- Ano I - nº 7 - Junho de 2007.                                                                              Direção: Osiris Costeira

LEITURA CORPORAL - Osiris Costeira.

A doença como sintoma: doenças digestivas - 2º parte.

O intestino delgado representa o verdadeiro cérebro do aparelho digestório, pois cabe a ele analisar, separar as partes essenciais e úteis e empurrar para o intestino grosso o inaproveitável, para ser expulso. Não é à-toa que as pessoas que sofrem do intestino delgado geralmente tendem a análises e a críticas demasiadas e excessivas de fatos e de pessoas, sempre encontrando defeitos e as colocando em uma posição descartável. “Empurrando para o intestino grosso”. As disenterias e diarréias representam aspectos de insegurança e medo, e se há medo há limitação e apego. O medo geralmente é do incognoscível, do não palpável ou visível, produto, mais das vezes, do pensamento mágico e de certas necessidades de retorno à infância, aonde os medos eram aplacados pelo poder e pela força de papai/mamãe. Esses sim, poderosos e fortes. Deuses.

No caso do intestino grosso, a grande patologia, do dia-a-dia clínico, é a prisão de ventre ou obstipação intestinal. A Psicanálise também levou em consideração, desde Sigmund Freud (1856 -1939), o simbolismo da prisão de ventre, interpretando a defecação como um ato de doação e generosidade, inclusive referendado ao dinheiro e ao poder, de um modo geral. A simbologia defecar/dinheiro representa o dar algo, enquanto que a prisão de ventre indica que não se quer dar nada, que se deseja manter um apego às coisas, fatos que se incluem no arcabouço do egoísmo e da avareza.

Além desses aspectos da motilidade intestinal, com diarréia ou prisão de ventre, podemos considerar o intestino delgado como de capacidade analítica e consciente, enquanto que o intestino grosso representa o inconsciente, no mais profundo e escondido de seus abismos, ou simbolicamente o depositário das “coisas ruins”, imprestáveis e indesejadas, e que não devem ser mostradas. A partir desse momento entendemos as razões de muitas prisões de ventre ao não permitirem que o conteúdo inconsciente se exteriorize e que todos tomem conhecimento.

O pâncreas, apesar de ser uma glândula mista, é sempre visualizado no aparelho digestório pelo seu componente exógeno de sucos digestivos que, ao desembocar no duodeno, auxilia grandemente na digestão dos alimentos. Mas é realmente na sua produção endógena, hormonal, que reside a sua grande importância na fisiologia humana, visto que através das células ou ilhotas de Langerhans é produzida a insulina, fator fundamental e preponderante para a metabolização dos glicídios ou açúcares. Esse hormônio, quando inexistente ou secretado em baixa quantidade, promove a instalação de uma doença denominada diabetes melito. Ambas as origens determinam um aumento substancial de açúcar circulante, hiperglicemia, pela impossibilidade de o açúcar penetrar na célula, sendo eliminado diretamente na urina, ocasionando glicosúria, denominação original da doença. O diabetes é a típica patologia do amor e do desamor, da inabilidade de se conjugar o verbo amar em todos os tempos e modos, bem como para todos os pronomes pessoais.

“Se substituirmos a palavra açúcar pela palavra amor, teremos delineado com exatidão qual o nível de problema dos diabéticos”, ensinam DETHLEFSEN Y DAHLKE, em seu famoso livro “A doença como caminho”, da Cultrix. Por trás do desejo de comer doce e da simultânea incapacidade de assimilar o açúcar introduzindo-o nas próprias células, está o inconfessado desejo da realização amorosa, ao lado da incapacidade tanto de aceitar o amor como de entregar-se a ele. E a falta do amor, ou a inabilidade de conviver com ele, nasce o desamor pelas coisas, pelos homens e pela vida, e o “amargo” da sobrevivência que, em muitos pacientes, termina em cegueira – para não ver a vida – ou com pés amputados – para não seguir nenhum caminho – além de parar a filtragem renal, anúria, para, quem sabe, segurar de modo avaro e desesperado o doce que lhe resta. Mesmo na urina. Ainda nos ensinam os mesmos autores que só as pessoas que sabem receber o amor são capazes de dá-lo; os diabéticos, contudo, só conseguem esta troca através da urina, na forma de açúcar não assimilado.

O fígado é um dos maiores, mais complexos e mais importantes órgãos do corpo humano, não só pelo seu simbolismo secular como pelo número de funções que exerce. Fisiologicamente, dir-se-ia que o fígado participa ativamente de mecanismos de desintoxicação tanto de toxinas do próprio corpo como as de outras procedências; participa do metabolismo das proteínas até atingir à condição de aminoácidos; através dos aminoácidos e de componentes gordurosos dos alimentos gera energia, e armazena energia na produção de glicogênio, bem como os carboidratos de um modo geral são transformados em gordura para produzir energia. O fígado, apesar de tanta atividade e importância, só adoece devido aos excessos cometidos: demasiada gordura, comer demais, beber em excesso, tomar drogas de forma exagerada, entre outros exemplos. Um fígado doente mostra que a pessoa está assimilando algo em demasia, mostra a falta de moderação, idéias exageradas de expansão e ideais elevados demais. É possível dizer que o hepatopata é um paciente do excesso e do exagero, e o seu mundo é de uma “grandeza” maior do que ele, e que extrapola os seus limites e as suas possibilidades.

A vesícula biliar armazena a bílis produzida pelos hepatócitos, e é de extrema importância no metabolismo dos lipídios. A sua patologia mais comum é a litíase biliar. Isto é, a petrificação da bílis, impedindo o seu escoamento através do colédoco, gerando os chamados cálculos ou pedras e um quadro clínico de muita dor. No plano simbólico, o cálculo biliar representa a petrificação da agressividade negativa; do ódio, do rancor, da inexistência total e absoluta do amor e do afeto, fazendo nascer um sentimento de amargor, e ao mesmo tempo de inveja, do não-vivido. São sentimentos mais comuns às mulheres do que aos homens, e em especial a mulheres casadas e com filhos, em que a “passagem” da pedra representa um parto extremamente doloroso, quem sabe culposo de gestações anteriores indesejadas. O grande lenitivo para a litíase biliar é, sem dúvida, o perdão, sincero e verdadeiro. Tanto para pedi-lo quanto para aceitá-lo.

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