- Ano I - nº 4 - Março de 2007.                                                                              Direção: Osiris Costeira

LEITURA CORPORAL - Osiris Costeira.

A doença como sintoma: doenças respiratórias.

A respiração exterioriza fenômenos extremamente importantes na manutenção da vida, desde os seus valores reais, fisiológicos, até a sua representatividade simbólica. A primeira sensação que se nos apresenta como fundamental na respiração é a sua ritmicidade, ou seja, a sua dualidade “inspiração-expiração” criando os opostos, os pólos em que cada um vive da existência do contrário. Um pólo compensa o outro e ambos formam a totalidade. Respiração é ritmo, e ritmo representa tudo que vive e palpita. Por outro lado, respirar se transforma no mais democrático e participativo dos atos humanos, pois todo o ar que expiramos é o mesmo que as outras pessoas inspiram, para posteriormente inspirarmos o ar expirados por elas. Conhecidos, não conhecidos, amigos, não amigos, todos participam da grande “confraternização”. A respiração é o grande comprometimento da Humanidade e faz com que o pulmão se torne o grande órgão de contato entre os homens. Mas da mesma forma que a livre respiração engloba a todos em uma imensa rede interdependencial e participativa, o não respirar de modo sadio e suficiente para a sua própria aeração é um sinal simples e direto que esse indivíduo não deseja envolvimentos com o grupo. Não deseja - por incompetência ou por medo - participar desta imensa contabilidade de dar e receber. Pelo menos de ar, que se transforma em energia e em vida.

A mais comum das patologias respiratórias é, sem dúvida, a asma ou bronquite asmática que se define como uma crise de falta de ar, dispnéia, com uma expiração caracteristicamente sibilante. Existe um estreitamento dos pequenos brônquios e bronquíolos que, através de uma contração da musculatura lisa, pode causar um processo inflamatório das vias aéreas, edema alérgico e secreção das membranas mucosas. A crise de asma é sentida pelo paciente como um sufocamento que põe em risco a sua vida, e o paciente luta pelo ar e a sua respiração é resfolegante. Ao que parece, a expiração é especialmente sufocada. Esse é o quadro clínico. Dramático. Às vezes desesperador para aquele corpo que não consegue respirar. E o Ser que habita este mesmo corpo dispnéico, o que estará querendo dizer com tanta angústia?

Ele tem, provavelmente, uma história bem rica de adoecimentos que se transformaram na angústia de uma crise de dispnéia asmática. E o mais importante dos componentes de sua patologia interna é a grande dificuldade de conviver com o dar e o receber, principalmente se substituirmos ar por afeto ou amor. Para receber temos que dar, na mesma ritmicidade do inspirar/expirar, para que a nossa contabilidade afetiva esteja equilibrada. O asmático tenta receber em demasia, com medo, talvez, de não ter outra “chance” de ganhar o que acha que necessita, e o retém. Com isso acaba se envenenando com o próprio ar, agora rico em gás carbônico, que não conseguiu expelir. Esse dar e receber coarctado leva, literalmente, à sensação de asfixia e quase morte. Essa dificuldade de relacionamento, imposta pela incapacidade de dar e receber afeto, gera uma necessidade de fuga, isolamento, e desejo de mando e poder em seu “pequeno mundo”. Por vezes, extrapola os seus muros e se aventura, de modo idealista e romântico, ao grande mundo real, até encontrar e enfrentar outra pessoa pelo mesmo mando e poder. Como não sabe se comunicar, e tem medo, transforma tudo em nova crise asmática. E tudo pela insuficiência de amor, para dar e receber.

Todo o trato respiratório exterioriza as dificuldades humanas de relacionamento interpessoal, e não apenas o trato inferior com brônquios e bronquíolos. Os chamados resfriados comuns ou gripes, que sinalizam problemas respiratórios desde o nariz ao tecido pulmonar, são manifestações extremamente ricas no dia-a-dia a demonstrar a nossa necessidade de recolhimento/afastamento/fuga de tudo e de todos. E tudo pode começar com o “simples” nariz entupido, que já dificulta a globalização do relacionamento e faz com que não sintamos, não cheiremos nada nem ninguém. A primeira desculpa pode ser o frio, uma “corrente de ar frio”, mas provavelmente é a pessoa que está fria e não consegue se aquecer com nada. A própria situação infecciosa do quadro clínico permite que as pessoas solicitem que as demais se afastem, não se aproximem, muito menos lhe beijem, com receio do contágio, num perfeito álibi aceito por todos, até por precaução real. O seu desejo, em nome de uma melhora rápida, é recolher-se à cama, debaixo dos lençóis, no escuro e sem ninguém por perto, e sem comer ou beber nada pela dor na garganta (não consegue engolir a sua situação atual de vida, nem reclamar, falando, pois está com “muita dor de garganta”).

A crise de asma é mais dramática, pois pode, realmente, levar à morte por insuficiência respiratória. Mas a grande dramaticidade de ambos os quadros, da bronquite asmática e da gripe, é a não permissão do envolvimento com as demais pessoas com quem convive e inclusive ama, e a necessidade de se esconder ao invés de discutir, de modo adulto, as suas dúvidas e principalmente os seus medos, geradores de desencontros e desamores. E tudo em nome de um amor que, provavelmente, não conhece porque não se permite compartilhar.

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