- Ano I - nº 6 - Maio de 2007.                                                                              Direção: Osiris Costeira

LEITURA CORPORAL - Osiris Costeira.

A doença como sintoma: doenças digestivas - 1º parte.

O processo digestório, da mesma maneira que o respiratório, retira do meio exterior a sua matéria prima, metaboliza, e o não absorvido é eliminado pelo seu não aproveitamento. Ele representa a relação entre o indivíduo e o que é introjetado do exterior, quer em termos de pessoas, coisas ou situações. A sua simbologia repousa no modo pelo qual o indivíduo convive, se relaciona e seleciona pessoas do grupo social em que vive, representado pelos alimentos e sua digestão, do momento em que penetra na boca até ao que é expelido pelo ânus.

E ao introduzir o alimento na boca necessita-se de um instrumento fundamental para que ele seja reduzido a pedacinhos e possa ser engolido: os dentes, e com eles morder e mastigar os alimentos. Os dentes representam parte de nossa agressividade e, de certa forma, da capacidade de cuidarmos de nós mesmos e de enfrentarmos o externo, a sociedade em que vivemos, com os seus estatutos, direitos e deveres. As doenças dos dentes revelam um indício de que o indivíduo não consegue exteriorizar a sua agressividade, defensiva ou preventiva, e conseqüentemente, defender a sua individualidade. O estado carencial dos dentes de grandes populações, geralmente de modo crônico e quase endêmico, demonstra a “pacividade” e a “passividade” desses grupos, geralmente de baixo poder aquisitivo, que não têm condições sócio-econômico-culturais para reagir e protestar. Socialmente inermes e inertes. E é pela boca, através da mastigação e da salivação, que começamos a digerir o mundo externo, introduzindo-o para lhe retirar o útil, e sobrevivermos.

Quando engolimos, estamos incorporando, integrando e, principalmente, aceitando o engolido, após a trituração - perfeita ou não - pelos dentes e a salivação, ajudada pela língua. Contudo, nem sempre engolimos o que gostaríamos para nos dar prazer, tanto em alimentos quanto em situações. E é nesse momento que o corpo reclama da seleção feita e introjetada/engolida, e reage na tentativa de impedir a deglutição através de espasmos do esôfago, como se tivesse um “nó na garganta” dificultando a descida do alimento, a assimilação do fato/situação conflitante e/ou desagradável. A regurgitação é um sinal nítido desta dificuldade, mais vivencial do que digestiva. Se, contudo, o alimento passou do esôfago e penetrou no estômago, não será por isso que o alimento/situação não-querida será aceita e assimilada. O organismo ainda dispõe de mecanismos de expulsão que podem ser válidos e capazes de realizar o seu intento. A náusea, uma sensação de enjôo, de desagrado, de coisa pesada, não bem-vinda ao estômago é o primeiro sentimento a se manifestar, que tem o seu ponto máximo no vômito, o último recurso, heróico, de expulsão do indesejado. Vomitar é uma expressão de resistência e de recusa. É não-aceitar. É rejeitar. Essa correlação se torna clara e visível nos vômitos gravídicos em que a gestante manifesta a resistência inconsciente não só ao filho que está gestando, mas, também, ao homem que a fecundou e, muitas vezes, a sua própria feminilidade, representada pela maternidade.

A partir do momento que o alimento/situação indesejada atingiu o estômago, outros mecanismos de defesa são ativados, talvez até mais agressivos e lesivos ao indivíduo, para declarar o seu desagrado e a sua insatisfação pelo momento vivido. As células principais da mucosa gástrica secretam ácido clorídrico em quantidades desnecessariamente aumentadas, além do que é normalmente preciso para o início da digestão, principalmente, dos protídios. Essa hiperacidez, além da sintomatologia clássica da azia e empachamento com digestão mais lenta, favorecerá uma mucosa suficientemente ácida para abrigar a Helicobacter pilory, agente responsável pela etiopatogenia da úlcera péptica, principalmente a gástrica. E o indivíduo que não conseguia digerir as suas situações conflituosas, não vai conseguir digerir os alimentos ingeridos, visto que a sua mucosa está lesada, podendo permanecer, assim, como gastrite, ou evoluir para a ulceração, com perfuração ou não. O interessante é que a Gastroenterologia clássica, até poucas décadas atrás, prescrevia aos seus pacientes uma dieta semi-pastosa de mingaus e rica em lácteos, de absoluta ineficiência visto que, sabe-se hoje, os laticínios ativam a produção, por feedback, do próprio ácido clorídrico, absolutamente contra-indicado. Mas, o simbolismo do mingau e do leite e a sua regressão a eras infantis, acalmava as suas necessidades de não enfrentar os problemas, coisas que as crianças transferem.

No contexto da lesão péptica, o organismo desenvolve uma imensa agressividade contra si próprio, pois, ao invés de digerir/atacar o alimento/situação indesejada, ele se volta contra si, “punindo-o” pela incompetência de lidar com o não-desejado e pela incapacidade de o expulsar. Mas, talvez, a maior razão de sua auto-agressividade seja pelo desejo insatisfeito e inconsciente de regredir à infância e à dependência e segurança materna, além de afeto que “naquele tempo” recebia. Diferente do de agora.

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