmente é o fator desencadeante e da instalação de grande parte das doenças.

O homem é um ser bio-psico-social permeado pela espiritualidade. Essa visão de conjunto é que deve direcionar a escolha do medicamento homeopático individualizado, e a duração do tratamento pode ser mais ou menos demorada dependendo da gravidade e do tempo de instalação da enfermidade.

C) A Totalidade Sintomática não significa o agrupamento de todos os sintomas que obtemos na consulta. Refere-se ao conjunto de sintomas, dentre os obtidos na consulta, que analisamos depois de modalizados e detalhados mostrarem ser uma totalidade característica, ou uma “Síndrome Mínima com Valor Máximo”, reunindo os sinais e sintomas que revelaram, em toda a história mórbida (aqui se referindo à doença), modo de ser, sentir, pensar, agir e expressar do paciente.

Sinaliza o mais raro, peculiar, característico e individualizante desse ser humano que o distingue dos demais.

Totalidade dos Sintomas: Um medicamento que seja exatamente semelhante a um doente. A semelhança entre a soma de todos os sintomas mórbidos do paciente (relativos à doença, o que é prejudicial à saúde, que causa doenças) e a totalidade numérica dos sintomas patogenéticos (de que maneira os agentes mórbidos provocam as doenças).

Como, a partir das investigações, estabelecer uma totalidade sintomática? Classificando e caracterizando os sintomas, segundo sua modalidade (cada aspecto ou particularidade diferente da mesma queixa).

1) Partindo de uma anamnese bem detalhada, separamos os:

    a) Sintomas objetivos ou físicos e subjetivos: objetivos ou físicos são aqueles familiares, os que são definidos pela medicina tradicional, as manifestações corporais que são identificadas e reconhecidas pelo paciente. Devemos assinalar todas as particularidades ou modalidades características a cada indivíduo, como, por exemplo, tipo de dor ou sensação, localização e irradiação, época e hora de surgimento, fatores de melhora ou piora sintomas ou sensações concomitantes. Os subjetivos surgem do imaginário da pessoa, das fantasias que são criadas em torno do que sente.

    b) Sintomas Gerais e locais: representam as características generalizantes do organismo e que se relacionam aos vários sintomas melhorando ou agravando-os, devemos valorizar as seguintes modalidades: posições ou movimentos, temperatura, clima ou estação do ano, condições atmosféricas e do tempo, comidas e bebidas, transpiração, eliminações, evacuações.

    c) Mentais: muito valorizados por Hahnemann, são relacionados ao pensar e ao sentir, ao caráter e à moral, relação doente-doença, mente-corpo, que hoje, é abordada pela medicina psicossomática e fundamental, segundo Milton Erickson, Carl Simonton e outros estudiosos da conexão mente-corpo, para o entendimento de como a mente pode adoecer o indivíduo e como pode restaurar sua saúde integral. São os sintomas mais difíceis de serem relatados pelos pacientes. São sintomas que caracteriza o paciente, os que viabilizam o recorte, entre todos os sintomas relatos, levando ao núcleo da individualidade que, tendo como um escudo os mecanismos de defesa do ego, a princípio oculta as limitações e fraquezas (suscetibilidades). São estes sintomas que estão diretamente relacionados aos desequilíbrios fisiológicos (sistema integrativo psico-neuro-imuno-endócrino-metabólico) que predispõem ao surgimento das diversas classes de doenças ou enfermidades. Toda doença tem seu início no campo mental e sua evolução dependerá de como o paciente está estruturado emocionalmente e como acontecem suas elaborações simbólicas, seu sistema de crenças e as fantasias criadas a partir de seus contatos com o outro e com o meio ambiente.

    d) Comuns e patognomônicos: são sintomas peculiares àquela doença específica, só estão presentes nesta determinada doença.

2) Exames físicos e exames complementares, se necessário: quanto aos exames físicos e exames complementares, observamos os seguintes tipos de modalização dos sintomas: localização, extensão, sensação, duração, periodicidade, lateralidade, concomitâncias e alternâncias, modalidades de agravação e melhora.

3) Pela personalidade: sintomas raros, peculiares e os “keynotes” (palavras chaves).

De posse da Totalidade Sintomática característica, estabelecer a visão de unidade existencial individualizadora.

HIERARQUIZAÇÃO DOS SINTOMAS

Após selecionar os sintomas mais individualizadores parte-se para a hierarquização, seguindo o grau de importância, de cima para baixo (do sensorial para o físico). A hierarquização mostra o grau de importância dos sintomas, do mais significativo para o de menor valor, visto que na Homeopatia os sintomas mais importantes são os que provocam sensações, e nas explicações vêm precedidos do relato “como se”...

1) Sintomas da Imaginação (sensações, ilusões, delírios e sonhos)

2) Sintomas biopatográficos (transtornos por)

3) Sintomas extraídos da história individual

    a) Mentais (ansiedade, modalizados)

    b) Volitivos (indolência, trabalho, vontade)

    c) Intelectivos (memória, compreensão, juízo)

    d) Emocionais (medo, tristeza)

4) Gerais (modalizados) transpiração, sono, sede, apetite, febre, características das eliminações

5) Locais (modalizados) – cabeça, peito, estômago

6) Sintomas extraídos da história clínica (comuns e patognomônicos) 7) Transtornos funcionais e lesões orgânicas.

OBSERVAÇÕES

a) O sintoma deve ser característico e individualizador. Um sintoma local muito diferente e estranho pode assumir grau I na escala hierárquica (vale o que é chamativo no paciente).

 b) Estabelece-se a Síndrome Mínima de Valor Máximo: menor número de sintomas que caracteriza a individualidade do paciente. Geralmente, analisa-se um mental, um geral e um local característicos.

 

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